Cientistas descobrem que os cães foram domesticados há 40 mil anos

Segundo várias investigações, os cães nos acompanham desde milhares de anos. Sua ascendência provém dos lobos e, com o passar do tempo e a evolução do homem, converteram-se no que hoje são: amigos leais, grandes guardiães, eficientes no resgate, mas, sobretudo, uma grande companhia para as crianças, idosos e para todos aqueles que queiram conviver com estes adoráveis animais.

Foram realizadas centenas de investigações por todo o mundo para determinar qual é a origem dos cães e desde quando eles nos acompanham.

As respostas a estas perguntas foram dadas em uma investigação publicada recentemente na prestigiosa revista Current Biology. O estudo afirma que os cães evoluíram dos lobos há 40.000 anos.

Os cientistas chegaram a essa conclusão depois de analisar o material genético de um lobo siberiano que viveu há 35.000 anos. Isso sugere que os seres humanos poderiam ter começado a domesticar os cães entre 27.000 e 40.000 anos antes de nossa época.

Os pesquisadores teorizam que os primeiros cães domesticados poderiam ter sido amigos dos humanos que, durante a idade de gelo, se dedicavam à caça de animais.

A seguir compartilharemos alguns pontos relevantes desta importante descoberta.

Que dados reúnem as informações encontradas?

A domesticação dos cachorros

De acordo com a investigação, várias análises genéticas anteriores tinham determinado que os cães foram separados dos lobos entre 10.000 e 30.000 anos.

Os investigadores basearam-se em amostras de ossos de uma costela, da qual extraiu-se o DNA. O material foi descoberto em uma expedição na península de Taymyr, na Rússia, em 2010.

Quando encontraram o osso, os pesquisadores, em primeiro lugar, acharam que poderia pertencer a uma rena morta há muito, muito tempo.

No entanto, a análise inicial mostrou que a peça procedia dos restos de um lobo e a datação por radiocarbono colocou sua idade por volta dos 35.000 anos.

Pensava-se que esse período era de muito antes da domesticação dos cães, mas o código genético mostrou uma representação quase igual à do DNA dos lobos e dos cães modernos.

A investigação indica que os seres humanos poderiam ter mantido os lobos em cativeiro antes que estes fossem totalmente domesticados, ainda que os cães, provavelmente, tenham conservado as características corporais dos lobos durante milhares de anos.

Também poderiam ter sido domesticados pelos primeiros humanos que habitaram a Ásia e a Europa.

Segundo afirmam os pesquisadores, mesmo após que os canídeos se separarem da árvore genealógica da qual participam os lobos, os dois tipos de animais provavelmente continuaram cruzando durante um período de tempo bastante prolongado.

Daí derivaram-se as raças como os cães da Groenlândia e os Huskies Siberianos, os quais têm demonstrado que possuem mais material genético dos lobos do que de cães.

Neste sentido, se a análise realizada pelos cientistas estiver correta, então os cães foram domesticados muito antes que outras espécies, tais como as galinhas, os porcos e bovinos.

De fato, alguns pesquisadores acham que os cães domesticados poderiam ter ajudado aos neandertais na caça.

Conclusões da investigação

Husky Siberiano

Os resultados destas investigações científicas proporcionam uma evidência direta da existência de um período muito mais antigo para se determinar a linhagem dos cães e lobos e, portanto, isso sugere que os cães poderiam ter sua origem muito antes do período comumente aceito.

O relatório sustenta que tal divergência de tempo coincide com várias investigações paleontológicas de canídeos de até 36.000 anos. 

Também existem indícios que poderiam apoiar a teoria de que os cães domesticados tenham acompanhado os primeiros colonizadores da América.

No entanto, a investigação revela que a divergência inicial entre os ancestrais dos cães e os lobos cinzas não necessariamente tenham que coincidir com a domesticação, no sentido da cria seletiva, já que este processo humano poderia ter ocorrido depois ou durante um período mais prolongado de tempo.

O relatório também diz que a ascendência das atuais raças de cães se deve a vários eventos ou fatores de domesticação e, no caso de raças como o Husky siberiano e do cão da Groenlândia, pode rastrear parte de sua ascendência no lobo Taimyr, cuja linhagem atualmente se encontra extinta.