Os perigos de libertar animais exóticos na natureza

Às vezes, comprar um animal exótico pode parecer uma boa idéia no início. Um pequeno sapo, um pássaro tropical, um peixe raro ou cobra, qualquer um deles pode parecer um animal de estimação ideal que surpreenderá (ou aterrorizará) amigos e familiares.

Mas sustentar um animal exótico pode ser difícil, além de caro, por isso, muitas pessoas optam por se livrar deles pouco tempo depois de adquiri-los.

No entanto, libertar animais exóticos na natureza pode ser muito perigoso, vamos explicar por quê.

Isso pode ser imprudente, tanto para o animal como para o ambiente em que irá soltá-lo. Porque, em primeiro lugar, se o animal foi obtido quando pequeno, em uma idade muito precoce, não terá habilidades suficientes para se proteger de predadores ou para encontrar seu próprio alimento.

E, da mesma forma, será difícil se adaptar às mudanças climáticas, especialmente se o animal for originário de local com um clima diferente do qual escolheu liberá-lo ou se é de origem de países onde não tem as mesmas estações climáticas.

O segundo fator tem a ver com o ambiente e está relacionado com as diversas maneiras em que a inclusão de um animal forasteiro pode afetar a fauna e a flora local. Vejamos este ponto com mais atenção.

Alimentação

Um dos elementos mais prejudiciais tem a ver com a alimentação dos animais. Porque, não encontrando suas fontes de alimentos normais, terão que substituí-los por outros alimentos, gerando um processo de destruição que pode afetar seriamente os delicados ecossistemas locais.

A inclusão de espécies estranhas tem conduzido ao desaparecimento de muitos animais e plantas de seus ambientes naturais, porque estes não possuem mecanismos de defesa contra organismos estranhos, de modo que tornam-se vítimas fáceis.

Falta de predadores e reprodução

Consequências de soltar animais exóticos

Outro elemento a considerar é a falta de predadores nos novos ambientes. Normalmente, a presença destes ajuda a controlar as populações de animais, que de outra forma acabam se tornando pragas; afetando o equilíbrio dos novos ambientes, devido ao sucesso reprodutivo e sem ter quem o elimine, crescem descontroladamente.

Dessa maneira, geram situações em que podem destruir não só a fauna local, mas os cultivos também. A maneira de controlar esse tipo de cenário é através do sacrifício de milhares de espécies, que acabam sendo vítimas inocentes da ação irresponsável das pessoas que os tomam como animais de estimação.

Bactérias e microrganismos

Assim como os humanos, os animais trasportam, seja em suas peles, penas ou pele; ou dentro de seus sistemas, uma grande quantidade de microrganismos que não são prejudiciais a eles.

No entanto, a inclusão em um outro ambiente pode causar doenças graves para os animais que não possuem uma defesa imunológica contra estes organismos.

Isso pode ser extremamente prejudicial, especialmente quando ocorre com animais que são a base da cadeia alimentar, uma vez que pode gerar um massivo desaparecimento de um ecossistema e a doença pode propagar de maneira descontrolada.

Mutações

Mutações em animais

Outras das consequências prejudiciais, tanto para as espécies, como para o ecossistema, é que podem surgir graves alterações no comportamento dos animais introduzidos, especialmente alterações relacionadas aos seus hábitos alimentares.

Isso está muito ligado com o que se refere a alimentação, mas as mutações podem também ocorrer no sistema de adaptação da espécie.

Por exemplo, há algum tempo ficou conhecido um caso em que uma espécie de cachamas (da família das piranhas, que se alimentam apenas de frutas), que foram colocadas em um rio, com o objetivo de que estas se misturassem com as piranhas locais e aumentassem sua população, que estava à beira da extinção devido à pesca indiscriminada.

No entanto, a alimentação das cachamas dependiam das frutas que caiam no rio.

O rio no qual foram introduzidas não possui a quantidade ou variedade suficiente de árvores frutíferas para fornecer-lhes comida, então eles mudaram sua dieta e acabaram predando/ se alimentando, não só de piranhas locais (com as quais deveriam se reproduzir), mas também de todos os peixes e animais pequenos que viviam no rio.

A situação chegou a tal ponto em que começaram a registrar ataques a aves, gados e inclusive humanos.

Então, tiveram que iniciar um processo caro e grande para retirarem a espécie intrusa, que tinha conseguido triplicar sua população, mas isso foi às custas de quase toda a fauna local.