Como identificar a dor nos gatos?

Identificar a dor nos gatos é uma tarefa complexa, pois esses animais estão evolutivamente preparados para nunca se mostrarem vulneráveis.
Como identificar a dor nos gatos?

Última atualização: 12 Junho, 2021

Saber reconhecer a dor nos gatos é essencial, não só para evitar o sofrimento, mas para fortalecer o vínculo entre tutor e felino. No entanto, aprender a reconhecer os sinais não é algo totalmente intuitivo: requer tempo e conhecimento.

Neste artigo, você poderá aprender todos os fundamentos relacionados à dor nesses mamíferos. Desde a própria definição até os diferentes comportamentos que a indicam, você encontrará as ferramentas necessárias para evitar a dor no seu gato de forma definitiva.

O que é a dor nos gatos?

Vamos começar definindo o processo em questão. A dor é definida como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano real ou potencial ao tecido. É um mecanismo de proteção que envolve mudanças fisiológicas e comportamentais.

Tipos de dor

A dor pode ser classificada em 2 categorias de acordo com sua duração, independentemente de ser em gatos ou em qualquer outro animal. São as seguintes:

  • Dor aguda: é aquela que surge após uma lesão ou doença e desaparece com a recuperação. Essa dor é considerada adaptativa, pois regula o comportamento para evitar que os danos piorem durante a recuperação.

 

Um gato no veterinário fazendo alguns exames.

Sinais de dor nos gatos

À primeira vista, os gatos parecem animais resistentes, pois eles tendem a esconder os sintomas de alguma doença e de dor, a fim de evitar parecerem fracos aos competidores. Alguns dos sinais clínicos desse desconforto são fáceis de identificar, mas outros não, e você precisa saber o que observar. A seguir, apresentamos os mais comuns.

Sinais posturais e de movimento

Quando o gato sofre uma lesão nas articulações, nos músculos e em outras estruturas que permitem a movimentação, a dor pode ser identificada por meio da postura, principalmente. Mesmo a ausência de atividade e movimento pode ser um sinal de dor física. Alguns dos movimentos e das posturas antálgicas que você pode notar nos felinos são os seguintes:

  • Postura curvada, com as costas arqueadas na maior parte do tempo.
  • Claudicação e/ou patas que não são apoiadas no chão.
  • Alongamento das patas dianteiras, como se o gato estivesse se espreguiçando continuamente.
  • Inatividade geral.

Por outro lado, quando se trata de dores viscerais, é possível pode notar que o felino se enrola – assim como os humanos nos encolhemos quando sentimos dores abdominais – ou que se estica para apoiar sua barriga em uma superfície. Esse sinal comportamental geralmente é acompanhado por vômitos ou diarreias.

Mudanças nos excrementos

A dor nos gatos também pode se manifestar na maneira como eles urinam e defecam. Em geral, você vai notar que o gato não usa a caixa de areia – talvez o animal não consiga acessá-la devido à dor – ou marca determinados lugares com urina, o que normalmente não faria.

Quando se trata de distúrbios digestivos ou renais, o gato pode associar a dor a defecar ou urinar na caixa de areia, por isso deixará de usá-la.

Alterações no caráter

Como qualquer outro animal, os gatos percebem que a dor os deixa de mau humor. Isso resulta em vários comportamentos, como os seguintes:

  • Episódios agressivos, arranhões ou mordidas fora de lugar.
  • Ausência de interação com outros animais ou com o tutor.
  • Falta de cuidado com a higiene, pois a pelagem fica desgrenhada e suja.
  • Ausência de marcas faciais.
  • Anorexia ou diminuição da ingestão de alimentos.
  • Salivação excessiva
  • Vocalizações frequentes.

Ferramentas para identificar a dor nos gatos

Identificar adequadamente todos esses sinais não é uma tarefa fácil, mesmo sabendo de sua existência. A linguagem corporal é o ponto-chave para detectar a dor nos gatos, mas requer tempo com o indivíduo para aprender como cada um a manifesta.

Ao levar o animal ao veterinário, o profissional terá outras ferramentas para avaliar o desconforto do felino. As escalas de medição utilizadas pelos profissionais, no entanto, avaliam a intensidade da dor por meio da análise do comportamento do felino. As 3 escalas mais representativas são estas:

  • Escala UNESP – Botucatu: possui 10 variáveis diferentes que devem ser analisadas: postura, conforto, atividade, atitude, reação à palpação da ferida e do abdômen, pressão arterial, apetite, vocalização e outros.
  • Escala de dor de Glasgow para gatos: possui 7 variáveis relacionadas a comportamentos espontâneos e evocados, interações com o animal e observações clínicas.
  • Escala Grimace: avalia a dor em gatos através da posição das orelhas, orientação dos olhos, tensão no focinho, bigodes e posição da cabeça.

Embora essas escalas tenham sido criadas e avaliadas de forma científica, os resultados dependem em grande parte de uma anamnese correta. Isso, por sua vez, aumenta a responsabilidade do tutor na análise do comportamento de seu felino, uma vez que precisa responder da maneira mais adequada às dúvidas do veterinário.

 

Como identificar a dor nos gatos?

Ver um ser amado sofrer não é agradável para ninguém. Conhecer esses sinais e saber reconhecê-los facilmente será de grande ajuda para minimizar o desconforto do seu animal de estimação e, claro, para detectar precocemente situações que podem se agravar.

Pode interessar a você...
5 sinais de que um cachorro está prestes a morrer
Meus AnimaisLeia em Meus Animais
5 sinais de que um cachorro está prestes a morrer

O processo de luto fica mais fácil quando sabemos a gravidade da situação. Conheça os sinais de que um cachorro está prestes a morrer.



  • Bueno, R. Á. (2020). Etología felina: Guía básica sobre el comportamiento del gato. veterinaria.
  • Merola, I. (2016, 24 febrero). Behavioural Signs of Pain in Cats: An Expert Consensus. Plos One. https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371%2Fjournal.pone.0150040
  • Adrian D, Papich M, Baynes R, Murrell J, Lascelles BDX. Chronic maladaptive pain in cats: A review of current and future drug treatment options. Vet J. 2017 Dec;230:52-61. doi: 10.1016/j.tvjl.2017.08.006. Epub 2017 Aug 20. PMID: 28887012.