Um pastor alemão testou positivo para o coronavírus?

maio 20, 2020
Primeiro um lulu-da-pomerânia e agora um pastor alemão. O que está acontecendo com esses cães que testaram positivo para o coronavírus? Devemos nos preocupar com os nossos animais de estimação?

Desde que a pandemia chegou e colocou a população mundial em xeque, houve vários eventos significativos, alguns mais midiáticos do que outros. Recentemente, teve início uma batalha judicial contra o coronavírus depois que um pastor alemão da cidade de Hong Kong testou positivo para a doença.

Um pastor alemão de Hong Kong dispara o sinal de alerta

Para entender um pouco melhor o que aconteceu, precisamos detalhar as informações fornecidas pelo South China Morning Post:

  • O pastor alemão tem dois anos e é o animal de estimação de uma mulher de 30 anos, moradora da área de Pok Fu Lam, infectada recentemente com o coronavírus.
  • A preocupação foi desencadeada quando, após o teste, constatou-se que havia restos do vírus no focinho do animal.
  • No entanto, o animal era assintomático. 
Pastor alemão sendo examinado

  • De acordo com o professor Malik Peiris, um virologista especializado em saúde pública da Universidade de Hong Kong, é provável que tanto o pastor alemão quanto o lulu-da-pomerânia que testaram positivo para o coronavírus tenham sido infectados pelos seres humanos.
  • Por outro lado, o virologista indica que o fato de um animal estar infectado não significa que ele tem a doença ou apresenta sintomas.
  • O que aconteceu desde então com os cães que testaram positivo para o coronavírus? Eles foram colocados em quarentena, onde permanecem em observação.

Os animais de estimação podem pegar o coronavírus?

Devido ao medo e aos boatos desencadeados por esse tipo de notícia, o abandono de animais de estimação aumentou dramaticamente. Por esse motivo, as autoridades insistem na importância de consultar fontes oficiais e confiáveis, além de colocar em prática uma medida muito simples: em caso de dúvida, consulte o seu veterinário de confiança.

Além disso, é altamente recomendável apelar para o bom senso e a responsabilidade, pois eles são essenciais para evitar medidas drásticas e acabar prejudicando os animais, especialmente em momentos como este.

Os especialistas da Organização Veterinária Colegiada Espanhola (OCV) esclarecem que, no momento, não há evidências científicas para indicar que animais de estimação possam sofrer ou ser uma fonte de infecção do COVID-19.

É importante notar que existem muitas doenças típicas dos animais que, pelo nome, estão ligadas ao coronavírus, mas não se trata da mesma pandemia que está afetando a humanidade.

Um exemplo de doenças semelhantes em animais de estimação é o conhecido coronavírus felino, que afeta exclusivamente os gatos. Isso significa que eles não podem transmiti-lo para as pessoas.

Por outro lado, os cães podem sofrer com o coronavírus canino, que, assim como o coronavírus felino, é uma doença que afeta apenas os cães.

Portanto, os animais de estimação podem se infectar com o COVID-19 e transmiti-lo aos seres humanos? Não. Não há evidências científicas para afirmar isso.

Também não há evidências de que cães e gatos possam infectar seres humanos com as suas variedades do vírus. Não há casos conhecidos em todo o mundo, e a propagação ilimitada do vírus deve ser considerada.

O bom trabalho dos veterinários e divulgadores

Cachorro no veterinário

Os veterinários não ficaram para trás quando se trata de contribuir com seus conhecimentos nessa pandemia. Muitos estão prestando seus serviços para garantir a cadeia produtiva, a segurança alimentar e o bem-estar de todos os animais, conforme indicado pelo presidente da OCV.

Por outro lado, os divulgadores científicos e todos os profissionais da área de biologia (e outros ramos da ciência) têm contribuído muito para informar a população com responsabilidade, para evitar o abandono de animais de estimação e as más práticas quando se trata de cuidar deles ou limpá-los depois de uma caminhada na rua.

Além da sua especialidade, a mensagem básica de todos os profissionais é: sanidade e tranquilidade. Você não precisa sucumbir a mitos e entrar em pânico. Lembre-se de que, se tiver alguma dúvida, sempre poderá consultar o seu veterinário de confiança por telefone.

  • Gabriela Puente. Facultad de Ciencias Veterinarias. 2018. Infección por coronavirus felino. Extraído de: https://www.ridaa.unicen.edu.ar/xmlui/bitstream/handle/123456789/1699/Puente%2C%20Gabriela.pdf?sequence=1&isAllowed=y
  • Mª del Mar Martín Calvo. Universidad Complutense de Madrid. Coronavirus canino. Extraído de: https://eprints.ucm.es/3206/1/T18331.pdf