Terapia com cães abandonados para presidiários

· maio 8, 2017

A utilização de cães para ajudar pessoas com diversos tipos de problemas físicos ou emocionais é uma realidade cada vez mais presente. Neste artigo, vamos falar sobre a terapia com cães abandonados que está sendo realizada com presidiários de uma cadeia em Pontevedra, no noroeste da Espanha. Essa terapia tem como objetivo a reinserção de presos na sociedade.

Em busca da integração social de jovens encarcerados

Os membros da Fundação Érguete, com sede principal na cidade de Vigo, na Espanha, são os responsáveis por levarem adiante o chamado programa Itínere. O objetivo é conseguir a incorporação, tanto social como profissional, de pessoas que estão sendo privadas de liberdade ou que estão em processo de saída do sistema carcerário.

No Centro Penitenciário de A Lama, a fundação está trabalhando com um grupo de jovens que não passam da faixa dos 25 anos. São jovens que, em sua maioria, foram presos por:

  • Pequenos furtos
  • Brigas
  • Tráfico de drogas em pequena escala
  • Conduzir embriagado ou sem habilitação em várias ocasiões

Além disso, a maioria desses jovens não chegou a concluir o Ensino Fundamental e nunca chegou a ter um emprego.

Saiba mais sobre o trabalho de uma fundação que, junto com um abrigo de animais, oferece apoio a jovens presos através da terapia com cães abandonados.

Um programa de assistência para jovens detidos baseado na terapia com cães abandonados

Para poder interagir com os jovens presos, a fundação percebeu que a solução ideal seria a inclusão de cães. Mas, nesse caso, eles acharam importante que não fossem usados somente cães treinados para esses tipo de tarefa.

Por isso, eles recorreram ao Abrigo de Animais de Cambados. O apoio do abrigo foi importante no desenvolvimento de uma terapia com cães abandonados para os jovens que estão cumprindo pena por algum crime em A Lama

Sendo assim, a tarefa de formar e ensinar valores aos jovens encarcerados se baseia principalmente na interação que essas pessoas terão com os animaizinhos.

Os cães como forma de ensinar valores e respeito

“Se não somos capazes de ajudar um garoto de vinte anos, não seremos capazes de ajudar um homem de cinquenta”, afirma María Rodríguez Lago, a responsável pelo programa Itínere.

Ela também explicou que, entre os perfis dessa geração com menos de 25 anos que estão na prisão, encontram-se jovens que não foram educados de maneira responsável por seus progenitores. Mas também há filhos de pessoas com problemas de vícios. E, além disso, há jovens que não conseguiram se adaptar em seus lares adotivos.

Através da terapia com cães abandonados, busca-se educar os jovens com “valores e respeito”, aponta a profissional. Por esse motivo, eles escolheram trabalhar com cães do abrigo.

A importância de trabalhar com animais que foram recolhidos na rua

Os cães escolhidos são animais que foram abandonados e que, em muitos casos, sofreram diversos tipos de maus-tratosE, apesar de alguns dos bichinhos que participaram do programa terem recebido algum tipo de treinamento em terapia canina, grande parte dos cães foram recentemente recolhidos das ruas.

Dessa forma, objetiva-se que os jovens trabalhem com o animal de rua. Mas de que forma? Procurando ganhar a confiança do bichinho com base no respeito pelo cão. Ensinando as coisas sem gritar e sem violência.

Assim, eles vão conseguindo que os garotos aprendam também a ter paciência. E, também ensinam que eles podem dar e receber carinho a partir da sua interação com os cães. O objetivo final é que eles consigam diminuir a sua impulsividade e, dessa forma, evitar a reincidência dos delitos.

Um abrigo que oferece diversos tipos de terapia com animais que foram recolhidos nas ruas

Por outro lado, o abrigo de Cambados vem há quase uma década se dedicando a terapias assistidas com animais abandonados. Eles afirmaram que, para esse tipo de atividade, não é preciso adquirir nenhuma raça de cão específica. Além disso, apontaram que as suas instalações contavam com os cães indicados para encarar diversos tipos de ajuda. Como por exemplo:

  • Programas para mulheres que sofrem maus-tratos e para educação especial para crianças
  • Centros de acolhimento para menores
  • Prisões
  • Casas de repouso para idosos
  • Doentes com Alzheimer
  • Clínicas de reabilitação (para pessoas que sofreram acidentes ou com paralisia cerebral, esclerose múltipla, mal de Parkinson, etc)
  • Pessoas passando por longos períodos de convalescença
  • Creches
  • Colégios
  • Grupos sociais desfavorecidos