Ancilóstomos em cães: sintomas e tratamento

Os ancilóstomos são conhecidos como "vermes gancho" ou hookworms em inglês. Várias espécies podem se estabelecer no trato gastrointestinal dos cães.
Ancilóstomos em cães: sintomas e tratamento

Última atualização: 07 Julho, 2021

Os ancilóstomos são endoparasitas que se alimentam de seu hospedeiro, com o único propósito de se reproduzir e disseminar a doença. Esses organismos têm a capacidade de se ancorar na parede do intestino do hospedeiro, onde se alimentam e se reproduzem facilmente. Devido ao seu ciclo de vida, podem causar vários sintomas, que em alguns casos são letais para os cães.

A importância desse nematoide é a sua capacidade de infectar canídeos, entrando pela pele. Ao contrário de outros tipos de parasitas, os ancilóstomos não precisam entrar no hospedeiro pela boca para iniciar a infecção, podendo até migrar por vários órgãos antes de chegar ao intestino. Se você quiser saber mais sobre esse verme e como evitá-lo, continue lendo.

Ancilóstomos em cães?

Esse tipo de parasita é capazes de infectar uma grande variedade de animais carnívoros. Os ancilóstomos fazem parte do grupo dos helmintos, portanto sua morfologia é semelhante à de uma minhoca. Seu tamanho é pequeno, visto que mal chega a 13 milímetros de comprimento, mas tem grande capacidade reprodutiva e uma fêmea adulta produz até 20 000 ovos por dia.

A infecção por esses helmintos pode ocorrer em cães de qualquer idade. No entanto, sua letalidade é maior nos canídeos menores e naqueles que não recebem atenção médica adequada.

Clinicamente, essa doença é conhecida como ancilostomíase canina. É caracterizada por diarreias frequentes com vestígios de sangue, uma vez que os ancilóstomos rasgam a parede do intestino do cão para se alimentar do sangue circulante. O mecanismo patogênico é um pouco semelhante ao de algumas sanguessugas hematófagas, mas dentro do corpo.

Quando falamos sobre ancilóstomos, estamos na verdade nos referindo a uma ampla variedade de espécies, que estão incluídas no gênero Ancylostoma no âmbito taxonômico. Em cães, as espécies mais comuns são as seguintes:

  • Ancylostoma caninum , o mais comum.
  • A. braziliense.
  • A. ceylanicum.
  • A. stenocephala.
Um grupo de ancilóstomos.

 

Ciclo de vida de ancilóstomos em cães

Esse nematoide passa parte de sua vida na forma livre e outra como parasita adulto dentro do cão. Levando em consideração que os parasitas focam suas vidas em conseguir um hospedeiro e então se reproduzir, vamos nos concentrar logo após a reprodução. Nesse sentido, os ovos produzidos saem pelas fezes, atingindo o solo e iniciando seu ciclo.

Fase de vida livre

Uma vez que o ovo está no chão, leva aproximadamente 24 horas para eclodir e a primeira larva (estágio L1) emergir. Assim como outros invertebrados, para continuar crescendo, ela precisa comer e trocar de pele, por isso se alimenta da matéria orgânica disponível no solo. Com cada muda de exoesqueleto, as larvas atingem um novo estágio em seu ciclo de vida.

A larva passa por todas as suas fases em no máximo 22 dias, dependendo da temperatura e da disponibilidade de alimento. Esses nematoides preferem ambientes quentes, por isso crescem mais rápido nesses climas. A última larva de vida livre é o estágio 3 (L3), alcançado ao final da segunda muda. Quando chega a esse ponto, a larva já é capaz de infectar seu hospedeiro, nesse caso o cão.

Fase de vida parasitária

Para iniciar a invasão, esse parasita precisa entrar no corpo do cão. Para isso, possui 2 vias principais: pela boca ou pela pele. A maneira mais rápida e fácil de infectar caninos é por via oral, já que o patógeno simplesmente segue o sistema digestivo até o intestino e se estabelece ali.

No entanto, esse gênero de nematoides tem um “trunfo”, pois é capaz de furar a pele para entrar no hospedeiro. Isso significa que o simples fato de caminhar em uma área infestada por larvas L3 desse nematoide é mais do que suficiente para se infectar.

Se o parasita entrar na pele, segue uma via linfática, o que lhe permite chegar facilmente ao coração. Desse órgão, ele passa diretamente para os pulmões e, de lá, segue para a região da boca (traqueia-faringe). Nesse local, pela saliva e pela boca, é deglutido e segue o trajeto até o intestino. Esse processo leva de 2 a 7 dias, portanto os primeiros sintomas da infecção não são muito perceptíveis.

No final, a larva se estabelece no intestino por meio de ganchos que tem em sua boca. Aqui, ela começa a se alimentar do sangue do cachorro. Por fim, como já tem alimento, muda uma última vez para atingir a maturidade sexual. Dessa forma, consegue se acasalar e se reproduzir, produzindo os ovos que reiniciarão o ciclo.

Causas de ancilóstomos em cães

Como já mencionamos, esse parasita possui 2 vias principais de entrada, porém, não são as únicas. Em cães, existem casos clínicos que mostram que as mães grávidas também podem transmitir a ancilostomíase. Por causa disso, existem 4 vias principais de infecção em cães:

  • Cutânea (pele): contato de pele fina com larvas de nematoides.
  • Oral (boca): as larvas do parasita são ingeridas diretamente.
  • Placentária: mães grávidas podem infectar seus filhotes através da placenta do feto.
  • Amamentação: se a mãe for infectada durante o período de lactação, ela pode transmitir aos filhotes através do leite.

Dependendo da via de infecção, as larvas podem permanecer inativas, o que pode significar um atraso nos sintomas.

Sintomas de ancilostomíase canina

Os sintomas da infecção por ancilóstomos em cães são diversos. A gravidade dos sintomas aumenta ou diminui dependendo do número de vermes que infectam o hospedeiro. Os primeiros sinais de infecção geralmente estão relacionados à pele. Confira alguns:

  • Dermatite: irritação da pele devido à entrada do parasita.
  • Acantose: reação do sistema imunológico que provoca espessamento da pele.
  • Lacerações: pequenas feridas ao longo do corpo do cão.
  • Inchaço: semelhante ao que acontece com uma picada de mosquito. Consiste em uma inflamação superficial, causada pela entrada do nematoide.
  • Deformação das garras: o parasita pode causar deformação das garras ao entrar pela área das patas.

Deve-se levar em consideração que esses sintomas só ocorrem quando a larva entra pela pele. Se a infecção tiver ocorrido por via oral, os sintomas serão diretamente os de uma infecção avançada.

Larva no intestino

Uma vez que a larva já tiver atingido a região do intestino, podemos encontrar casos um pouco mais agressivos. Nessa fase, alguns dos sintomas são os seguintes:

  • Diarreia escura.
  • Perda de peso.
  • Anemia.
  • Pelo áspero ou seco.
  • Mucosas pálidas.
  • Fraqueza ou baixa atividade.
  • Enterite: inflamação do intestino, presença de fezes com ou sem sangue.

 

Um cachorro doente que está triste.

O quadro clínico decorre da perda de sangue, causada pela ação dos ancilóstomos no intestino dos cães. É por isso que a infecção em cachorros pode ser letal. Estima-se que cada ancilóstomo possa sugar até 0,1 mililitro de sangue por dia. Como a ancilostomíase geralmente ocorre com várias centenas de exemplares, pode levar a uma anemia grave e ser fatal.

Quanto aos cães adultos, essa condição não será tão evidente e muitas vezes pode passar despercebida. No entanto, não é aconselhável ignorar pequenas mudanças no comportamento do cão, pois a condição pode se complicar por infecções secundárias da doença.

Como diagnosticar ancilostomíase em cães?

Essa condição só pode ser diagnosticada por um profissional veterinário, uma vez que é necessária a realização de um exame coprológico, que serve para verificar se os ovos desse nematoide estão presentes nas fezes. Esse procedimento é o melhor teste para verificar se o cão está parasitado por ancilóstomos ou algum outro invertebrado.

É provável até que o veterinário peça exames de sangue complementares. Isso é feito com o único objetivo de verificar o estado de saúde do paciente, pois permite evidenciar a gravidade da anemia. Além disso, o hemograma facilita o descarte de qualquer outra condição ou infecção.

Tratamento

A primeira etapa geralmente contempla a correção do déficit nutricional do paciente. Isso implica tratar diretamente a anemia e a desidratação que essa patologia provoca. Dependendo do caso, pode ser necessário administrar suplementos ou até realizar transfusões de sangue. Somente o veterinário está qualificado para recomendar o melhor tratamento disponível.

Após a estabilização do paciente, o tratamento continua com anti-helmínticos, com o objetivo de eliminar completamente os ancilóstomos do intestino do cão. Além desse tratamento, o uso de antibióticos pode ser necessário para combater possíveis infecções bacterianas.

Os anti-helmínticos podem ser prescritos em doses únicas ou múltiplas. Isso dependerá inteiramente da gravidade do caso e da infecção por ancilóstomos. Além disso, cães que já tiveram ancilostomíase desenvolvem resistência, de modo que geralmente não precisam de um tratamento agressivo em exposições sucessivas ao patógeno.

Prevenção da ancilostomíase

A melhor recomendação é desparasitar seu animal regularmente. Os vermífugos contêm medicamentos que combatem uma ampla gama de parasitas. Dessa forma, você mantém a saúde do seu canídeo e evita várias consultas com o veterinário.

Além disso, lembre-se de prestar atenção especial aos filhotes e à mãe. Faça vermifugação em seu animal de estimação quando o veterinário indicar. Se você observar um comportamento estranho ou incomum, procure um profissional: ele é o único capacitado a dar a atenção que o seu animal de estimação necessita.

Meu cachorro tem ancilóstomos: posso me contaminar?

Sim, é possível se contaminar se o seu cão tiver ancilostomíase. Essa patologia pertence a um grupo de doenças denominadas zoonóticas. Isso significa que ele pode ser transmitida entre humanos e animais, por isso você deve ter muito cuidado.

Assim como acontece nos cães, as larvas desse nematoide podem entrar por via oral e cutânea. Em humanos, eles causam quase os mesmos sintomas que em cães: anemia, fraqueza do corpo, diarreia, etc. Além disso, esse helminto pode causar algo conhecido como larva migrans, que se refere à passagem do nematoide pela pele.

 

Um exemplo de ancilostomíase em gatos.
Para cães e humanos, a melhor defesa contra a ancilostomíase é sempre a prevenção. Para evitar surpresas no futuro, é melhor desparasitar você e sua família se o cachorro da casa apresentar esse quadro. Procure o médico ou veterinário quando necessário: cuide-se e cuide dos animais.

Pode interessar a você...
Como prevenir parasitas em cães e gatos?
Meus AnimaisLeia em Meus Animais
Como prevenir parasitas em cães e gatos?

Os parasitas podem ser internos ou externos. Portanto, neste artigo, vamos mostrar como evitar parasitas em cães e gatos.



  • Bowman, D. D., Montgomery, S. P., Zajac, A. M., Eberhard, M. L., & Kazacos, K. R. (2010). Hookworms of dogs and cats as agents of cutaneous larva migrans. Trends in parasitology, 26(4), 162-167.
  • Kalkofen, U. P. (1987). Hookworms of dogs and cats. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, 17(6), 1341-1354.
  • Gómez, A. P., Proy, H., Eljure, N., Dieguez, C. A., Rocher, C. C., & Bonifaz, A. (2013). Larva migrans cutánea relacionada con Ancylostomas. Dermatología Revista Mexicana, 57(6), 454-460.
  • Alfaro, M. (2011). Prevalencia de Ancylostoma caninum en Canis lupus familiaris en el área urbana y periurbana de la colonia Zacamil, del municipio de mejicanos, san salvador. Universidad de El Salvador, 1-63.
  • Yoshida, Y., Okamoto, K., & Chiu, J. K. (1968). Ancylostoma ceylanicum infection in dogs, cats, and man in Taiwan. The American journal of tropical medicine and hygiene, 17(3), 378-381.