Cardiomiopatia hipertrófica felina: sintomas e tratamento

A cardiomiopatia hipertrófica felina é uma doença que causa espessamento da parede ventricular esquerda, prejudicando a circulação. Saiba mais sobre ela aqui.
Cardiomiopatia hipertrófica felina: sintomas e tratamento

Última atualização: 23 dezembro, 2021

As doenças do aparelho circulatório são uma das que mais preocupam os tutores, pois costumam ser crônicas e comprometem a vida e o bem-estar do animal. De todas elas, a cardiomiopatia hipertrófica felina é a mais comum nesses animais.

Se você suspeita que seu gato pode ter um problema cardíaco ou simplesmente deseja saber mais sobre o problema em questão, neste artigo você encontrará tudo o que precisa saber sobre a cardiomiopatia hipertrófica. Não perca, pois conhecer essa doença é o primeiro passo para garantir a qualidade de vida do seu felino.

O que é a cardiomiopatia hipertrófica felina?

A cardiomiopatia hipertrófica felina ou CMHF é uma doença cardíaca na qual a parede muscular do ventrículo esquerdo se torna anormalmente espessa. Essa hipertrofia reduz a capacidade do ventrículo de armazenar sangue durante o batimento.

Essa doença é considerada hereditária e ocorre com maior incidência em raças como maine coon, ragdoll e persa.

Com esse estreitamento do ventrículo esquerdo, o coração não consegue fazer circular sangue suficiente por batimento. A longo prazo, essa condição causa hipertensão e tromboembolismo, entre outras doenças de natureza cardiovascular.

Você sabe o que é a cardiomiopatia hipertrófica felina?

CMHF e tromboembolismo

A complicação mais frequente e perigosa na cardiomiopatia hipertrófica felina são os tromboembolias acima mencionados. Um trombo é um coágulo sanguíneo que pode bloquear uma via circulatória, com consequências diferentes dependendo do lugar em que ficar preso. Este último é conhecido como embolia.

Um tromboembolismo é reconhecido por causar paralisia rígida, flacidez nos membros posteriores do animal ou, no pior dos casos, morte súbita.

Como na cardiomiopatia hipertrófica o fluxo sanguíneo é mais lento, o sangue tem tempo para coagular nos vasos sanguíneos e formar esses trombos. Um gato com CMHF pode sofrer um ou mais episódios de tromboembolismo ao longo da vida, o que aumenta as chances de sofrer um ataque cardíaco ou infarto  a longo prazo.

Causas da cardiomiopatia hipertrófica felina

Existem 2 tipos de CMHF dependendo da causa que a origina. A cardiomiopatia hipertrófica felina primária é aquela que surge devido à predisposição genética acima mencionada, enquanto a secundária é consequência de doenças já presentes nos felinos, como insuficiência renal crônica, hipertireoidismo ou estenose subaórtica.

Os genes MYBPC3 e MYH7 parecem estar envolvidos no desenvolvimento da condição.

Sintomas da doença

Os sintomas da cardiomiopatia hipertrófica felina variam dependendo do grau de avanço da doença. Inicialmente, quando a parede ventricular começa a engrossar, o gato fica assintomático ou talvez um pouco mais apático do que o normal. À medida que avança, outros sintomas aparecem. Destacamos o seguinte entre todos eles.

  • Falta de apetite (anorexia).
  • Letargia e inatividade.
  • Respiração mais rápida que o normal (taquipneia).
  • Dificuldade para respirar (dispneia).
  • Boca aberta para respirar.
  • Vômitos.
  • Arritmias ocasionais.
  • Pressão alta (hipertensão).
  • Tromboembolismo.

Diagnóstico da cardiomiopatia hipertrófica felina

O único teste diagnóstico para essa doença é a ecocardiografia, com a qual se observa diretamente a imagem do coração e da parede espessada. Os raios-X só detectam a doença quando ela está muito avançada, por isso não são úteis para um diagnóstico precoce.

O eletrocardiograma será útil para detectar possíveis arritmias, mas os batimentos cardíacos normais não são alterados por essa doença. Portanto, também não pode ser diagnosticada dessa forma.

Para que a cardiomiopatia hipertrófica felina tenha um bom prognóstico, ela deve ser detectada antes que ocorra um episódio de tromboembolismo. Além disso, se o gato sofrer dessa doença e ela não for detectada antes de o animal ser submetido a um procedimento invasivo (como uma cirurgia), as complicações que podem surgir são graves.

Tratamento

A cardiomiopatia hipertrófica felina não tem cura. Portanto, o tratamento dado ao gato é paliativo e visa manter uma ótima qualidade de vida do paciente pelo maior tempo possível.

Somente um veterinário está qualificado para estabelecer a combinação de medicamentos mais adequada para cada caso específico. Os medicamentos mais comuns prescritos para essa patologia são os seguintes:

  • Diuréticos: usados para reduzir o líquido no pulmão e no espaço pleural, que se acumula com a hipertensão. Pode ser necessário removê-los inserindo um cateter na parede torácica.
  • Medicamentos para apoiar a função cardíaca: os mais comuns são os inibidores da enzima de conversão da angiotensina, beta-bloqueadores e bloqueadores dos canais de cálcio. O objetivo é relaxar o músculo cardíaco, dilatar os vasos sanguíneos e reduzir a frequência cardíaca nas arritmias.
  • Ácido acetilsalicílico: administrado em doses muito baixas e controladas para reduzir o risco de tromboembolismo.
  • Amlodipina: reduz a pressão arterial nos casos em que a hipertensão é o principal problema do gato.
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Por último, o veterinário irá recomendar que você crie um ambiente livre de estresse para o seu felino. Cada susto ou período de ansiedade é uma nova oportunidade para o agravamento da doença.

Deve-se ter atenção à dieta alimentar (sempre com baixo teor de sal) e atentar para quaisquer sinais de tromboembolismo. Colabore com o veterinário em tudo que puder, pois essa doença é para toda a vida. Assim, uma existência cheia de carinho e tranquilidade para o seu gato dependerá dos seus cuidados.

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