Cintilografia em medicina veterinária

A cintilografia é uma técnica de diagnóstico de medicina nuclear que usa isótopos radioativos para reconhecer e acompanhar várias doenças. Este termo também designa a especialidade responsável pelo estudo e aplicação da referida metodologia. Nós contaremos mais a esse respeito logo abaixo:

Como funciona a cintilografia?

O paciente que deve realizar uma cintilografia, seja humano, cão ou gato, recebe uma dose controlada de isótopos reativos (radioisótopos). Estas substâncias podem ser administradas oralmente ou injetadas diretamente na corrente sanguínea por via intravenosa.

O tipo de isótopo utilizado depende do propósito do estudo e qual órgão pretende investigar. O iodo 131 é usado com albumina marcada para analisar o cérebro e, quando combinado com ouro coloidal 198, é usado para examinar o fígado, enquanto o cromo 51 é aplicado para se analisar o baço.

Essas substâncias se movem pela corrente sanguínea para chegar a certos órgãos. Então, uma máquina chamada de contador de cintilação cobre todo o contorno do corpo do paciente com sua câmera.

Este aparelho detecta os raios gama resultantes da reação dos isótopos reativos fornecidos ao paciente. A emissão desses raios resulta na liberação de partículas radioativas derivadas da decomposição espontânea de radioisótopos.

O computador conectado ao contador de cintilação transmite o comportamento dos isótopos em imagens e curvas de ação. Isso permite obter imagens de alta qualidade das estruturas internas do organismo, como tecidos e paredes de diferentes órgãos.

Aplicações da cintilografia em medicina veterinária

Em relação às suas aplicações, vale destacar que a técnica de cintilografia oferece informações morfológicas (na anatomia e na estrutura dos órgãos) e informações funcionais.

Além disso, ela permite reconhecer diferentes patologias rapidamente, o que permite um diagnóstico precoce e um melhor prognóstico para o paciente.  De fato, em doenças degenerativas, sua ação é determinante para a sobrevivência.

Graças à sua alta sensibilidade, a cintilografia é muito eficaz no diagnóstico de tumores benignos e malignos. Normalmente, é complementar a outras técnicas de imagem, como varreduras (MEV) e ultrassons.

Além da oncologia, esta técnica também é usada nas seguintes áreas médicas:

  • Gastrenterologia
  • Endocrinologia
  • Cardiorrespiratório
  • Neurologia
  • Nefrologia
  • Urologia

Cintilografia em oncologia veterinária

Na parte óssea, a cintilografia é utilizada para analisar e avaliar tumores do primeiro e segundo grau. É eficaz na detecção de lesões com origens ósseas e metástases de carcinomas mamários.

Quanto à sua aplicação na medula óssea, é efetivo reconhecer aplasias, hipoplasias, hiperplasias, bem como massas anômalas.

Também é eficiente diagnosticar a existência de tumores e lesões malignas em tecidos mamários e gânglios, além de reconhecer a existência de adenopatias tópicas.

Por outro lado, a modalidade chamada linfocintilografia é usada principalmente para localizar o linfonodo sentinela em casos de melanoma. Quando administrados isótopos do gálio 67, é dedicado a identificar abcessos não visíveis e distúrbios imunes em pacientes com linfoma.

Cintilografia em endocrinologia veterinária

Na endocrinologia veterinária, o principal uso da cintilografia está associado ao diagnóstico de câncer de tireoide. Esta técnica permite avaliar a morfologia da glândula e detectar distúrbios na estrutura e no funcionamento da mesma.

Também é eficaz no reconhecimento da presença de nódulos malignos, hiperplasia, hipotireoidismo congênito e doença nodular.

Assim, o paciente deve parar a medicação diária de levotiroxina ou metilmercaptoimidazol de modo a não interferir com a qualidade do estudo.

Finalmente, a cintilografia endócrina também investiga a área pancreática e é capaz de indicar hiperplasias, neoplasias e insulinomas.

Cintilografia em gastrenterologia veterinária

É utilizado para detecção em células salivares, hepatobiliares e transcolônicas. Sua sensibilidade permite diagnosticar as seguintes condições:

  • Análise de inflamações e sialolitíase (região salivar).
  • Verificar a função da vesícula biliar, os hepatócitos e as vias excitantes do fígado, principalmente em pacientes diagnosticados com colecistite e doenças hepáticas.
  • Perceber e quantificar o fracionamento do shunt portossistêmico na região do cólon.

Cintilografia cardiorrespiratória

  • Diagnósticos pulmonares: detecção e monitoramento de tromboembolismo pulmonar (PTE), bem como a verificação da pressão pulmonar e a presença de shunt em casos de cardiopatia congênita.
  • Análise miocárdica: identifica a perfusão de diferentes áreas do miocárdio, doenças cardíacas e arritmias, e também diferencia coágulos de massas anômalas.
  • Angiografia: verifica o fluxo de circulação sanguínea e identifica a localização dos tromboembolismos, bem como a função renal.

A cintilografia também permite investigar e reconhecer tumores e infecções no encéfalo, portanto, ela é muito valorizada como uma ferramenta essencial na neurologia veterinária.

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