Comunicação entre pássaros de espécies diferentes

março 20, 2019
Um estudo da Universidade Nacional da Austrália revela que há uma ave que entende diferentes espécies de forma semelhante à forma como os humanos entendem outras línguas.

Muitas pessoas se perguntam se um pássaro entende outras aves de espécies diferentes da sua. Entretanto, isso ainda não havia sido totalmente estudado.

Felizmente, acaba de ser comprovada a hipótese da comunicação entre pássaros de espécies diferentes. Isso tudo graças a uma espécie chamada Malurus cyaneus, conhecida popularmente como carriça-fada.

Comunicação entre pássaros: carriça-fada

A carriça-fada é um pequeno pássaro que vive no sudeste da Austrália e na Tasmânia. Recentemente, foi demonstrado como esta espécie é capaz de compreender os chamados de alerta de outras aves na área. Essa foi uma importante descoberta para demonstrar a comunicação entre pássaros.

Esta ave é sedentária, bastante territorial e tem um dimorfismo sexual muito marcante. Afinal, os machos têm tons fortes de azul e preto, enquanto as fêmeas são marrons. Na verdade, elas lembram pássaros como o rouxinol.

Aparentemente, esta ave é capaz de entender outras aves, além de ter outros comportamentos peculiares. Por exemplo, embora sejam monogâmicas e formem pares, são aves promíscuas. Quer dizer, elas se reproduzem com outras aves que não são suas parceiras.

Na verdade, a carriça-fada não é apenas um pássaro que se reproduz fora de seu relacionamento estável. Na verdade, ela também cuida da prole que foi gerada fora do casal.

Pássaros de espécies diferentes

Esta ave entende outras aves

Esta ave entende os alarmes de outras aves, mesmo quando elas estão fora de seu campo de visão. Ou seja, a carriça-fada entende o que está acontecendo mesmo sem ver o predador.

Então, isso significa que elas são capazes de entender os significados das mensagens que escutam.

O estudo, publicado pela Universidade Nacional da Austrália, mostra que esta ave entende outras aves de forma semelhante à forma como entendemos as línguas estrangeiras.

Segundo os autores do trabalho, esse é um aprendizado social que faz com que o pássaro entenda outras aves sem experiência direta. Ou seja, apenas ouvindo os alarmes e sem ver o que está acontecendo.

Isto é importante, pois outros estudos anteriores mostraram esse mesmo comportamento. Entretanto, as aves faziam a relação entre a experiência observada no ambiente e os sons ao verem o predador como causa do alarme.

Inclusive, já era sabido que os pássaros podem se comunicar com os humanos, graças aos pássaros que ajudam a procurar mel.

Passarinho com detalhes em azul

Em resumo, essa estratégia é adotada por muitos outros seres vivos. Afinal, aprender com os outros é mais simples do que aprender com a experiência direta e, acima de tudo, menos arriscado. Especialmente quando essa experiência é enfrentar um predador.

Para provar isso, foi projetada a seguinte experiência: espécimes de carriça-fada foram treinados na ausência de qualquer predador, através de gravações. Então, foi possível verificar a natureza da aprendizagem dessas aves em liberdade.

Para que serve esse comportamento?

Essas descobertas são mais interessantes do que pode parecer. Afinal, muitas aves em extinção são criadas em cativeiro e, depois, soltas na natureza.

Um dos principais problemas dessas aves é que, quando são liberadas no meio ambiente, não reconhecem predadores como as aves de rapinas. Sendo assim, quando essas aves chegam, os pássaros menores não fogem e são capturados.

Entender os alarmes de outras aves permitiria que os pássaros criados em cativeiro pudessem fugir. Ou seja, aumentaria as chances de sobrevivência dessas aves quando reintegradas na natureza.

Na Espanha, aves como o gaio-comum ou os corvos são especialistas em dar alarmes para o resto das aves sobre a presença de predadores.

Ironicamente, os corvos são uma das aves que atacam a pequena carriça-fada, junto com as raposas, gatos e ratos pretos, que na Austrália são espécies exóticas invasoras.

Por isso,  espécies de todo o mundo poderiam se beneficiar desse tipo de aprendizado, que poderia estar presente em outras espécies animais.