Emergências do trato urinário comuns em pequenos animais

Algumas das emergências mais comuns pelas quais cães e gatos são levados ao veterinário estão relacionadas com problemas urinários.
Emergências do trato urinário comuns em pequenos animais

Última atualização: 19 Janeiro, 2021

As emergências do trato urinário podem afetar tanto os rins quanto as vias urinárias. Para diagnosticar uma disfunção desses órgãos, é necessário um histórico completo, um exame físico e diversos exames laboratoriais. Até mesmo um diagnóstico por imagem pode ser útil para analisar certas lesões.

As perguntas prévias ao tutor, mais uma vez, são essenciais. Elas devem incluir desde o comportamento e a frequência das micções até o volume e a cor da urina, passando pelo consumo de água e medicamentos, sem esquecer as condições anteriores que podem envolver o aparelho urinário.

Abordagem das emergências do trato urinário em pequenos animais

Durante o exame físico do animal supostamente doente, os seguintes parâmetros devem ser avaliados:

  • Temperatura corporal.
  • Estado de hidratação.
  • Cor das mucosas e tempo de enchimento capilar.
  • Frequência cardíaca e respiratória, o pulso.
  • Palpação abdominal dos órgãos, de possíveis massas anormais, da presença de líquido ou de dor.
  • Estado da genitália externa.

Uma vez que essas variáveis tiverem sido verificadas, o veterinário estará pronto para começar a suspeitar de uma patologia subjacente. A seguir, vamos mostrar as emergências do trato urinário mais comuns em pequenos animais.

Emergências do trato urinário

A azotemia

A azotemia é definida como uma concentração anormal de ureia, creatinina e outras substâncias residuais nitrogenadas no sangue. Tanto a ureia quanto a creatinina podem aumentar na circulação por causa de uma falha na sua eliminação através do trato urinário.

Por outro lado, um nível elevado de ureia também pode ocorrer devido ao aumento da sua produção no fígado por causa de uma hemorragia gastrointestinal. Da mesma forma, a ureia no sangue pode aumentar após uma refeição excessivamente proteica, e também em caso de fome, febre ou desidratação.

Conforme podemos observar, a azotemia pode ser transitória e, portanto, nem sempre implica em doença ou insuficiência renal.

O que é a uremia?

Esse termo é usado quando a azotemia está associada a distúrbios metabólicos e/ou fisiológicos. Alguns deles podem ser depressão, anorexia, náuseas e vômitos, diarreia, desidratação, estupor ou coma.

Esses sinais aparecem por causa da síndrome tóxica que surge como resultado do aumento sustentado da ureia no sangue, causado por uma anormalidade na função renal. Para que ocorra a uremia, a função de ambos os rins deve ser reduzida em pelo menos 75%. A uremia pode ocorrer tanto em animais com insuficiência renal quanto em animais com distúrbios das vias urinárias.

Avaliação do paciente com azotemia/uremia

Os exames diagnósticos são principalmente laboratoriais. É necessário avaliar, no sangue, a creatinina e a ureia, a glicose, os eletrólitos e as proteínas totais. Na urina, é preciso prestar atenção aos valores de sedimentos, proteínas e glicose, bem como fazer uma cultura em busca de microrganismos.

Pode ser interessante realizar radiografias abdominais e pélvicas, uma ultrassonografia abdominal e estudos de contraste no animal.

Avaliação da produção de urina

Esse é um dos instrumentos mais importantes para o monitoramento imediato da função renal em pacientes críticos. A produção normal de urina pode ficar reduzida em animais desidratados e aumentada em animais hospitalizados e com acesso venoso.

Em todas as situações de emergência, deve ser avaliado o volume de urina dentro da bexiga. Além disso, sempre que possível, é preciso que uma amostra de urina seja analisada antes de iniciar a terapia.

Algumas das emergências do trato urinário mais comuns em cães e gatos: oligúria e anúria

Esses termos significam, respectivamente, redução da micção e ausência de micção. Em ambos os casos, a causa precisa ser definida, já que a urina pode não estar sendo produzida em quantidades normais. No entanto, a urina também pode estar sendo produzida normalmente e ainda assim não conseguir ser expelida.

A anúria prolongada é um grande problema, uma vez que todo animal precisa eliminar os resíduos através da urina e, quando isso não pode ser feito, há distúrbios graves. Bradicardia, hipotermia, palidez das mucosas, hiperventilação e halitose são sinais típicos nesses casos.

Esses sinais indicam graves distúrbios metabólicos e eletrolíticos resultantes do acúmulo de substâncias residuais no organismo.

Outros problemas urgentes: vazamento de urina por causa de uma lesão no trato urinário

A lesão pode ocorrer no rim, na bexiga ou nas vias urinárias e geralmente é causada por um traumatismo. O problema de uma lesão renal é que isso pode causar uma hemorragia ou a liberação de urina na cavidade abdominal. Infelizmente, isso pode levar à peritonite.

A obstrução das vias urinárias – por exemplo, por causa de cálculos renais – também pode ter consequências semelhantes. Se um rim ou ureter estiver envolvido, o outro par pode funcionar adequadamente, mascarando assim o problema. No entanto, se houver vazamento de urina para a cavidade abdominal, o dano se tornará evidente.

A ruptura da bexiga ou da uretra pode ser causada por traumatismos contundentes, tumores, cálculos, etc. Essa condição pode até mesmo ser desencadeada pela prática veterinária inadequada durante uma tentativa de desobstruir as vias urinárias bloqueadas.

Emergências do trato urinário

Assim, como podemos ver, as emergências do trato urinário podem se apresentar de múltiplas formas e com quadros clínicos variados. Por isso, se você suspeitar de qualquer desconforto por parte do seu cachorro ou qualquer outro mamífero doméstico, leve-o ao veterinário imediatamente.

Pode interessar a você...
Emergências respiratórias: dispneia em animais de estimação
Mis AnimalesLeerlo en Mis Animales
Emergências respiratórias: dispneia em animais de estimação

A dispneia é uma dificuldade respiratória que envolve falta de ar, resultando em desconforto causado pela respiração deficiente.



  • King L, Boag A. BSAVA manual of canine and feline emergency and critical care. 2nd ed.