Por que os cães são mais propensos a ter diabetes?

05 Janeiro, 2021
De cada cinco cães, um tem diabetes. Fatores intrínsecos, como raça e idade, e fatores extrínsecos, como hábitos alimentares inadequados e obesidade, podem determinar as possibilidades de desenvolver essa doença.

Você já se perguntou qual é o motivo da predisposição dos cães para a diabetes? Nas últimas décadas, o número de cães diabéticos aumentou em todo o mundo. Neste artigo, você entenderá quais são alguns dos fatores de risco que tornam os cães mais propensos a ter diabetes.

O que é a diabetes?

É importante saber que a glicose no sangue é a principal fonte de energia do corpo. É um açúcar que vem da ingestão de alimentos.

Por outro lado, a insulina – um hormônio produzido pelo pâncreas – ajuda a glicose dos alimentos a entrar nas células para ser usada como energia.

A diabetes é uma doença que ocorre quando a glicose no sangue está muito alta. Esse nível anormalmente alto pode ter duas causas. Em um caso, o corpo não produz nada ou não produz insulina suficiente, o que foi denominado de diabetes tipo 1. No outro, as células do corpo não usam bem a insulina, que se conhece como diabetes tipo 2. Em ambos os casos, a glicose permanece no sangue e não é processada nas células.

A diabetes tipo 1 afeta praticamente todos os cães com a doença. As cadelas também podem desenvolver diabetes gestacional durante a gravidez. Por outro lado, não há evidências de que a diabetes tipo 2 – comum em humanos – ocorra em cães.

Como a diabetes é tratada?

Com o tempo, o excesso de glicose no sangue pode causar problemas de saúde. Embora não haja cura para a diabetes, é possível tomar medidas para controlar a doença e manter seu cão saudável.

A administração constante de insulina é necessária para salvar a vida de cães que desenvolvem diabetes tipo 1.

Como é tratada?

Por que os cães são mais propensos a ter diabetes? Um problema pouco estudado

Os estudos sobre a diabetes em cães são escassos e geralmente limitados aos estágios avançados da doença. Assim, a progressão de um corpo saudável para uma deficiência absoluta de insulina não foi estudada em cães.

No momento, nenhum teste de laboratório está disponível para identificar a causa subjacente da diabetes em cães. Além disso, o aparecimento dos sinais clínicos costuma ser insidioso em um período que pode variar de semanas a meses.

No entanto, os fatores epidemiológicos da diabetes canina são muito semelhantes aos de pacientes humanos com diabetes tipo 1.

Na diabetes canina, foi demonstrado que pelo menos 80% dos casos apresentam anticorpos no sangue contra as células β do pâncreas, as células responsáveis ​​pela produção de insulina. Esses anticorpos fazem a intermediação entre o ataque e a destruição dessas células, realizados pelo próprio sistema imunológico.

Esses achados são comuns à diabetes humana. Portanto, se os critérios estabelecidos em humanos fossem aplicados aos cães, os cães diabéticos seriam classificados principalmente como tipo 1.

O diagnóstico da diabetes canino geralmente é feito no final do curso da doença.

Idade e raça são fatores de risco para a diabetes

Infelizmente, a diabetes mellitus é uma das doenças endócrinas mais comuns em cães de meia-idade e idososA maioria dos cães mais propensos a diabetes tem mais de sete anos.

Idade e raça são fatores de risco

Além disso, é reconhecido que existe uma predisposição racial e familiar em samoiedas, pinschers, poodles, chow-chows, beagles, schnauzers e huskies siberianos. Além disso, um aumento exponencial no risco da doença para rottweilers foi documentado na América do Norte.

Fatores ambientais que levam os cães a serem propensos a ter diabetes: binômio dieta e obesidade

Fatores de risco ambientais específicos em cães diabéticos ainda não foram avaliados. No entanto, a associação entre a diabetes e a pancreatite em cães merece atenção especial.

Acredita-se que o ataque autoimune às células β (o que causa a diabetes), a inflamação pancreática (pancreatite) e a regulação da imunidade intestinal possam estar relacionados  O sistema imunológico intestinal provavelmente desempenha um papel central no desenvolvimento da diabetes tipo 1.

O intestino e o pâncreas estão imunológica e anatomicamente ligados. Ambos os órgãos são influenciados por fatores ambientais, como a microbiota intestinal e fatores dietéticos que predispõem à obesidade.

Na América do Norte, a obesidade afeta de um quarto a um terço dos cães e está associada a um risco aumentado de pancreatite. Então, como a pancreatite parece ser uma causa comum de diabetes em cães, essa relação entre obesidade e pancreatite tem relevância para o desenvolvimento da diabetes canina.

Ter diabetes é fatal para o seu animal de estimação?

A expectativa de vida de um cão diabético pode ser igual a de um cão saudável levando em consideração os devidos cuidados. No entanto, você deve saber que o risco é maior durante os primeiros seis meses de tratamento, quando a terapia com insulina é introduzida e os níveis de glicose são regulados.

Os cães diabéticos têm maior probabilidade de morrer de doenças renais, infecções ou distúrbios hepáticos ou pancreáticos do que de diabetes em si. Apesar disso, uma vez que a condição se estabilize, os cães diabéticos podem levar uma vida feliz e saudável.

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