Quatro doenças comuns em raças de cães de pequeno porte

02 Janeiro, 2021
Embora as raças de cachorro de pequeno porte tenham uma expectativa de vida maior do que as raças grandes, é importante estar ciente de quais são as suas doenças mais comuns.

As raças de cachorro de pequeno porte são muito populares em áreas urbanas. Nas últimas décadas, diversos estudos científicos têm utilizado informações demográficas de animais de estimação caninos para avaliar os seus principais problemas de saúde.

Graças a esses esforços, atualmente sabemos, por exemplo, que as raças de cachorro de pequeno porte têm uma expectativa de vida mais longa do que as raças grandes. Apesar dessa maior longevidade, os cães pequenos geralmente sofrem de doenças em taxas mais altas do que os cães grandes.

Para os proprietários, entender quais são os tipos de problemas que podem surgir é importante para que possam agir rapidamente. A seguir, vamos mostrar algumas das doenças mais comuns em raças de cachorro de pequeno porte.

1. Luxações patelares: um problema em raças de cachorro de pequeno porte

Geralmente, os tendões do joelho mantêm a rótula fixa na sua posição. A luxação patelar ocorre quando a rótula – ou patela – é deslocada da sua posição normal, o sulco do osso articular.

Esse deslocamento causa dor e fraqueza funcional da pata. A patologia afeta as patas traseiras e pode ser facilmente diagnosticada pelo veterinário por meio de um exame físico.

Embora possa ocorrer em qualquer raça de cachorro, os cães pequenos, tais como boston terrier, lulu da pomerânia, chihuahua e poodle toy, são os mais propensos à doença. Em casa, é muito fácil perceber os sintomas desse problema, pois o cachorro levanta a pata ao flexionar o joelho ou dá um pequeno salto.

Portanto, se você notar uma manobra estranha do tipo “salto de coelho” no animal, consulte o veterinário. Existem vários tipos de procedimentos para corrigir esse problema, mas, quando o quadro é grave, pode ser necessária uma cirurgia.

Quatro doenças comuns em raças de cachorro de pequeno porte

2. Colapso traqueal

Em estado normal, a traqueia se mantém aberta por meio de anéis de cartilagem que permitem que o ar flua livremente. No entanto, por uma razão desconhecida, em raças de cachorro de pequeno porte, pode ocorrer um enfraquecimento progressivo dessa cartilagem.

Como consequência, a forma dos anéis traqueais é alterada e a traqueia pode começar a ficar achatada. Isso dificulta a respiração.

O amolecimento da cartilagem pode estar associado a doenças congênitas, a uma compressão da garganta ou a uma inflamação crônica. O colapso traqueal tende a aparecer em raças de cachorro de pequeno porte. Assim, os lulus da pomerânia, os poodles miniatura e toy, os yorkshire terriers, os chihuahuas e os pugs são os mais afetados.

Essa doença se caracteriza por uma tosse com “som de ganso” e dificuldade para respirar. É importante saber que esse quadro piora quando o animal é obeso ou quando fica muito agitado.

Embora não haja nenhuma forma conhecida de prevenção para essa condição, a melhor recomendação é usar um peitoral em vez de uma coleira e manter o animal de estimação com um peso adequado. Também é importante evitar a exposição a fumaça, poeira e odores fortes.

Muitos cães melhoram com o tratamento médico – antitussígenos, esteroides anti-inflamatórios e broncodilatadores. Em casos graves, onde é documentado o colapso das vias aéreas, é possível que o veterinário recomende a colocação cirúrgica de uma prótese ou stent.

3. Hipoglicemia em raças de cachorro de pequeno porte

A glicose no sangue é a principal fonte de energia para todas as funções biológicas do corpo. Quando o nível desse açúcar no sangue cai repentinamente, ocorre um estado de hipoglicemia. Essa é uma condição comum em raças miniatura, tais como yorkshire terrier, chihuahua e poodle toy.

A manifestação clínica da hipoglicemia é variada e depende da causa subjacente e do seu grau. Também há a influência da duração e da taxa de declínio da glicose, além da competência dos mecanismos hormonais que regulam o estado de hipoglicemia.

Se você tem um cachorro de uma raça de pequeno porte, deve ficar atento se perceber que ele está fraco ou letárgico. Talvez ele tenha dificuldade para andar de forma estável ou apresente tremores, especialmente no rosto. Todos estes podem ser sinais de uma crise de hipoglicemia.

A hipoglicemia pode ser grave. Uma queda repentina do açúcar no sangue pode até mesmo levar um cachorro a um coma potencialmente fatal. Por isso, em cães com tendência a estados de hipoglicemia, é importante evitar o jejum prolongado.

4. Desequilíbrio na manutenção da temperatura

É importante saber que os distúrbios na manutenção da temperatura corporal causam disfunções neurológicas e representam uma ameaça à vida. Em canídeos, a resposta ao estresse térmico ocorre principalmente por convecção e evaporação.

Cães pequenos, especialmente filhotes e idosos, não toleram bem temperaturas extremas.

O tutor de um cachorro pequeno deve realizar o manejo desses distúrbios de maneira decisiva e ágil para evitar lesões neurológicas secundárias.

Além disso, é preciso ter muito cuidado ao expor o cachorro a condições meteorológicas extremas, pois isso pode matá-lo. Por exemplo, é preciso evitar manter esses cães em carros estacionados ou em outras áreas fechadas com pouca ventilação.

Diante da exposição a esse risco, o cachorro pode manifestar erupções cutâneas, cãibras e exaustão por calor e insolação, em ordem de gravidade. Além disso, alguns medicamentos podem induzir a hipertermia e produzir uma das várias síndromes clínicas específicas.

Quatro doenças comuns em raças de cachorro de pequeno porte

Embora possa parecer desanimador considerar as doenças que um cachorro pequeno pode ter, na verdade quanto mais você souber, melhor poderá cuidar dele. Certamente, as práticas veterinárias também devem se concentrar nas condições que mais afetam essas raças.

Em geral, a divulgação adequada do risco de diferentes doenças em raças de cachorro de pequeno porte auxilia no diagnóstico diferencial e na seleção adequada de tratamentos.

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