Quem é Temple Grandin?

· abril 12, 2018
Temple Grandin é uma personagem conhecida do mundo animal que, apesar de sofrer com o autismo desde a infância, soube aproveitar as vantagens oferecidas por sua grande capacidade de observação.

A empatia de Temple Grandin com os animais contribuiu para garantir um maior bem-estar de vários deles, especialmente aqueles destinados à produção pecuária.

Temple Grandin é uma mulher que pode ser desconhecida por muitos em nosso país, mas seu impacto no bem-estar dos animais em todo o mundo tem sido gigantesco.

Grandin é uma renomada etologista, zoóloga e professora que escreveu dezenas de livros e deu centenas de palestras, focadas principalmente no comportamento e no bem-estar animal.

Curiosamente, ela é autista, o que, segundo ela, permitiu-lhe compreender melhor os animais e atuar como um elo entre o pensamento humano e o do resto da fauna.

A infância complicada de Temple Grandin

Temple Grandin nasceu em 1947 e teve uma infância difícil, pois conviver com o autismo foi complicado tanto para ela como para toda a sua família, rejeitando enormemente o contato humano; mas isso mudaria em sua adolescência, porque quando ela visitou uma fazenda da família, teve uma ideia brilhante.

A jovem Temple viu uma máquina que exercia pressão sobre as vacas para tranquilizá-las e inventou uma máquina para fazer o mesmo com as crianças que sofrem de autismo: um abraço mecânico que permitia aplicar o tão necessário contato para todos os primatas, mas sem que isso fosse feito por uma pessoa.

Menina com cavalo

Outro dos fatos que a ajudaram a coexistir com seu autismo foi sua relação com os animais: andar a cavalo e estar entre as vacas tornou-a muito mais empática e, provavelmente, foi uma terapia mais poderosa do que sua própria invenção.

Temple Grandin e bem-estar animal

Ela decidiu que queria estudar psicologia e se especializar em comportamento animal, então dedicou sua carreira tanto para explorar o mundo do autismo quanto para melhorar o bem-estar dos animais.

Seu principal interesse era melhorar o bem-estar dos animais e publicou vários artigos sobre enriquecimento ambiental, manejo no transporte e sobre o estresse desses animais.

Graças a isso, uma infinidade de fazendas e frigoríficos nos Estados Unidos foram redesenhados, e suas implicações na melhoria da qualidade de vida dessas espécies são reconhecidas internacionalmente.

Temple Grandin nos garante que uma mente autista pensa em imagens e que está atenta aos detalhes; isso fez com que alguns dos cientistas e artistas mais brilhantes da história tivessem maior ou menor espectro de autismo.

Vacas comendo em uma fazenda

Autismo e animais

Um exemplo claro para Grandin é como a maioria das pessoas não percebeu, em um determinado momento, o porquê um grupo de vacas não se aproximava do veterinário: havia uma bandeira tremulando na entrada, o que dava muita insegurança às vacas.

Essas mesmas ideias foram aplicadas ao projeto de instalações em várias facetas da produção animal; por exemplo, ela eliminou objetos pendurados, modificou formas e rotas e usou sua mente para visualizar outro modo de entender nossa relação com os animais.

Para Grandin, a natureza tem exemplos poderosos que relacionam autismo e animais: por exemplo, muitos animais se comportam de maneira semelhante a pessoas autistas em relação aos sons altos; a reação dela mesma a alarmes e tempestades a fez pensar nos animais com os quais ela vivia.

Essas ideias têm muitas aplicações; assim, as memórias que nos causam medo são indeléveis, e os traumas de pessoas autistas e espécies como o cavalo parecem ter causas e soluções semelhantes.

Esta mulher assegura que “todas as mentes são necessárias”: as mentes das crianças autistas e até mesmo as de outras espécies podem nos fornecer muitas soluções no nosso dia a dia.