Vitamina K para cães: benefícios e efeitos colaterais

16 Dezembro, 2020
O uso mais comum da vitamina K para cães é no tratamento de envenenamento por rodenticida. Neste artigo, discutiremos por que essa vitamina é importante

Para entender a necessidade de vitamina K para s cães, devemos entender que é um nutriente de que eles precisam para se manterem saudáveis. Suas principais ações incluem a modulação dos processos de coagulação do sangue e da saúde óssea. Neste artigo, vamos aprender sobre esses e outros efeitos da vitamina K.

Tipos de vitamina K naturais

Existem duas formas de vitamina K: a primeira, produzida por plantas, é a K1 ou a fitonadiona. Os vegetais de folhas verdes, como o brócolis e a couve-de-bruxelas, são ricos em vitamina K, em sua forma K1.

Por outro lado, a vitamina K2, ou menaquinona, é produzida por bactérias que residem no intestino dos mamíferos. Assim, essa vitamina é produzida durante a digestão dos alimentos.

Tipos de vitaminas K sintéticas

A indústria química se aventurou na produção de formas sintéticas de vitamina K. Portanto, no mercado existem as vitaminas K3 (menadiona), K4 e K5.

A vitamina K3 foi considerada tóxica por interferir na função da glutationa: causa toxicidade hepática e danos às membranas celulares. Por esse motivo, seu uso foi proibido desde 1963 para tratar a deficiência de vitamina K em humanos.

Embora seu uso seja desencorajado, as três formas sintéticas de vitamina K são usadas em muitas áreasIsso inclui a indústria de alimentos para animais de estimação (vitamina K3) e para inibir o crescimento de fungos em alimentos processados ​​(vitamina K5).

A vitamina K3 pode ser facilmente identificada nos rótulos dos alimentos para animais de estimação. A vitamina K3 é indicada pelos nomes bissulfato de menadiona de sódio, bissulfito de menadiona de sódio ou bissulfito de menadiona dimetilpirimidinol.

O nome da vitamina K vem da palavra alemã ‘koagulationsvitamin’.

Funções dessa vitamina em cães

As vitaminas K1 e K2 são compostos solúveis em gordura. A forma K1 é absorvida no intestino delgado proximal e requer bile para a absorção. A forma K2 é absorvida pelo íleo e pelo cólon.

Após a absorção intestinal, a vitamina K é reciclada no fígado. É neste órgão que a vitamina K atua como cofator para a modificação de um grupo de proteínas.

Esse grupo de proteínas inclui os fatores da cascata da coagulação. A osteocalcina também é um fator de crescimento e uma proteína relevante para o metabolismo ósseo e dentário.

A modificação dependente dessa vitamina é um requisito para que essas proteínas possam interagir com o cálcio e se tornem operativas no processo de coagulação.

Funções desta vitamina em cães

Qual é o uso clínico da administração da vitamina K para cães?

A vitamina K para cães é administrada em vários casos específicos. Por exemplo, no caso de envenenamento por rodenticidas, que atuam bloqueando efetivamente a reciclagem hepática da vitamina K.

Esses venenos induzem a incapacidade de produzir fatores de coagulação essenciais, principalmente os fatores de coagulação II e VII.

Assim, o tratamento com vitamina K para cães envenenados por rodenticida tem sido usado com sucesso como um antídoto. Nesses casos, o antídoto funciona tanto em animais de estimação quanto em humanos expostos acidentalmente – ou intencionalmente – a venenos anticoagulantes.

Por outro lado, a vitamina K para cães é administrada nos casos em que existe uma condição que impede a sua absorção normal. Isso acontece nos casos de doenças do fígado, além da prevenção e do tratamento de ossos fracos ou osteoporose.

A hemofilia é uma doença caracterizada por um defeito hereditário que impede a coagulação normal do sangue. Nesse caso, o tratamento com essa vitamina visa neutralizar o risco de sangramento significativo.

Se o seu cão foi submetido a um tratamento prolongado com antibióticos, que alterou a microbiota intestinal, ele pode precisar de um suplemento de vitamina K. Será necessário complementar a dieta do animal até que seu ecossistema bacteriano intestinal seja restaurado ao normal.

Efeitos colaterais do tratamento com essa vitamina

O tratamento com altas doses dessa vitamina em cães deve ser administrado com cautela. Isso porque foi relatado que a vitamina K3 (menadiona) pode induzir a anemia hemolítica em cães, quando 4 mg/kg são administrados por 5 dias.

É preciso notar que a vitamina K leva um dia para fazer efeito quando administrada por qualquer via. Vale lembrar que as novas proteínas devem ser sintetizadas, uma vez que os fatores de coagulação já circulantes não serão modificados pelo tratamento.

Portanto, em situações de risco de vida, como sangramento grave, a vitamina K não deve ser usada para fornecer hemostasia imediata. Em vez disso, você deve incluir uma fonte de fatores de coagulação ativos, como acontece em uma transfusão.

Por fim, é necessário mencionar que os cães devem obter a maior parte dos nutrientes essenciais da sua alimentação. A dieta deve conter vitaminas, minerais, fibras dietéticas e outras substâncias benéficas à saúde.

Apenas em alguns casos, o cão deve consumir alimentos fortificados e suplementos dietéticos para obter nutrientes que, de outra forma, não seriam consumidos nas quantidades mínimas recomendadas.

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