Animais que dormem em pé: como eles fazem isso?

Animais que dormem em pé não agem assim por diversão. Todo comportamento no mundo natural tem um componente evolutivo fixado no tempo por pressões seletivas.
Animais que dormem em pé: como eles fazem isso?

Última atualização: 26 Maio, 2021

Você provavelmente já sabia que alguns animais dormem em pé. Um exemplo próximo desse comportamento são os pássaros urbanos, como os pombos, que ficam de pé enquanto enfiam a cabeça sob as asas.

No entanto, ao pensar em um humano dormindo em pé, a primeira coisa que vem à mente é que seus joelhos vão ceder e ele vai cair no chão. Com base nessa premissa, você saberia explicar como é possível que alguns animais consigam dormir nessa posição tão estranha? Aqui, nós vamos dar a resposta a essa e muitas outras perguntas.

Por que existem animais que dormem em pé?

Existe uma lógica simples por trás desse fenômeno. Se você pensar bem, a maioria dos animais que dormem em pé são presas: bovinos, aves, equídeos e outros. No entanto, é fácil ver grandes predadores – felinos no topo da cadeia alimentar, por exemplo – dormindo totalmente relaxados e expostos.

Então, por que as presas dormem em pé? A maioria delas precisa permanecer na posição para facilitar sua fuga diante de um possível ataque. O segredo é a sobrevivência, pois gastar alguns segundos para se levantar pode significar a morte se um predador estiver à espreita.

Além disso, muitos dos animais que dormem em pé vivem em espaços abertos que não lhes permitem encontrar refúgios seguros para predadores em potencial.

 

Alguns animais dormem em pé.

Como eles conseguem dormir em pé?

Embora a explicação acima faça sentido, há outra questão a ser resolvida: como é possível que esses seres vivos não caiam enquanto estão dormindo? Os músculos relaxam durante o sono e, em princípio, não conseguiriam sustentar o corpo.

Contudo, os animais que dormem em pé possuem mecanismos diferentes, dependendo da espécie, que permitem que eles permaneçam nessa posição. Em geral, sua anatomia favorece bloqueios articulares, o que permite que eles relaxem sem desabar.

Por outro lado, dormir em pé não é a única estratégia que garante minimamente sua segurança. A maioria desses animais não dorme muitas horas seguidas, dividindo o sono em pequenos cochilos. Por sua vez, isso os ajuda a combinar o estado de alerta com a alimentação durante várias horas por dia.

Alguns animais que dormem em pé

Se você está curioso para saber exemplos de animais que dormem em pé, aqui estão alguns que lhe permitirão ter uma visão mais ampla desse mecanismo de sobrevivência. Confira:

  • Cavalos: esses equídeos bloqueiam a articulação que une o fêmur, a tíbia e a rótula, permitindo que relaxem sem que as pernas se dobrem.
  • Girafas: as girafas dormem em pequenos intervalos de 10 minutos, até um total de 2 horas por dia. Dessa forma, suportar todo o seu peso sobre as patas não é prejudicial, dada a sua anatomia e o seu tamanho.
  • Flamingos: assim como outros pássaros que dormem apoiados sobre uma pata, os flamingos podem travar a articulação do joelho para se equilibrar sobre ela, enquanto colocam a cabeça sob a asa.
  • Elefantes: assim como as girafas, os elefantes dormem em média 2 horas por dia. Eles podem ficar até 48 horas sem dormir em caso de necessidade. Além de dormir em pé, eles também ficam com os olhos abertos, então os pesquisadores precisam se guiar pela atividade da tromba para determinar se esses animais estão acordados ou não.

Alguns animais, especialmente mamíferos, combinam as duas formas de sono – deitado e em pé – de acordo com suas necessidades. Na verdade, alguns deles precisam dormir deitados para promover a salivação e a digestão, como é o caso dos cavalos e das vacas.

 

As girafas são animais que dormem em pé.

Como, quando e onde uma espécie dorme revela seus hábitos alimentares, os perigos que a ameaçam e a forma como ela interage com os fatores ambientais, como a temperatura, a umidade ou as estações do ano. Nada na natureza é casual, uma vez que os seres vivos mal adaptados ao meio ambiente acabam se extinguindo com o tempo.

Investigar os padrões de sono dos seres vivos nos ajuda cada vez mais a entender a dinâmica do mundo natural. Além disso, esses conhecimentos podem ser comparados ao sono da espécie humana, a fim de continuar avançando no que se sabe sobre a nossa própria natureza.

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