A baleia-cinzenta bate o recorde de viagem animal mais longa percorrendo meio mundo

Uma baleia cinzenta percorreu a maior distância já registrada por um mamífero vivo. Qual é a causa desse comportamento? Isso é normal para sua espécie? Continue lendo!
A baleia-cinzenta bate o recorde de viagem animal mais longa percorrendo meio mundo

Última atualização: 13 Setembro, 2021

Às vezes, a natureza nos surpreende com notícias como esta: uma baleia-cinzenta quebra o recorde da mais longa jornada animal e viaja meio mundo. Com sua odisseia, o espécime monitorado da espécie Eschrichtius robustus é, até hoje, o mamífero selvagem que mais distância percorreu sob o mar em toda a história.

Ao receber notícias como essa, é necessário contextualizar a partir de uma série de perguntas: a que se deve o comportamento do animal? Esse é um comportamento natural? A ação humana teve algo a ver com essa façanha? Nas linhas a seguir, responderemos a essas perguntas e muitas outras. Não perca!

A notícia

A manchete deste artigo foi escolhida pela revista Nature em 8 de junho de 2021. Nas notícias, é relatado que uma baleia-cinzenta (Eschrichtius robustus) poderia ter viajado quase metade do mundo (cerca de 20 mil quilômetros) sob o mar em um intervalo de tempo variável. Vamos ver com mais detalhes o que isso implica.

Essa baleia-cinzenta macho foi detectada pela primeira vez em Walvis Bay, Namíbia, em 2013. Conforme indicado pelo site National Geographic, essa foi o primeiro encontro da espécie no hemisfério sul. Apesar de isso ter ocorrido há vários anos, demorou muito para descobrir que o enigmático cetáceo vinha do norte do Pacífico.

Para descobrir a origem da baleia, foram retiradas amostras superficiais de sua pele e realizadas análises genéticas. O artigo científico resultante, publicado na Royal Society, argumenta que o espécime possivelmente veio da população ameaçada de extinção do oeste do Pacífico Norte, que hoje conta com cerca de 200 espécimes.

Com a análise genética do cetáceo foi constatado que ele percorreu pelo menos 20 mil quilômetros (quase metade do mundo) em um período muito curto, entre maio e junho de 2013. Para uma espécie que normalmente faz viagens de 8000 a 11 000 quilômetros, esse vasto deslocamento não tem sentido biológico.

A baleia-cinzenta que fez a viagem animal mais longa foi descoberta pela primeira vez em 2013.

 

 

Uma baleia-cinzenta saindo da água.

Por que essa baleia-cinzenta fez a viagem mais longa?

Quando o coautor do estudo citado, Simon Elwen, foi informado sobre a baleia-cinzenta na Namíbia em 2013, ele se mostrou bastante cético. Em suas próprias palavras, “é como se alguém dissesse ter encontrado um urso polar em Paris. É fisicamente possível, mas não parece muito realista”.

Nesse ponto, só podemos nos perguntar por que um animal tão grande desperdiçaria sua energia e colocaria sua própria sobrevivência em jogo para chegar a um lugar tão distante. Os cientistas não têm respostas imediatas, pois é preciso fazer mais pesquisas sobre o assunto, mas consideram algumas hipóteses.

Em primeiro lugar, nunca se pode descartar que o animal tenha se perdido ou que tenha um defeito congênito. De qualquer forma, a hipótese mais forte é que o degelo do Ártico pode estar abrindo novas rotas para esses cetáceos, permitindo que explorem (ou se percam) em novos habitats. Sem dúvida, o ser humano reaparece como o primeiro dos culpados.

A migração natural das baleias e sua conservação

Embora não se saiba muito sobre a área real do habitat das baleias cinzentas, sabe-se que elas migram anualmente entre suas áreas de alimentação de verão polar e áreas de procriação temperadas e tropicais. As rotas migratórias das populações do leste e oeste do Pacífico são muito diferentes e, infelizmente, há muito pouca informação sobre este último grupo.

Curiosamente, os dois grupos são tão diferentes um do outro que poderiam até ser considerados duas subespécies diferentes de baleia-cinzenta. A população oriental está estável e com risco mínimo com mais de 20 500 espécimes, enquanto o núcleo ocidental possui apenas 200 indivíduos, por isso é considerado ameaçado.

O grupo de baleias ocidentais atingiu seu ponto mais baixo em 2010, com uma estimativa de 26 fêmeas reprodutoras, dentre as quais nenhuma havia sido incorporada à população desde 1995. A taxa de crescimento extremamente lenta desses animais os torna propensos ao desaparecimento, uma vez que um desses cetáceos leva até 11 anos para amadurecer sexualmente.

Graças aos esforços de conservação, o número da população de baleias ocidentais parece estar aumentando.

 

Poderia ser o Whalien 52?

Um dos remanescentes de uma população que pede ajuda

A baleia-cinzenta que fez a viagem animal mais longa veio da população ocidental, que continua em perigo. Se algo ficou claro depois dessa história, é que, infelizmente, essa proeza provavelmente não foi intencional.

O assalto dos mares pelo ser humano faz com que as espécies desapareçam, os polos derretam e sejam gerados graves desastres ecossistêmicos. Com as variações ambientais associadas às mudanças climáticas, infelizmente será cada vez mais comum ver animais fora de suas áreas naturais.

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