Quais são os animais que migram?

Os animais que migram são aqueles afetados pelas pressões ecológicas de um habitat e que buscam novos recursos em outro destino a cada ano.

Última atualização: 18 Dezembro, 2020

Com o sinal certo, aproximadamente a cada ano, os animais que migram fazem uma longa jornada em busca de novos recursos.

A variabilidade de espaço e clima e a disponibilidade de recursos são dois dos motivadores para empreender a migração. Trata-se de uma viagem de ida e volta repleta de grandes obstáculos e, por isso, nem todos os animais conseguem completá-la. Então, se você quiser saber mais sobre essa jornada fascinante, continue lendo.

O que é a migração?

A migração é um fenômeno biológico de natureza instintiva que induz o animal a se deslocar regularmente de um habitat para outro – separados entre si por muitos quilômetros de distância – em uma determinada época do ano.

Contudo, nem todos os deslocamentos feitos pelos animais são migrações. Esses tipos de eventos são considerados migrações se atenderem aos seguintes requisitos:

  • São deslocamentos de certa envergadura e duração, podendo durar meses.
  • Existe um grande contraste entre as duas residências alternativas.
  • São deslocamentos produzidos por um relógio biológico interno que é ajustado e regulado por estímulos externos.
  • Têm uma dimensão populacional importante. Não é um deslocamento individual, pois os animais migram em grandes grupos – toda ou parte da população.
  • Os movimentos migratórios se desenvolvem em resposta a diferentes pressões ecológicas.
  • Quando há uma periodicidade no meio quanto ao aparecimento de alimentos ou quando as áreas alternativas são utilizadas para diferentes funções – como as áreas de reprodução e criação.

O objetivo da migração é obter melhores recursos ou evitar condições ambientais adversas. A escassez de recursos no local em que se encontra obriga o animal a sair em busca de melhores áreas para se alimentar. Isso pode ser influenciado por mudanças no ambiente.

Em geral, os animais migram para lugares quentes no outono e voltam na primavera. Além disso, eles precisam ter certos mecanismos de navegação embutidos em seu código genético para serem capazes de se orientar de um lugar para o outro.

Animais que migram todos os anos

Existem muitos exemplos de animais que migram anualmente e todos são fascinantes. Esses seres vivos enfrentam grandes perigos, mas a jornada envolve um grande custo que é compensado pelos novos habitats e recursos que são obtidos no destino. Vamos mostrar alguns casos especiais.

Os corajosos gnus do Serengeti

A maioria dos gnus vive no Parque Nacional do Serengeti e durante os meses de novembro a abril se alimentam na região sul, onde existem pastagens muito ricas. Eles aproveitam essas áreas para se reproduzir, já que as mães e os filhotes se alimentam dessas gramíneas nutritivas até que o alimento comece a se tornar escasso.

Quando os filhotes têm três ou quatro semanas, o grupo começa a se deslocar para o norte, cruzando terras áridas e perigosas no caminho. A jornada é longa e contém muitas ameaças, já que bem na fronteira da Tanzânia e do Quênia está o rio Mara, onde predadores como os crocodilos os aguardam.

A mortalidade de filhotes é enorme, já que sobrevive apenas um a cada seis. Até 6000 gnus podem morrer durante a migração. Esse animais chegam ao seu destino entre os meses de julho e outubro.

Os adultos têm memória visual e sabem os lugares para onde devem ir. Dois ou três machos adultos orientam o grupo, por meio da busca de áreas mais úmidas. Esses “líderes” usam o sol, certas referências visuais e olfativas e o aprendizado social como mecanismos de navegação.

A longa migração das baleias

As baleias migram em busca de áreas de reprodução. Quando o verão se aproxima, elas viajam milhares de quilômetros até lugares onde há uma explosão de fitoplâncton – graças a uma grande quantidade de luz. Isso aumenta a quantidade de krill marinho, o principal alimento das baleias e de outros predadores.

Para se orientar, as baleias usam o campo magnético da Terra. Além disso, como referência visual, elas também podem usar a linha da costa, mas nadam longe dela. Acredita-se que os golfinhos e baleias que aparecem encalhados todos os anos nos litorais morram devido a mudanças no campo magnético.

Isso faz com que, em vez de nadar para o oceano, em muitas ocasiões esses infelizes animais nadem em direção à praia. O campo magnético pode variar e durante um tempo – até que os animais o conheçam – eles não conseguem se orientar corretamente.

As rotas migratórias das aves

Como se fosse um mapa aéreo, as aves migratórias traçaram rotas por todo o globo. As principais rotas de voo são as seguintes:

  • Rota Paleártico-africana: é uma das mais surpreendentes. Pode ser observada no Estreito de Gibraltar, já que os animais que migram param na Península Ibérica para descansar antes de se deslocar para a África.
  • Do Nordeste da Ásia ao Sudeste Asiático.
  • Da América do Norte à América do Sul.

Assim, como pudemos ver nessas linhas, o fenômeno migratório é uma verdadeira odisseia, já que os animais que migram gastam uma enorme quantidade de energia para fazer a sua viagem todos os anos. É um comportamento instintivo – embora seja parcialmente aprendido – e perpetuado geração após geração.

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  • National Geographic. Grandes Migraciones.
  • Drickamer, L.C, Vessey, S.H. y Jacobs, E.M. “Animal Behavior: Mechanism, Ecology, Evolution”, Ed.Mc Graw Hill (2002).
  • Breed, M.D and Moore,J. “Animal Behavior” Editorial Academic Press, Elsevier (2011).