As baleias têm dentes?

As barbas das baleias permitem que elas comam uma grande quantidade de presas apenas abrindo a boca, sendo uma excelente adaptação para resolver o gasto energético de movimentar seu enorme corpo.
As baleias têm dentes?

Última atualização: 09 março, 2022

A maior parte da diversidade biológica que existe é encontrada nos oceanos. Na verdade, as espécies marinhas superam em muito as terrestres nesse quesito, embora apenas um terço delas tenha sido descoberto. Entre esses animais estão mamíferos aquáticos gigantes chamados baleias, bastante conhecidos em todo o mundo.

Esses grandes espécimes pertencem à ordem dos cetáceos e são subdivididos em 2 grupos: Mysticeti e Odontoceti. Embora ambas possam ser chamadas de baleias, a maior diferença entre ambos os grupos está nas estruturas que compõem suas bocas. Continue lendo este artigo e descubra se as baleias têm dentes ou não.

As verdadeiras baleias

O termo baleia é usado para nomear certos grandes mamíferos aquáticos. Elas não constituem um grupo taxonômico formal, portanto esse conceito é inútil para classificá-las. Isso fez com que os especialistas definissem dois grandes grupos entre os cetáceos: as baleias verdadeiras (misticetos) e as baleias com dentes (odontocetos).

Essa divisão leva em consideração os níveis taxonômicos e consegue estabelecer grupos com características mais homogêneas. As principais características de cada um são encontradas abaixo:

  • Misticetos: são cetáceos que possuem na boca placas que aderem ao palato superior. Isso permite que eles filtrem a água absorvida para capturar suas presas. Alguns animais como a baleia-cinzenta, a baleia-pigmeu, a baleia franca, a baleia-azul e as rorquais estão agrupadas aqui.
  • Odontocetos: possuem dentes bem formados, usados para dilacerar e esmagar suas presas. Nesse grupo estão os golfinhos, as cachalotes, os botos, os narvais e as belugas.

Os misticetos são o grupo em que se encontra a maioria das espécies conhecidas como baleias. Por esse motivo, eles são conhecidos pelo nome de baleias verdadeiras, enquanto seu grupo mais próximo (os odontocetos) é excluído da lista.

Uma grande baleia jubarte.

Qual é a origem das baleias?

As baleias evoluíram de mamíferos terrestres, o que pode ser observado por suas características que as distinguem dos peixes. A principal diferença é que não conseguem respirar debaixo de água, por isso saem à superfície para respirar através de dois orifícios nas costas que funcionam como “narizes”. Por isso, ao saírem da água, “cospem” ar, o que é característico desses animais.

Outra característica é o formato dos músculos, que permite mover a cauda para cima e para baixo. Embora isso pareça muito simples, é algo que os peixes não podem fazer, pois sua estrutura permite apenas que eles se movam da esquerda para a direita.

Como surgiram as barbas das baleias?

O ancestral mais antigo dos misticetos é chamado Mammalodon colliveri. É um fóssil que data do Oligoceno e foi encontrado no sudeste da Austrália. A característica mais marcante desse animal arcaico é que ele tinha dentes em vez de barbas. Isso significa que os dentes apareceram primeiro no processo evolutivo das baleias, enquanto os organismos com barba surgiram depois.

Em algum momento da história, as baleias tiveram que mudar sua dieta e começaram a capturar presas menores. O problema disso é que os dentes não eram eficientes nessa tarefa, então elas começaram a usar outras alternativas. Isso permitiu o aparecimento das barbas, pois são a melhor estrutura possível para poder filtrar a água e ter fartura de alimento.

As baleias e suas barbas

Embora todas as verdadeiras baleias tenham barbas, cada uma tem diferentes táticas para filtrar a comida. Na verdade, essa é uma das características que dividem as 4 grandes famílias que compõem os misticetos. As estratégias que elas usam são as seguintes:

  • Balaenopteridae: têm várias dobras na garganta que servem para alongar essa estrutura e absorver mais água para filtrar. Isso faz com que sua boca pareça um “balão se inflando” enquanto está sugando água.
  • Eschrichtidae: são conhecidas como baleias dragas. Eles sugam o fundo do mar para filtrar presas escondidas entre a areia e o lodo.
  • Balaenidae: nadam perto da superfície do mar com a boca aberta para capturar as presas à medida que avançam.
  • Cetotheriidae: antes era agrupado na família Balaenidae, por isso compartilha seu comportamento alimentar. Existe apenas uma espécie neste grupo, a baleia franca pigmeu.
Whalie 52, uma baleia perdida.

As baleias têm dentes?

Se você quiser ser específico e levar em consideração a classificação taxonômica dos grupos, pode dizer que as baleias não têm dentes. Isso se aplica ao grupo de misticetos, ao qual pertencem as chamadas baleias verdadeiras. Lembre-se de que a resposta a essa pergunta pode mudar se todo o grupo de cetáceos for considerado.

Cada característica dos misticetos é adaptada para facilitar sua sobrevivência. Seu tamanho gigantesco permite que acumulem mais comida, enquanto a barba é o complemento perfeito para se alimentar sem tanto trabalho. Simplificando, as baleias são grandes predadores que levaram ao limite sua capacidade de devorar sem depender dos dentes.

This might interest you...
Qual é a importância das fezes das baleias?
Meus Animais
Leia em Meus Animais
Qual é a importância das fezes das baleias?

Pesquisadores comprovaram a utilidade das fezes das baleias como fertilizantes. Leia mais sobre o assunto neste artigo para entendê-lo melhor.



  • Medrano, L. & Urbán, J. (2019). Mamiferos marinos: identidad, diversidad y conservación. Revista Ciencia, 70(3), 8-19.
  • Busquets, G., Guerrero, F. & Gendron, D. (2019). Las ballenas. Revista Ciencia, 70(3), 56-63.
  • Ruiz, M. G. (2006). Las ballenas del Golfo de California. Instituto Nacional de Ecología: México.
  • REYNOLDS, J. (2005). Ballenas en general. Archivos de Medicina (Col), (10),11-13.
  • Fitzgerald, E. M. (2010). The morphology and systematics of Mammalodon colliveri (Cetacea: Mysticeti), a toothed mysticete from the Oligocene of Australia. Zoological Journal of the Linnean Society, 158(2), 367-476.