Camaleão-pantera (Furcifer pardalis): cuidados em cativeiro

O camaleão-pantera é uma espécie exótica cobiçada por muitos amantes da terrariofilia por causa de suas magníficas cores e seus hábitos curiosos.
Camaleão-pantera (Furcifer pardalis): cuidados em cativeiro

Última atualização: 19 Janeiro, 2021

Furcifer pardalis ou camaleão-pantera – como é mais conhecido – é uma espécie de camaleão nativa da ilha de Madagascar. As dificuldades para a aquisição de um espécime, os seus cuidados específicos e os requisitos para a sua criação fazem dele um animal exótico que não é indicado para os iniciantes na área da terrariofilia.

Mesmo assim, se você tiver conhecimento e recursos financeiros suficientes, essa espécie pode se tornar a joia da coroa da sua casa. A seguir, vamos contar tudo o que você precisa saber sobre os cuidados com o camaleão-pantera.

Como é o camaleão-pantera?

A característica mais marcante do Furcifer pardalis é a sua coloração vibrante e o seu grande tamanho – em comparação com outros camaleões –, já que um espécime adulto pode atingir 23 centímetros de comprimento. Esta espécie apresenta um acentuado dimorfismo sexual e, por isso, é fácil distinguir entre os dois sexos:

  • Os machos são maiores e têm a base da cauda protuberante, indicando a presença dos seus hemipênis. Também apresentam uma grande variedade de cores e padrões diferentes, que variam de acordo com a região de onde vêm.
  • Enquanto isso, as fêmeas têm coloração verde-clara ou rosada, são menores e a base da sua cauda é mais fina.

O sexo dos camaleões pode ser distinguido a partir dos seis meses. Em geral, os terrariófilos costumam ter uma maior inclinação pela aquisição dos machos, já que as suas cores são realmente incríveis.

Camaleão-pantera (Furcifer pardalis): cuidados em cativeiro

Cuidados com o camaleão-pantera em cativeiro

Essa espécie é delicada e necessita de um recinto com parâmetros que atendam às suas necessidades. Em condições naturais, o camaleão-pantera habita as florestas caducifólias das planícies próximas aos rios, mas ele também pode ser visto perto das estradas de diferentes áreas de Madagascar.

Esse animal prefere espaços abertos onde possa tomar sol e usa sinais visuais destinados às fêmeas durante o cortejo e aos machos concorrentes para estabelecer territórios.

Como deve ser o terrário?

Para o terrário desse réptil, é preciso utilizar materiais inertes, não tóxicos, de fácil limpeza e que resistam às temperaturas que esses animais exigem. Geralmente, para manter esses répteis, são utilizadas instalações feitas de malha, já que eles requerem uma ventilação muito específica quase impossível de simular em terrários de plástico ou de vidro.

As dimensões são recomendadas por indivíduo e geralmente são calculadas de acordo com o comprimento do corpo do animal (CCA), descontando a cauda. Por exemplo: comprimento 3 CCA x largura 2 CCA x altura 2-3 CCA. Em geral, isso resulta em 1,20 metros de comprimento e 80 centímetros de largura e de altura para um único espécime adulto.

O substrato deve ser composto por terra preferencialmente orgânica, como a derivada da madeira de pinho ou a fibra de coco. É extremamente importante que a instalação tenha diversas plantas, pois esses animais podem ficar estressados facilmente. São poucas as espécies para as quais a naturalização do terrário é tão essencial quanto para esta.

A localização do terrário também é importante: ele deve ser colocado em um local com pouco movimento para reduzir o possível estresse ao animal.

Condições ambientais

A iluminação é muito importante, assim como para todos os répteis. Estima-se que 60% da vitamina D do animal seja sintetizada sob a luz UVB entre 290-300 nm. Além disso, a luz UVB também contribui para desinfetar a pele, pois favorece a eliminação de parasitas externos.

As lâmpadas de haleto metálico são as mais aconselháveis, pois emitem luz forte e calor, mas são necessários materiais resistentes para suportá-las. É importante destacar que a lâmpada não dura para sempre, por isso é preciso buscar novas lâmpadas a cada 6-12 meses.

Em relação à temperatura, os camaleões – assim como os outros répteis – dependem quase que exclusivamente do calor do ambiente para desempenhar as suas funções vitais e, por isso, o monitoramento rigoroso desse aspecto é essencial para a sua sobrevivência.

Em seu ambiente natural, as temperaturas variam entre os locais e as estações, mas a média é de 24 °C de temperatura mínima e de 32 °C de máxima durante as estações mais quentes. A umidade deve ficar entre 60% e 70%. Vale destacar que esses animais requerem um gradiente ambiental no terrário. Para manter uma área quente, deve ser realizado o seguinte procedimento:

  • Colocar uma manta térmica em uma extremidade da instalação, sempre pelo lado de fora para que o animal não se queime.
  • Colocar uma fonte de luz que emita calor em uma parte do terrário.
  • A área mais fria do terrário deve manter uma temperatura de cerca de 24 °C, enquanto a da mais quente deve ser de cerca de 29-32 °C.

O substrato e as plantas que formam o enriquecimento ambiental devem mimetizar o habitat de origem. Recomenda-se o plantio de ficus, potos, crassulas e sansevierias no terrário, com ramos de diâmetro adequado para o tamanho do camaleão.

Alimentação do camaleão-pantera

Os camaleões precisam que o fornecimento de água seja feito por meio de pequenas gotas em forma de chuva ou que simulem o orvalho. Eles também obtêm água a partir dos alimentos, pois podem receber até 60-80% da água de que precisam por meio de insetos ou outros invertebrados.

Procure oferecer uma dieta nutritiva e balanceada para o animal, mas lembre-se de que a quantidade de alimento depende do tamanho e do estágio de desenvolvimento do camaleão. As larvas de inseto são ricas em gordura, enquanto grilos adultos, moscas, besouros, tenébrios e baratas são ricos em proteínas.

Remova os insetos que não forem capturados pelo camaleão para evitar possíveis ataques em seus momentos de descanso.

Para fornecer os suplementos vitamínicos – tais como cálcio e vitamina D – você pode polvilhá-los por cima dos alimentos, na água de beber ou alimentar as presas com esses suplementos logo antes de serem ingeridas pelo camaleão. Este último método é muito eficaz.

Reprodução em cativeiro

Na natureza, a reprodução é determinada pelos ciclos climáticos. Os machos fazem o cortejo para atrair as fêmeas. Quando a fêmea está grávida, ela apresenta manchas alaranjadas que aparecem 24 horas após a cópula, além de se tornar mais agressiva.

As fêmeas desovam em buracos bastante profundos, por isso é importante fornecer a elas um lugar onde possam cavar. Elas podem botar até 93 ovos por postura, mas existem diferentes intervalos: o normal é cerca de 30 ou 40 ovos por postura.

O período de incubação também varia de acordo com as condições térmicas. Trate os ovos com muito cuidado e mantenha-os sempre na mesma direção, pois, uma vez que eles não têm chalaza, o movimento pode prejudicar os embriões.

Camaleão-pantera (Furcifer pardalis): cuidados em cativeiro

Assim, como você deve ter notado, o camaleão-pantera requer cuidados múltiplos e complexos. Por esta razão, recomendamos que apenas terrariófilos mais experientes adquiram um exemplar dessa espécie.

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  • Beatriz Álvarez Carrión. Influencia de los factores ambientales sobre la aparición de enfermedades en Chamaeleo calyptratus y Furcifer pardalis mantenidos en cautividad, 2018.
  • animaldiversity.org  Furcifer pardalis
  • reptiles magazine. Breeding Panther Chameleons, 2014.