Os chimpanzés agressivos vivem menos

julho 28, 2019
Um novo estudo concluiu que os chimpanzés agressivos vivem menos. Quer saber mais sobre o tema? Continue lendo!

Embora o espírito bélico e a agressividade façam parte do cotidiano desses macacos, a verdade é que os chimpanzés agressivos vivem menos do que aqueles que baseiam seus relacionamentos na empatia.

Os chimpanzés são agressivos?

Os chimpanzés são os símios mais parecidos conosco junto com os bonobos, que gozam de uma popularidade muito menor.

Portanto, esses animais têm sido objeto de dezenas de estudos que tentam comparar a psicologia humana com a de outras espécies.

Estes grandes símios vivem em vários países africanos e formam os chamados grupos de fissão-fusão. Os chimpanzés costumam ser liderados por machos.

Entretanto, por ser um animal cultural, pode ter diferentes tipos de organizações sociais, como é o caso dos curiosos chimpanzés do Triângulo de Goualougo.

Chimpanzé em seu habitat natural

Esses primatas são considerados bastante agressivos. Houve até mesmo uma guerra entre animais que durou quatro anos, na qual participaram dois grupos dessa espécie.

No entanto, este estudo parece contradizer a hipótese que essa estratégia agressiva tem benefícios de longo prazo para os animais, pelo menos em cativeiro.

Deve-se notar também que há muitos trabalhos sobre as capacidades empáticas e altruístas dos chimpanzés. Ou seja, talvez estes animais tenham duas faces muito semelhantes às dos humanos.

Um estudo sobre a longevidade dos chimpanzés

Este foi um estudo realizado pelo Dr. Drew Altschul, que durante 24 anos registrou meticulosamente diversos detalhes sobre os chimpanzés no Zoológico de Edimburgo, especialmente a idade em que alguns deles faleceram.

Assim, a equipe de pesquisadores comparou a idade em que os chimpanzés morreram com a sua personalidade. Finalmente, chegaram à conclusão de que, no caso dos machos, os chimpanzés agressivos são aqueles que vivem menos.

Foi observado que os chimpanzés mais longevos são os que realizam muitas interações positivas, como a cooperação e a higiene em grupo.

Isso não foi observado nas fêmeas, embora os autores tenham a sensação de que as fêmeas que são mais curiosas e abertas a novas experiências vivem mais.

Entretanto, os resultados são inconclusivos. Assim como acontece com os humanos, a curiosidade destes animais parece diminuir com a idade.

Chimpanzé em zoológico

Outros traços de personalidade não parecem afetar a longevidade dos chimpanzés em cativeiro. Isso difere do que se observa no ser humano, para o qual a extroversão, por exemplo, é uma característica ligada à longevidade.

Mas então, por que há chimpanzés violentos? Se os animais amigáveis vivem mais, essa não deveria ser uma característica favorecida pela seleção natural?

Os autores consideram que, embora os machos amigáveis vivam mais, eles provavelmente não têm tanta eficiência reprodutiva quando são jovens. Então, há um equilíbrio entre os animais mais agressivos e os mais pacíficos.

Os autores ressaltam que este estudo foi realizado em cativeiro e que, na natureza, os resultados obtidos podem ser diferentes.

Apesar do enorme trabalho que tem sido feito para compreender a personalidade dos chimpanzés selvagens, como o realizado por Jane Goodall, a verdade é que não há dados suficientes para conduzir um estudo semelhante analisando a longevidade dos mesmos.

Altschul, D. M., Hopkins, W. D., Herrelko, E. S., Inoue-Murayama, M., Matsuzawa, T., King, J. E., … & Weiss, A. (2018). Personality links with lifespan in chimpanzees. eLife7, e33781.