Criptorquidia em cães: saiba como tratar

· janeiro 30, 2018

Assim como ocorre em bebês humanos, a criptorquidia em cães é a ausência de um ou ambos os testículos no escroto. Naturalmente, afeta apenas os machos da espécie. E, de forma similar ao caso das crianças, a criptorquidia em cães pode afetar negativamente a atividade reprodutiva ou sexual do animal.

As causas que dão origem a esse problema não são totalmente precisas. A maioria dos especialistas afirma que a predisposição genética é o fator de risco mais determinante. Dessa forma, os cães podem herdar a doença tanto das mães, como dos pais.

Além disso, estima-se que probabilidade de um filhote recém-nascido apresentar a criptorquidia seja quatro vezes maior se seu pai ou um irmão de ninhada anterior teve a doença.

Por outro lado, mesmo sem determinar as causas exatas, há raças mais propensas estatisticamente a desenvolver essa anomalia. Destacam-se as raças yorkshire, dachshund (salsicha), poodle, boxer, maltês, schnauzer miniatura e pequinês.

Os fatores ambientais também podem afetar novas ninhadas de machos. São alguns exemplos desses fatores, casos em que a mãe seja obesa ou haja a exposição a produtos químicos, como destilbenol.

Cães que nascem de forma prematura são muito mais propensos a sofrerem com essa doença. Apenas 6% dos casos de criptorquidia em cães são de gestações que terminaram no tempo correto.

Diagnóstico da criptorquidia em cães

processo normal de formação e posicionamento dos testículos em cães machos começa desde a gestação. Na primeira etapa, eles estão localizados na região inferior do abdômen, onde permanecem até o nascimento.

Cachorro de grande porte num bosque

Aproximadamente 10 dias após o nascimento, descem para o canal inguinal. Com cerca de 15 dias de vida, os testículos devem chegar ao seu destino final: o saco escrotal.

Esse processo não é exato. Em alguns cães, pode demorar até 12 semanas para que ocorra completamente ou até mais. Por isso, os veterinários esperam até os 6 meses de idade para emitir um diagnóstico definitivo.

Para avaliar os casos em que há a suspeita da doença, o médico só precisa apalpar o escroto do animal. Alguns cães precisam da realização de um ultrassom para determinar a região exata onde as gônadas masculinas ficaram presas.

A criptorquidia em cães é dividida em quatro tipos:

  • Unilateral: quando apenas um testículo nasceu dentro do escroto.
  • Bilateral: quando nenhum dos dois testículos chegou ao saco escrotal.
  • Inguinal: quando os testículos não conseguiram passar pelo canal inguinal, localizado em ambos os lados do pênis.
  • Abdominal: quando os testículos não saíram da área em que foram formados.

Sintomas e riscos colaterais

Inicialmente, essa doença não mostra sintomas evidentes que afetem o comportamento do animal. No entanto, se não for detectada e tratada a tempo, pode gerar dificuldades maiores. Essas dificuldades, além de afetar a atividade sexual e reprodutiva do cão, colocam sua vida em risco.

As gônadas masculinas fora do escroto atingem temperaturas altas. Portanto, além de não cumprirem nenhuma função útil, podem acabar ficando atrofiadas. Em alguns casos, ocorre uma torção nos testículos e, em situações mais graves, câncer testicular.

Quando há um tumor na região, são evidentes mudanças físicas e comportamentais nos animais de estimação, como:

  • Diminuição drástica no tamanho do pênis.
  • Desenvolvimento de glândulas mamárias, como se fossem fêmeas numa gestação.
  • Síndrome de feminização, em outras palavras, cães machos adotam posições femininas ao urinar.

Tratamentos

Ao contrário dos casos em crianças, a correção da criptorquidia em cães por meio de intervenções cirúrgicas é considerada como um processo antiético. Sobretudo, porque os riscos de espalhar a doença aumentam.

Criptorquidia em cães: saiba como tratar

Para evitar malformações potencialmente perigosas para o cão, a medida mais comum adotada por especialistas no mundo inteiro é remover o testículo deslocado.

Como prevenir o aparecimento da criptorquidia em cães

É preciso lembrar que o fator genético aumenta o risco dos filhotes se tornarem vítimas da criptorquidia. Portanto, a única medida concreta para diminuir sua propagação é a esterilização. Isso se aplica a machos com os testículos não descidos ou que passaram por processo cirúrgico. Também em fêmeas cujas ninhadas apresentaram mais de um caso de filhotes afetados. No entanto, essas ações não reduzem totalmente os riscos.

Cerca de 150 de cada 1000 cães machos recém-nascidos apresentam o diagnóstico de criptorquidia.