Distúrbios hormonais dos cavalos

Os distúrbios que produzem hormônios em excesso devem ser removidos cirurgicamente, enquanto os problemas nos quais não há hormônios suficientes são tratados com medicamentos para o resto da vida.
Distúrbios hormonais dos cavalos

Última atualização: 23 Dezembro, 2021

Os hormônios são um tipo de mensageiro metabólico que regula muitos mecanismos do corpo. Graças a eles, os diferentes órgãos e sistemas comunicam-se entre si para reagir de forma adequada ao meio ambiente. Em cavalos, essas moléculas são produzidas por diferentes glândulas, que podem sofrer de uma condição que causa distúrbios hormonais.

Essas moléculas químicas de natureza mensageira têm um grande efeito no corpo. Na verdade, complicações em um único hormônio causam patologias, algumas tão sérias quanto o diabetes. Se você quiser saber mais sobre os distúrbios hormonais que os cavalos apresentam, continue lendo este artigo.

O sistema endócrino do cavalo

O sistema endócrino é responsável por regular e produzir os hormônios que viajam pelo corpo. Trata-se de uma série de glândulas que se localizam em diferentes partes do equino, com as quais se formam algumas “etapas de controle” que lidam com as mensagens químicas que são produzidas. As estruturas mais importantes desse sistema são as seguintes:

  • Glândula pituitária (hipófise): localizada no cérebro. É responsável pela produção de hormônios que controlam grande parte do corpo. Na verdade, alguns a consideram a glândula mestra por causa de sua importância no equilíbrio hormonal.
  • Glândulas adrenais: estão localizadas próximas aos rins. Essas estruturas são responsáveis pela regulação do equilíbrio dos minerais (sódio e potássio) e pela produção dos hormônios sexuais e metabólicos.
  • Pâncreas: algumas regiões desse órgão produzem hormônios que estão envolvidos no metabolismo do açúcar (como a insulina).
  • Glândula tireoide: glândula que está localizada ao redor de uma parte do pescoço e é responsável pela produção de hormônios que regulam o crescimento.
  • Glândula paratireoide: é responsável por regular o metabolismo do cálcio e a formação óssea. Produz hormônios da paratireoide e calcitonina.
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Distúrbios hormonais em cavalos

Quando alguma das glândulas que constituem o sistema endócrino falha, os hormônios começam a ser produzidos em quantidades maiores ou menores do que o necessário. Isso faz com que o corpo não detecte bem as mensagens e surjam patologias metabólicas complicadas. Em alguns casos, basta fornecer o hormônio ausente externamente, mas nem sempre é possível detectar o problema a tempo.

Esses distúrbios hormonais causam sinais clínicos muito evidentes em cavalos. Na verdade, os problemas com a instabilidade dos hormônios podem ser tão grandes que o físico do animal começa a mudar. Alguns dos distúrbios equinos mais comuns estão listados abaixo.

Síndrome de Cushing equina

Essa alteração afeta a hipófise, e o sistema endócrino torna-se instável. A causa geralmente é um pequeno adenoma (não considerado câncer). Consequentemente, essa estrutura perde sua capacidade de controlar os hormônios e causa a superprodução de cortisol. Alguns dos sintomas da síndrome de Cushing são os seguintes:

  • Hirsutismo: crescimento excessivo do pelo, que começa a enrolar e se assemelha à lã de ovelha.
  • Sudorese excessiva: junto com os pelos longos, causa nós que são difíceis de desfazer.
  • Perda de peso.
  • Perda de massa muscular.
  • Distribuição anormal de gordura: são formadas “bolsas” de gordura no pescoço, sobre os olhos, na base da cauda ou no prepúcio.
  • Laminite : inflamação das lâminas do casco.
  • Infecções recorrentes.

Hipotireoidismo

Esse problema se refere a um processo no qual a glândula tireoide não produz a quantidade adequada de hormônios. Portanto, os cavalos crescem lentamente e seu físico não se desenvolve bem. Para reconhecê-lo, os sinais clínicos mais óbvios de hipotireoidismo equino são os seguintes:

  • Ganho de peso.
  • Armazenamento de gordura no pescoço e na base da cauda.
  • Letargia.
  • Intolerância ao exercício.
  • Camada fina de pelo.
  • Infertilidade.
  • Abortos.
  • Gravidez complicada.

Síndrome metabólica equina

A síndrome metabólica equina se refere a um conjunto de fatores de risco que induzem problemas metabólicos e hormonais. Na verdade, um deles faz com que o cavalo seja incapaz de reduzir a glicose no sangue. Isso ocorre porque o corpo não “reconhece” a insulina, o hormônio responsável por regular a assimilação da glicose a nível celular.

Como esse composto não pode ser aproveitado, o corpo do animal passa a transformá-lo em gorduras (adipócitos). No entanto, esses lipídios secretam substâncias que impedem o corpo de detectar a insulina e agravam a situação. Os sintomas mais comuns desse distúrbio são os seguintes:

  • Obesidade.
  • Armazenamento de gordura no pescoço e na base da cauda.
  • Laminite.
  • Problemas reprodutivos

Hiperlipidemia equina

Hiperlipidemia são distúrbios que causam níveis elevados de lipídios no sangue. Esse problema é causado porque o corpo começa a quebrar a gordura para atender à sua demanda de energia. No entanto, os sinais hormonais que controlam o processo fazem com que mais ácidos graxos sejam liberados na forma de triglicerídeos. Por causa disso, o fígado sofre com o excesso de gordura.

Esse problema costuma ser raro em cavalos, mas tem uma prevalência entre 3 e 11% em raças pequenas (pôneis) e burros. Além disso, a maioria desses casos surge como consequência de doenças preexistentes. Alguns dos sinais clínicos mais óbvios estão listados abaixo:

  • Anorexia.
  • Letargia
  • Depressão.
  • Adipsia (falta de sede).
  • Fraqueza muscular.
  • Insuficiência hepática (casos graves).
  • Icterícia.
  • Febre.
  • Diarreia.
O olho de um cavalo branco.

Os distúrbios hormonais em cavalos podem levar a doenças graves a longo prazo. Por esse motivo, é necessário estar atento a qualquer comportamento estranho do equino. Lembre-se de que algumas síndromes não têm cura, portanto, precisarão de tratamento por toda a vida. Se você deseja dar ao seu cavalo a melhor qualidade de vida, siga as instruções do veterinário.

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