Falharam os planos de recuperação das vaquitas

· agosto 24, 2018

A vaquita é um cetáceo parecido com o golfinho que vive no golfo da Califórnia (México). Há muito tempo já se alertava que sua população vinha diminuindo, e há 40 anos começaram os planos para proteger a espécie. Eles não trouxeram os resultados esperados e a vaquita está em perigo crítico de extinção.

Características das vaquitas

A vaquita é um mamífero marinho, um cetáceo que vive somente no golfo da Califórnia, no México. Especificamente, vive nas águas menos profundas e raramente se afasta da costa.

Trata-se de um dos menores cetáceos do mundo, cujos exemplares geralmente medem cerca de 1,50 m de comprimento e pesam até 50 quilos. Podemos dizer que os maiores animais que habitam nosso planeta são cetáceos, como as baleias azuis. Por isso, é surpreendente o quão pequenas são as vaquitas, que nesse sentido se parecem muito com os golfinhos.

Sobre seu aspecto, é preciso dizer que sua cor é cinza escuro na parte superior do corpo, e vai clareando até chegar à barriga branca.

Além disso, as barbatanas são proporcionalmente maiores do que no resto dos cetáceos, e seu lábios têm uma forma muito característica.

Já sobre o comportamento, é muito difícil vê-las no ambiente natural: sobem apenas rapidamente à superfície para respirar e voltam a mergulhar. Sobre a alimentação, as vaquitas são predadoras: sua dieta se baseia em peixes e camarões, e localiza suas presas graças a seu sistema de eco localização.

A história da recuperação das vaquitas

Há 40 anos, alertou-se pela primeira vez sobre o perigo que essa espécie corria e começaram os primeiros planos de recuperação das vaquitas. No entanto, foi durante a década de 1990 que a espécie foi declarada em perigo de extinção, e somaram-se esforços no mundo inteiro para evitar a tragédia.

Como são tímidas e passam quase o tempo todo submersas, acaba sendo complicado estudar esse cetáceo. O tamanho da população sempre foi estimado: em 1997, dizia-se que havia 560 vaquitas, enquanto que em 2000, acreditava-se que só viviam algo entre 100 e 300 indivíduos.

Tentando protegê-las, o golfo da Califórnia foi transformado numa Reserva da Biosfera. Depois, o lugar foi chamado de Área de Refúgio da Vaquita. Desde 2013, muitas outras ações foram feitas para salvá-la: mudar as profissões dos pescadores que provocam a morte de muitas vaquitas, tentar fomentar o turismo de observação, etc.

Já em 2017, colocou-se em prática um plano de recuperação mais desesperado, já que se dizia que só restavam 30 com vida. A ideia era capturar todas as vaquitas vivas e protegê-las em cativeiro. Assim, tentariam reproduzi-las e, quando a população aumentasse, ela seriam liberadas. Mas essa alternativa também fracassou.

As falhas do plano de proteção das vaquitas

Infelizmente, nenhum dos planos funcionou. Os pescadores locais que mudaram de trabalho fracassaram. Enquanto isso, o turismo de observação não teve êxito, com procura abaixo do previsto.

A questão é que se sabe muito pouco sobre as vaquitas. Na verdade, desconhecia-se o nível de docilidade desses animais, e se elas suportariam estar em contato com humanos. Colocar o último plano em prática foi uma medida desesperada, que teve que ser feita quase às cegas.

As duas primeiras que foram resgatadas para serem levadas ao cativeiro não poderiam sobreviver: a primeira era uma filhote, que morreria sem os cuidados da mãe. A segunda morreu durante o translado e a instalação, acredita-se que pelo estresse causado durante a captura.vaquitas

Fonte: Paula Olson

Os cientistas não encontraram outra solução para evitar sua extinção. Muitos já aceitaram que verão as vaquitas desaparecerem, já que não se sabe o suficiente sobre elas para ajudá-las na reprodução. Além disso, seu habitat não pode ser mais protegido.

Causas do perigo de extinção

Como em todos os casos de extinção, há muitas causas que levaram a esse problema:

A maior causa da morte das vaquitas é que elas ficam presas em redes de pesca ilegais para a captura do peixe totoaba. A captura desse peixe também é ilegal, já que ele está em perigo de extinção e é protegido. Mas por ser muito apreciado e caro em certas partes da Ásia, a pesca ilegal continua.

Outras causas da queda no número de vaquitas podem ser encontradas na diminuição da qualidade do alimento que elas ingerem: o represamento do rio Colorado afetou a quantidade e qualidade de suas presas.

As vaquitas não vivem em grupos sociais e querem ser independentes É por isso que, quanto menos delas existirem, mais difícil será encontrá-las para fazê-las se reproduzir. Além disso, a gravidez nesta espécie acontece apenas uma vez por ano, e nasce apenas um filhote por vez. Assim, sua capacidade de reprodução é muito pequena.

Por fim, alguns cientistas desistiram dos planos de recuperação das vaquitas, e portanto estamos assistindo ao desaparecimento da espécie. Outros ainda tentam, como último esforço, fazer algo que as ajude, mas ao que parece, logo as vaquitas serão mais uma raça extinta.

Fonte das imagens: Paula Olson