Flor-cadáver: a planta que captura insetos para se reproduzir

Saiba como a flor-cadáver atrai insetos em sua fase de reprodução e conheça suas principais características.
Flor-cadáver: a planta que captura insetos para se reproduzir

Última atualização: 11 Abril, 2021

A flor-cadáver é reconhecida por seu tamanho gigante e seu cheiro peculiar, com o qual atrai insetos para se reproduzir. Essas características marcantes sempre chamaram a atenção do público e da mídia.

Essa espécie única também produz a maior flor não ramificada do mundo. Sem ter que se distribuir em ramos, essa planta herbácea gera muitas flores: dentro do que se vê como uma única flor gigante, existem muitas outras. Continue lendo, pois essa espécie guarda várias surpresas.

Descoberta e novidades

A jarro-titã ou flor-cadáver – cujo nome científico é Amorphophallus titanum – foi descoberta em 1878 em Sumatra (Indonésia) pelo botânico italiano Odoardo Beccari, de acordo com a Universidade Estatal Stephen F. Austin

A Universidade de Firenze a classificou como uma planta herbácea que possui uma folha grande como a folhagem de uma árvore e um caule que parece um tronco, que pode crescer até 6 metros de altura. Deve-se destacar que esse caule é subterrâneo e pode atingir 80 centímetros de diâmetro e pesar até 70 quilos.

Seu descobridor, Odoardo Beccari, explorou as florestas indonésias por muitos anos e enviou sementes germinadas para jardins botânicos na Europa. Graças a esse botânico, essa espécie ainda está protegida em várias partes do mundo, porque – infelizmente – está em perigo de extinção.

Uma flor de cadáver aberta.

O cheiro fétido da flor-cadáver

O odor é um dos elementos mais importantes para as plantas quando se trata de atrair polinizadores e nem todos esses aromas são frutados, doces e frescos. Um claro exemplo dessa disparidade é o cheiro que a flor-cadáver exala ao desabrochar, pois produz a fragrância de um organismo em decomposição ou simula o cheiro de carne podre.

Os aromas florais são produto de combinações e concentrações de compostos únicos em cada planta.

Suas duas fases

Jardins botânicos em todo o mundo detalham o ciclo de vida dessa planta, dividido em suas fases: o estado vegetativo e o estado reprodutivo, conforme indicado pelo Centro de Pesquisa Científica de Yucatan .

Na primeira fase, desenvolve-se uma única folha, semelhante a um guarda-chuva fechado, que pode medir até 5 metros de altura. Essa folha é capaz de viver cerca de um ano e quando morre tem duas opções: produzir outra folha ou florescer.

Na segunda fase, uma grande folha ou flor verde e roxa – conhecida como espata – envolve muitas flores, uma inflorescência conhecida como espádice. Dentro dessa inflorescência existem flores unissexuais: as masculinas estão localizadas na parte superior e as femininas na parte inferior.

Como o odor é produzido?

Nessa fase de reprodução, outras duas etapas ocorrem: na primeira noite, as flores femininas estão prontas para serem polinizadas e, na noite seguinte, o pólen das flores masculinas está pronto para ser transferido, polinizando outros indivíduos. Esse evento é conhecido como polinização cruzada.

Os polinizadores chegam à flor-cadáver graças ao aroma que ela produz. Durante a primeira noite, a espádice pode gerar temperaturas de 36 a 38 ºC e é esse calor que permite à flor expandir seu perfume, com o qual atrai polinizadores – moscas em sua maioria. É um evento fascinante, pois é uma das poucas plantas capazes de gerar calor.

Depois de atrair os polinizadores, a espata se fecha, deixando as moscas presas. Isso permite que as flores femininas sejam polinizadas e as masculinas liberem pólen por meio das moscas, quando a espata reabre na noite seguinte.

A capacidade de produzir calor é conhecida no mundo animal como termogênese.

A flor-cadáver floresce com que frequência?

Todo esse processo explicado acima requer um grande gasto de energia. É por isso que a maior flor não ramificada do mundo só floresce uma vez por ano. No entando, há fontes que afirmam que essa planta gera inflorescências a cada 4 e até 10 anos.

É por isso que cada florescimento da flor-cadáver é um espetáculo documentado por vários jardins botânicos ao redor do mundo cada vez que ocorre. Um exemplo disso é o Botanical Gardens da Universidade de Bonn -na Alemanha-, que desde 1937 documentou 14 florações, de acordo com o Centro de Pesquisa Científica de Yucatan.

Uma flor cadavérica.

Como você deve ter observado, não são apenas os animais que possuem técnicas reprodutivas fascinantes. Algumas plantas como essa despertam o interesse de botânicos e curiosos, pois seu mecanismo de polinização é tão intrincado quanto difícil de ver. Infelizmente, essa bela e curiosa espécie está em perigo.

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