Os gatos também podem sofrer de problemas de separação

A ansiedade de separação em gatos é um problema que deve ser resolvido o mais rápido possível. Aqui estão algumas dicas para fazer isso.
Os gatos também podem sofrer de problemas de separação

Última atualização: 25 Outubro, 2021

Os problemas de separação em cães são um tópico bem estudado, mas não foram investigados tanto no mundo felino. Sua reputação de animais independentes e distantes disseminou a sensação de que a ansiedade não existe em gatos, mas não é assim.

Está mais do que provado que os gatos domésticos criam um vínculo com seus tutores, por isso não é surpreendente que eles também possam desenvolver problemas relacionados ao apego. Isso é exemplificado pelos quadros de ansiedade de separação em gatos, recentemente estudados em profundidade por um grupo de cientistas. Aqui vamos falar mais sobre isso.

O que é a ansiedade de separação?

A ansiedade de separação é o sentimento de angústia e preocupação excessivas na ausência de outro animal. Pode ocorrer em qualquer espécie social, sendo mais comum nas domesticadas, como cães e gatos.

No caso específico dos gatos, o felino sente ansiedade toda vez que se separa de seu tutor ou de outro animal com o qual convive, coespecífico ou não. Os cães que tendem a passar o dia todo com seu humano e mostram intensa afeição são geralmente mais propensos à ansiedade de separação.

Um gato de pêlo curto.

Como a ansiedade se manifesta em gatos?

Reconhecer os sintomas de ansiedade em gatos não é útil apenas para identificar o distúrbio em questão. Sua identificação pode ser aplicada a muitos outros contextos, como o estresse de uma mudança ou a inquietação de entrar na casa de outro animal. A seguir você encontra os sinais mais comuns de que seu gato pode estar sentindo ansiedade:

  • Vocalizações exageradas e contínuas: choro, miado e gemido, entre outros.
  • Fezes anormais e vômitos fora da caixa de areia: tapetes, objetos pessoais ou sofás são alguns dos locais que os felinos com esse transtorno podem escolher para se aliviarem.
  • Comportamento destrutivo: não é que o gato afie as unhas no sofá, ele o destrói de propósito. Esse comportamento também pode ter como alvo outros móveis.
  • Higienização excessiva: os gatos liberam sua tensão lambendo, mas quando o fazem por muito tempo ou ocorre alopecia, é motivo de preocupação.

Ansiedade de separação em gatos

No caso específico da separação gato-tutor os sinais de ansiedade são um pouco mais específicos. Os comportamentos descritos acima ocorrem em 2 momentos diferentes:

  1. Quando o tutor se prepara para sair: o gato sabe quais são os sinais que precedem a saída de seu humano, como vê-lo trocar de roupa ou colocar os sapatos. Nesse momento, predominam os comportamentos de apego, como vocalizações e gestos afetuosos.
  2. Quando o gato é deixado sozinho: nesse momento, aparecem as fezes anormais e os comportamentos destrutivos. As vocalizações excessivas também são comuns (embora ninguém possa ouvi-las).

Um estudo publicado em 2020 investigou essa questão devido ao período de quarentena necessário por causa da COVID-19, uma vez que muitos animais de estimação se acostumaram a ficar com seus tutores em casa permanentemente nessa situação excepcional. Aproveitando esse cenário, foram avaliados os comportamentos de apego e ansiedade de 223 gatos domésticos.

Os resultados foram reveladores: comportamentos como destrutividade, vocalização excessiva e micção ou defecação inadequada foram encontrados em 13,45% dos gatos na ausência dos tutores. Nesse grupo, os sinais de ansiedade de separação foram significativos.

No entanto, considerou-se que nesse estudo os tutores poderiam dar respostas tendenciosas no questionário e que uma validação observacional do comportamento dos animais seria necessária.

Como ajudar seu gato a superar a ansiedade?

O que fazer se você estiver nessa situação? Muitos tutores saem de casa com medo do que possam encontrar quando voltarem e sofrem com o desconforto do gato. Se o problema ainda for pequeno no seu caso, aqui estão algumas dicas para ajudar seu felino com ansiedade:

  • Coloque uma música tranquila antes de sair: de preferência sons criados especificamente para gatos e que se mostraram eficazes em acalmá-los.
  • Tente associar os objetos que desencadeiam a ansiedade do seu gato com coisas positivas: por exemplo, se o felino ficar chateado ao vê-lo calçar os sapatos, deixe-os com antecedência ao lado de uma guloseima ou brinquedo.
  • Dessensibilize os estímulos estressantes: se o gato ficar ansioso quando você pegar as chaves, pegue-as e solte-as várias vezes ao dia. Dessa forma, você fará com que ele pare de associá-las à sua saída.
  • Simule falsas saídas: abra, saia, entre e feche a porta de sua casa em momentos aleatórios. Esse é outro exercício de dessensibilização, mas tem melhor efeito depois de ter trabalhado os sinais prévios à sua saída.
  • Distraia-o antes de sair: antes de sair, espalhe comida seca ou petiscos pela casa. Isso garantirá que o gato se concentre em procurá-los e não perceba que você saiu de casa. Jogos de inteligência também são uma boa opção.
  • Peça a outro membro da família que preste atenção no bichinho ao sair: assim você diminui a sensação de abandono que a sua saída gera no gato. Além disso, mimos e jogos acalmarão sua ansiedade.
  • Passe momentos de qualidade com o seu gato: se o amor e a brincadeira estiverem presentes no dia a dia, será mais fácil para o felino sentir que você sempre voltará, na medida em que demonstrar seu carinho.
  • Crie rotinas: seguir horários rígidos para refeições, limpeza ou brincadeiras ajudará o gato a sentir que sua saída faz parte dessa rotina, assim como seu retorno. Subtrair a incerteza da vida do seu gato é sempre uma ajuda para a sua saúde mental.
Um exemplo de academia para gatos.

Por último (mas não menos importante), não castigue o seu gato. Os comportamentos alterados que ele tem são produto da sua ausência. Embora seja uma situação difícil de lidar, uma bronca nunca vai resolver o que a paciência e o reforço positivo fazem. Se você descobrir que não consegue lidar com esse quadro sozinho, não hesite em consultar um profissional.

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