O impacto das selfies com as preguiças

· maio 17, 2019
O turismo de vida selvagem que permite tocar os animais tem crescido. Um estudo adverte sobre as consequências perigosas das selfies com as preguiças.

Entre as fotos absurdas e perigosas que fazemos com animais silvestres, destacam-se as selfies com preguiças que muitos turistas tiram em regiões tropicais do continente americano. Um estudo recente ressaltou o impacto que estas selfies têm nestes animais.

Anualmente há relatos da extração de centenas de espécimes de preguiças da natureza. Normalmente, esses animais são capturados em áreas desflorestadas do Brasil e da Colômbia, onde são usadas ​​como animais de estimação, comida ou para protagonizar as famosas selfies com as preguiças que são feitas em lugares como a Amazônia.

Um estudo revelou os perigos das selfies com as preguiças

O estudo se concentrou nas chamadas preguiças-comuns, as espécies mais populares de preguiça. Falamos de um animal solitário que se alimenta de folhas e é muito lento, por isso sua captura para ser usado como “acessório” em selfies é simples.

Bicho-preguiça

O trabalho, publicado em novembro de 2018, consistiu na participação de pesquisadores em interações com preguiças organizadas no Brasil e no Peru. O resultado desta pesquisa em mais de 34 eventos de selfies com preguiças foi desanimador: 17 preguiças foram vistas sendo agarradas por uma média de cinco pessoas por observação.

Nesses eventos de toque nos animais, ficou provado que as preguiças eram apalpadas e, em muitos casos, eram seguradas por suas garras. Os comportamentos mais frequentes dos animais foram a vigilância e a extensão dos braços, algo que os pesquisadores relacionam com medo, ansiedade e estresse.

Turismo com animais, no centro das atenções

O turismo relacionado aos animais está cada vez mais frequente, e nesse âmbito, o que promove o contato direto com a vida selvagem é o mais criticado. Foi comprovado que esse tipo de manejo é estressante, perigoso e prejudica a conservação de muitas espécies.

O manejo de animais silvestres pode não apenas prejudicar seu bem-estar, mas também pode levar a um aumento da posse ilegal. Um estudo mostrou isso nos lóris lentos: vídeos e imagens desses animais em ambientes humanizados e sendo tocados por pessoas normalizam essas situações. São casos que lembram o de Limbani, o suposto chimpanzé resgatado, e isso deve nos fazer imaginar o que está por trás dessas imagens antes de compartilhá-las nas redes sociais. 

Preguiça na árvore

Durante os eventos observados pelos pesquisadores, as selfies com as preguiças não eram as únicas interações com animais: macacos-esquilo, jacarés, anacondas e papagaios foram outros dos animais incomodados pela febre das redes sociais.

As sessões foram gravadas para poder analisar bem o comportamento de todos os animais. Das empresas investigadas, 19 das 25 ofereciam selfies com as preguiças, o que as torna uma das espécies mais utilizadas.

Os autores do estudo refletem sobre o interesse de utilizar outras formas de mensurar o estresse, como os glicocorticóides, além de medir a quantidade de ruído, que pode estar relacionada ao estresse desses animais. Além disso, eles alertam que, embora o estudo seja preliminar, é necessário aumentar a quantidade de trabalhos que analisam as implicações para o bem-estar e conservação dessas espécies em termos de turismo de vida selvagem.

Como turistas, devemos avaliar os tipos de atividades das quais participamos quando queremos observar a vida selvagem, e escolher aquelas em que os animais não são tocados e podemos vê-los em boas condições, se possível, em seu habitat natural.

  • Carder, G., Plese, T., Machado, F., Paterson, S., Matthews, N., McAnea, L., & D’Cruze, N. (2018). The Impact of ‘Selfie’Tourism on the Behaviour and Welfare of Brown-Throated Three-Toed Sloths. Animals8(11), 216.