Leishmaniose em gatos: causas e tratamento

outubro 17, 2019
A leishmaniose é uma infecção causada por um parasita pertencente ao gênero Leishmania; é capaz de infectar vários hospedeiros vertebrados por meio de vetores invertebrados, geralmente os mosquitos do gênero Phlebotomus ou Lutzomyia.

A leishmaniose felina é uma doença causada pelo parasita Leishmania infantum nos gatos. Esta doença parasitária foi observada em diferentes espécies e é causada por integrantes do gênero Leishmania.

O que é a leishmaniose?

A leishmaniose integra um conjunto de manifestações clínicas provocadas por diferentes espécies do gênero Leishmania. A doença pode se apresentar de diferentes maneiras:

  • Cutânea (localizada ou difusa).
  • Mucocutânea.
  • Visceral.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), os parasitas causadores da leishmaniose estão distribuídos pela América do Norte e América do Sul, Europa, África e Ásia. Além disso, também foi registrado que eles são endêmicos das regiões tropicais e subtropicais.

Causas da leishmaniose em gatos

O parasita responsável pela leishmaniose felina (LF) é o Leishmania infantum. Este protozoário parasita requer a presença de um vetor para que seja transmitido a outras espécies de vertebrados.

Os vetores geralmente pertencem ao gênero Phlebotomus, se forem encontrados na Europa, Ásia e África, ou ao gênero Lutzomyia se forem encontrados nas Américas.

Acredita-se que os flebótomos sejam os principais transmissores da doença para os felinos. Os gatos são infectados quando o mosquito se alimenta do seu sangue. Da mesma forma, flebótomos não portadores são infectados após se alimentarem de felinos infectados.

Assim, gatos infectados podem atuar como um reservatório adicional para o L. infantum.

O ciclo biológico do protozoário é complexo: apresenta uma série de alterações morfológicas, de acordo com o hospedeiro em que é encontrado. Os mosquitos infectam o hospedeiro vertebrado com o protozoário na forma de promastigotas.

Após a inoculação, os macrófagos do hospedeiro fagocitam os promastigotas. Assim, dentro dos macrófagos, eles se tornam amastigotas.

Causas da leishmaniose

 

Fatores de incidência

Diferentes fatores podem influenciar o aumento do impacto dessa zoonose parasitária. Entre esses fatores, podemos mencionar:

  • Número de vetores infectados.
  • Densidade dos flebótomos (mosquito que atua como vetor de transmissão).
  • Densidade dos hospedeiros.
  • Surgimento de novos portadores na área geográfica.
  • Fatores climáticos. Mais especificamente, a temperatura ambiente e a umidade.

Sintomas

Os sinais mais frequentes que se manifestam com esta doença são lesões cutâneas ou mucocutâneas observadas na cabeça ou nas extremidades distais. Também é possível observar linfadenomegalia (linfonodos inflamados).

As lesões menos frequentes são as oculares, orais ou o emagrecimento. Às vezes, é possível observar icterícia, febre, vômito, diarreia, desidratação, entre outros sintomas.

De qualquer forma, diante de qualquer indício de suspeita clínica, é importante fazer um hemograma completo e um perfil bioquímico, juntamente com um exame de urina. Além disso, para confirmar a presença parasitária, será necessária uma cultura de laboratório.

Tratamento da leishmaniose em gatos

Atualmente, ainda não foram encontrados estudos controlados sobre o tratamento da LF. Geralmente, os profissionais prescrevem o mesmo medicamento recomendado para os cães.

O medicamento administrado com maior frequência é o alopurinol. No entanto, uma combinação de alopurinol com antimoniato de meglumina também pode ser prescrita.

Este é o medicamento que foi indicado em estudos; apesar disso, o profissional decidirá qual é o melhor procedimento.

Durante o período de administração do tratamento, os gatos devem ser monitorados para descartar quaisquer reações adversas. Nesse caso, o veterinário decidirá como lidar com a situação.

Recomenda-se a confirmação parasitológica antes de indicar qualquer tratamento que os pacientes devam seguir.

Mosquito transmissor da leishmaniose

Dicas para a prevenção

Para evitar a leishmaniose em animais de estimação, os veterinários e profissionais especializados sugerem uma série de recomendações. Algumas delas são:

  • Durante o ano, existem duas épocas nas quais o risco de transmissão se multiplica: final de junho e início de julho, bem como final de setembro e início de outubro.
  • Foi registrado um maior número de casos em gatos imunocomprometidos, seja por sofrerem do vírus da imunodeficiência felina (FIV), vírus da leucemia felina (FeLV) ou outras doenças.
  • O uso de inseticidas tópicos pode ser recomendado, embora a sua eficácia ainda não tenha sido comprovada.

Conclusões sobre a leishmaniose em gatos

A leishmaniose em gatos é ocasional, uma vez que o registro de casos é menor do que o observado nos cães.

Porém, isso não significa que os gatos sejam mais resistentes à L. infantum, mas sim que é possível que essa doença esteja subdiagnosticada em felinos, já que ela pode ser confundida com outras doenças e ser menos conhecida pelos veterinários do que a leishmaniose canina.

De fato, a leishmaniose também já foi observada em humanos. Considera-se que cerca de 20 espécies de Leishmania sejam responsáveis pelas infecções em humanos.