O corvo na cultura popular

· fevereiro 27, 2018

O corvo grande é uma espécie icônica que pertence aos corvidae, um grupo de pássaros muito inteligentes. Esta espécie é a que tem a maior distribuição de todos os corvidae, porque se desenvolve no Ártico, na Europa, na América do Norte, na África, na Inglaterra e no Everest.

O corvo se distribuiu bem pelo mundo porque é muito inteligente: ele se aproximava dos assentamentos humanos para tirar proveito de nossos restos, o que o torna um animal próximo a diversas culturas em todo o mundo. Isso permitiu, ao longo dos séculos, que o corvo encontrasse seu lugar em lendas, histórias e livros conhecidos por todos nós.

Este pássaro aparece mencionado em muitos livros religiosos, principalmente na Bíblia. Nele, utiliza-se este pássaro para procurar terra e verificar o nível das águas e, além disso, são os corvos que salvaram o profeta Elias da fome. Eles também são uma divindade para os esquimós.

Os corvos na mitologia nórdica

No entanto, são oos povos vikings foram os que fizeram as maiores referências sobre esta espécie. Um dos mais famosos, Ragnar Lodbrok, tinha essa espécie como um estandarte; o corvo aparece em uma multidão de bandeiras e brasões, já que estava associado a uma de suas principais divindades, Odin.

Corvo preto

Fonte: Diego Delso

Na mitologia nórdica, Odin é acompanhado por dois corvos: Hugin, que simboliza o pensamento, e Munin, que representa a memória. Estes corvos informavam ao Senhor dos deuses nórdicos sobre tudo o que acontecia em seus reinos.

Acredita-se que eles também se apresentavam como uma representação das Valquírias, que conduziam ao paraíso nórdico, conhecido como Valhalla, o combatente de guerra morto durante uma batalha. E faz muito sentido, dado que, em busca de comida, os corvos enchem os campos de batalha.

Na mitologia nórdica, Odin é acompanhado por dois corvos:
Hugin, que simboliza o pensamento, e Munin, que representa a memória.

Outras lendas europeias sobre o corvo

Para os celtas, os corvos também estavam associados aos campos de batalha e de guerra e, especialmente, com Morrigan, a deusa da morte, que poderia assumir a forma de um corvo. Este poder também era possuído por Badb, deusa da guerra, que também podia se tornar lobo. Ambas aproveitavam as guerras dos homens, assim como os corvos fazem.

Estas aves aparecem em muitas lendas e mitos das culturas europeias. Um dos mais impressionantes é o de Federico Barbarroja, um antigo rei alemão que estava dormindo nas montanhas da Turíngia (Alemanha), e que foi acordado quando os corvos pararam de voar pela montanha.

Para os gregos, Apollo é o culpado da cor preta do corvo. Segundo eles, antes os corvos eram brancos, mas depois que falharam na vigilância de Coronis, amante de Apollo, este os vestiu de preto para sempre.

A monarquia britânica, ameaçada pelos corvos

Uma das lendas mais curiosas é aquela que diz que a Inglaterra e sua monarquia cairão no dia em que não houver mais corvos na Torre de Londres. A verdade é que, depois disso, muitas lendas surgiram. Alguns dizem que eles foram para lá por causa da presença de cadáveres e, de fato, eles são mencionados em execuções históricas, como a de Ana Bolena e de Juana Gray.

Corvos sobre pedra

Fonte: Sigurður Atlason.

Outra lenda diz que suas asas foram cortadas para que um astrônomo pudesse trabalhar sem que os voos dessas aves o impedissem de ver o céu. E dizem até mesmo que o próprio Carlos II os perdoou e os manteve na Torre de Londres após um grande incêndio.

A verdade é que já há algum tempo não há mais corvos selvagens em Londres, e aqueles na torre são mantidos em cativeiro. Na verdade, na Segunda Guerra Mundial, apenas um sobreviveu ao bombardeio, e o próprio Winston Churchill ordenou para que fossem trazidos mais. Os corvos da Torre de Londres foram então catalogados como se fossem soldados do Reino. Eles podiam ser rebaixados, expulsos do exército e possuíam até mesmo seus próprios cartões de certificação.

Reis da literatura

Os corvos aparecem em várias obras literárias. Eles são protagonistas de um poema de Allan Poe, fábulas de Esopo e, também, em histórias de Charles Dickens. Fazem parte do simbolismo de Erebor em The Hobbit e têm um papel central na série “Game of Thrones”, onde são um canal de comunicação e representam o “Night’s Watch”.

Para completar, o corvo também aparece nos livros de Stephen King, Asimov e, até mesmo, como o animal de uma das casas de Harry Potter. Sem dúvida, ele ganhou um papel de destaque em muitas obras literárias.

Fonte das imagens: Brocken Inaglory, Diego Delso e Sigurður Atlason.