O que é aposematismo?

· fevereiro 14, 2019
O aposematismo é um mecanismo de defesa muito comum entre insetos, répteis e anfíbios, que adverte e alerta outros animais por meio de características marcantes aos sentidos. Em outras palavras, sinais que alertam os predadores de que eles estão na presença de um animal potencialmente venenoso. 

O aposematismo apresenta-se geralmente de maneira visual mediante a coloração brilhante dos animais. Normalmente, os animais mais brilhantes são aqueles que possuem glândulas venenosas mais letais. Outra forma de aposematismo é através da emissão de sons, como o aviso sonoro das cascavéis.

A palavra aposematismo é composta de duas raízes gregas: ‘apo’, que significa longe ou distante, e ‘sema’, que significa sinal.

Portanto, o aposematismo é o oposto das técnicas de camuflagem e atração de certas espécies.

Como o aposematismo funciona em animais

O aposematismo nos animais é quase sempre defensivo: adverte os predadores de que eles estão diante de um animal perigoso.

Para que esses sinais de advertência sejam efetivos, deve haver conhecimento prévio por parte do atacante sobre o sinal visual ou sonoro que a possível presa venenosa emite.

Esse conhecimento pode ser instintivo. Isto é, uma reação herdada ou de prevenção; aprendida por uma experiência ruim anterior.

O aposematismo é um mecanismo de defesa extremamente eficaz, pois o animal que conta com essas características não precisa desenvolver outro tipo de ação ou estratégia.

Apenas emite os sinais de alerta, sem a necessidade de gastar energia. Por esta razão, os animais com aposematismo estão livres de predadores, embora haja exceções, como espécies adaptadas que são imunes a certos tipos de venenos.

Alguns animais não-venenosos adotam a aparência de animais com aposematismo. Isso é conhecido como mimetismo, e é outro tipo de mecanismo de defesa.

Desta forma, eles fazem com que os predadores acreditem que eles são animais perigosos por causa de sua cor brilhante, mas na realidade eles são inofensivos.

Um bom exemplo disso são as falsas cobras corais, que compartilham as mesmas cores das reais, mas em uma ordem diferente.

falsa cobra coral

O aposematismo também está presente em algumas plantas, embora seja um fenômeno raro.

Algumas plantas que são relativamente tóxicas, com sabor ruim ou com espinhos, chamam a atenção para alertar os consumidores de que não são comestíveis.

Alguns animais com aposematismo

As espécies de aposematismo mais comuns e conhecidas são vespas e abelhas. Elas apresentam um padrão de anéis de cores amarelas e pretas claramente visíveis.

Anunciam a todos os animais que possuem uma picada venenosa, que elas não hesitam em usar quando se sentem em perigo ou quando seu favo de mel é atacado.

As lagartas também se aproveitam de sua coloração para não serem consumidas por seus predadores naturais.

Por esta razão, existe uma grande variedade de cores e formas em todas as variedades de lagartas. Isso ocorre devido a presença de toxinas que se acumulam em seu corpo, por elas consumirem algumas plantas com substâncias tóxicas ou gosto ruim.

lagarta na folha

As rãs-dardo-venoso (Dendrobatidae) são outros exemplos de animais com aposematismo. Advertem que são venenosas através de suas colorações marcantes e brilhantes.

Elas acumulam substâncias extremamente venenosas em toda a pele. Seu habitat se estende por toda a América Central e do Sul.

rã dardo venenoso

Cobras corais são outro exemplo de animais com aposematismo. São um grupo de cobras com anéis coloridos e são extremamente venenosas.

As mais conhecidas são aquelas que possuem a seguinte ordem de anéis: vermelho, preto e branco. Elas habitam as regiões tropicais, ambas da América, com 73 espécies, e da Europa, com 16 espécies.

cobra coral

O peixe-leão (Pterois antennata), que vive nos oceanos Índico e Pacífico, é um animal com aposematismo; porque se destaca por suas marcantes listras vermelhas e brancas, e por sua aparência curiosa e ameaçadora.

peixe-leão

Os espinhos que se projetam de suas barbatanas dorsais têm glândulas venenosas que contêm um poderoso veneno capaz de afetar gravemente os grandes mamíferos.

Mappes, J.; Marples, N. &  J. Endler (2005). "The complex business of survival by aposematism". Trends in Ecology & Evolution, Vol. 20, N° 11: 598-603.