O uso de corticoides em cães

· março 14, 2018

A administração de corticoides em cães é recomendada para diversas patologias crônicas e certas deficiências metabólicas. No entanto, sua eficiência é objeto de muitas controvérsias por culpa de seus efeitos adversos no organismo do animal — e também de pessoas.

A seguir, saberemos mais sobre os medicamentos corticoides, seus riscos e benefícios para a saúde de nossos melhores amigos.

O que são os corticoides?

Pertencentes ao grupo de hormônios chamados esteroides, o organismo de humanos e de cães libera naturalmente doses moderadas de certos corticoides, como o cortisol (hidrocortisona) e a corticosterona. Estes hormônios são produzidos no córtex das glândulas suprarrenais, o que explica seus nomes.

A função orgânica dos corticoides está associada ao controle de situações de estresse ou ansiedade. Nestes casos, pequenas doses são segregadas na corrente sanguínea para gerar uma resposta rápida.

Cachorro tomando injeção

No entanto, sua utilização farmacológica deve-se à potente ação anti-inflamatória. Os corticoides impedem o acúmulo de células inflamatórias nas zonas afetadas, revertendo os sintomas.

Uso de corticoides em cães: para quais doenças eles são recomendados?

Os corticoides podem ser administrados por via oral (comprimidos), aplicação tópica (pomadas e cremes), inalações e injeções. A forma de aplicação deve ser a recomendada pelo veterinário, e depende da doença que se deseja tratar.

Sua administração visa conter o processo inflamatório e aliviar os sintomas agudos gerados pelas seguintes condições:

  • Alergias e inflamações dermatológicas
  • Transtornos metabólicos, como a insuficiência adrenocortical
  • Doenças reumáticas
  • Alergias e patologias respiratórias
  • Conjuntivites alérgicas
  • Síndrome nefrótica (renal)
  • Doenças autoimunes, como Addison e Crohn
  • Transplante de órgãos
  • Tendinites e lesões musculares inflamatórias
  • Tratamentos paliativos de neoplasias malignas

Por que o uso de corticoides em cães gera polêmica?

A princípio gera polêmica porque não são capazes de tratar a verdadeira causa da inflamação. Isto é, seu efeito é paliativo, porque só ameniza os sintomas de forma provisória.

Como não estabelecem critérios para sua ação, inibem a função imunológica dos linfócitos e macrófagos nas regiões inflamadas. Por isso, costumam ter efeitos imunossupressores que prejudicam o organismo e deixam o animal vulnerável a outras doenças.

De fato, podem ter um efeito contrário ao desejado, já que inclusive impedem a dilatação de vasos sanguíneos e a liberação de enzimas, que precisamente são cruciais para curar naturalmente a inflamação.

Efeitos secundários leves do uso de corticoides em cães

Em doses moderadas para tratamentos curtos, os corticoides podem gerar as seguintes reações:

  • Aumento da sede e do apetite
  • Tendência ao sobrepeso
  • Acúmulo de líquidos e inchaços em diferentes regiões do corpo
  • Alterações comportamentais: ansiedade, transtornos do sono, etc
  • Taquicardia e irregularidades do ritmo cardíaco
  • Mudanças de humor
  • Cicatrização lenta

Efeitos secundários crônicos do uso de corticoides em cães

Também se detectaram efeitos secundários graves derivados do uso prolongado de medicamentos corticoides em cães. Os danos podem chegar a ser crônicos, o que afetará o animal durante toda sua vida, pois requererá um tratamento permanente.

Os corticoides reduzem a produção e a liberação de suco gástrico, e é por isso que eles eliminam a principal camada protetora das paredes estomacais. Por outro lado, aumentam a secreção de ácido clorídrico, o que favorece o aparecimento de gastrites e úlceras.

Muitos animais de estimação desenvolvem problemas na fixação do cálcio, o que deixa seus ossos mais vulneráveis a doenças degenerativas, como a displasia e a artrose. Também deixa o animal mais suscetível a fraturas e traumas, em virtude do desgaste de sua massa óssea.

Além disso, encontraram-se diferentes alterações metabólicas nos animais submetidos a altas doses de corticoides. Isso inclui do desequilíbrio nos níveis de vitaminas e minerais, bem como na produção hormonal.

Os corticoides também interferem na metabolização dos carboidratos ingeridos diariamente na dieta. Como consequência, o cão pode sofrer uma hiperglicemia e desenvolver diabetes.

Dálmata

Outros efeitos secundários do uso de corticoides em cães

  • Edemas generalizados em consequência do acúmulo excessivo de líquidos na cavidade abdominal.
  • Desgaste das estruturas cardíacas e aumento do risco de um infarto de miocárdio.
  • Aumento da pressão do globo ocular, que favorece o desenvolvimento de cataratas e glaucoma.
  • Quadros severos de imunodepressão
  • Hipertensão arterial

Corticoides em cães: contraindicações

O uso de corticoides em cães diagnosticados com gastrite (ou úlcera), diabetes, doenças cardíacas e infecções, é contraindicado. Os efeitos imunossupressores poderiam levar o animal a morrer rapidamente.