As raças de gatos com menos doenças

A seleção realizada pelo ser humano é a principal culpada da persistência de certas doenças nas raças de gatos. Portanto, as variantes menos especiais geralmente são as mais saudáveis.
As raças de gatos com menos doenças

Última atualização: 12 Maio, 2021

Em geral, as raças de gatos com menos doenças são aquelas que passaram pelo menor processo de seleção genética, ou seja, as mais próximas do gato de pelo curto europeu. A seleção antrópica é o que faz com que os animais desenvolvam patologias congênitas que, de outra forma, não apareceriam na natureza ou não se reproduziriam.

Diferentemente dos cães, a seleção dos gatos na criação de novas raças sempre teve uma finalidade estética. Muitos cães têm problemas ósseos e articulares devido à sua forma física, mas isso não acontece com os gatos, salvo raras exceções. A seguir, falaremos sobre as raças de gatos que geralmente não carregam genes que causam doenças.

Gatos com menos doenças

Na maioria dos casos, as raças de gatos que apresentam problemas congênitos têm sua origem no criador. Pessoas que se dedicam à criação de raças puras podem sucumbir à tentação de cruzar animais com patologias conhecidas sem se preocupar com o bem-estar animal ou com as pessoas que irão adquirir o felino.

Assim, muitas raças de gatos tendem a sofrer de doenças, como a cardiomiopatia hipertrófica típica em gatos sphynx, ragdoll ou siamês. Na verdade, o gato siamês pode ser a raça com mais doenças hereditárias, já que é uma variedade antiga e amplamente cruzada entre membros da mesma família.

Por isso, ao adquirir um gato de raça, é fundamental conhecer o criador e a reputação que o precede. Outro problema dos criadores é que, às vezes, eles criam gatos com doenças virais que não são detectadas em um estágio precoce, mas que mais cedo ou mais tarde se manifestam. É o caso da peritonite infecciosa, calicivírus ou herpesvírus.

À primeira vista, os animais que carregam os vírus parecem totalmente saudáveis, mas devido ao estresse e a outros fatores, a doença pode se desenvolver. Tudo se resolveria se os criadores evitassem cruzar com animais doentes. A seguir, apresentamos as raças que mais estão livres dessa patologia.

Gato de pelo curto europeu

A raça de gato mais resistente a doenças é o gato de pelo curto europeu. Embora esses felinos possam desenvolver qualquer patologia como qualquer outro gato, por não estarem sujeitos à seleção humana contínua, há uma probabilidade menor de que sejam portadores de genes causadores de doenças. 

Além disso, a variabilidade genética que possuem torna esses gatos quase imunes a certas doenças ou, pelo menos, mais fortes.

 

Um pequeno gato de rua.

Gato de pelo curto inglês

Outra raça de gato bastante saudável é o gato de pelo curto inglês. Esse felino de cor cinza-claro tem uma expectativa de vida mais do que aceitável, superior a 15 anos. No entanto, pode acontecer de ser portador do gene que causa a hemofilia B, um tipo de doença do sangue que causa problemas de coagulação.

 

Uma das raças de gatos com menos doenças.

Chausie

Pouco conhecida na Europa, a raça do gatos chausie é uma das mais fortes. De acordo com a The International Cat Association (TICA), o chausie é um cruzamento natural entre um gato selvagem (Felis chaus) e gatos domésticos. Essa mistura aumenta a variabilidade genética e, com ela, a resistência a doenças.

 

Um dos gatos com menos doenças.

Nebelung

A variedade de gato nebelung também é uma raça com poucos problemas. Semelhante ao gato angorá, mas com uma pelagem cinza, o nebelung tem uma expectativa de vida entre 15 e 18 anos.

 

Um gato olha para a câmera.

O que torna essas raças mais resistentes?

Como já foi dito várias vezes, o que torna uma espécie mais forte e mais resistente a doenças – além de ter uma baixa probabilidade de desenvolver doenças hereditárias – é a variabilidade genética.

Todas as raças de gatos, como de cães, nascem do cruzamento de indivíduos intimamente relacionados, ou seja, consanguíneos. Isso reduz a variabilidade genética e as mutações negativas se acumulam ao longo das gerações.

Animais que possuem alelos recessivos deletérios — cópia do gene que só é expressa quando ambos os alelos são recessivos — podem deixar esse legado para seus descendentes. Se dois gatos irmãos forem cruzados, a probabilidade de que esses alelos sejam transmitidos para um mesmo indivíduo aumenta.

Em outras palavras, o novo gato terá apenas cópias recessivas que se expressarão e, se derem origem a uma patologia, ele e todos os seus descendentes sofrerão com isso ou serão portadores daquele alelo “prejudicial”. Essa redução da variabilidade genética leva à depressão endogâmica, o que reduz drasticamente a viabilidade de uma espécie ou raça.

Quando os cruzamentos entre gatos ocorrem aleatoriamente e a probabilidade de reprodução com um parente é quase nula, a genética da espécie melhora. Da mesma forma, também aumentam sua sobrevivência e sua saúde geral. Por todas essas razões, se você quiser ter um felino saudável, é melhor adquirir um espécime de gato de pelo curto europeu.

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