Resistência a antibióticos e pecuária

· março 13, 2019
O uso indevido por parte do homem causou resistência a antibióticos tanto na espécie humana quanto em animais.

A resistência aos antibióticos é uma questão que se torna cada vez mais preocupante a nível sanitário, razão pela qual é considerado um problema primário na saúde pública.

Apenas na Espanha, estima-se que 2,5 mil mortes por ano são causadas por resistência a antibióticos, e estima-se que estes números possam aumentar drasticamente.

O que é a resistência a antibióticos?

Para entender esse problema, precisamos entender que os antibióticos são produzidos por muitas bactérias de forma natural.

Por isso, são uma arma usada por muitas espécies de micro-organismos, da mesma forma que existem defesas contra eles, tais como a resistência aos antibióticos.

A introdução dos antibióticos durante a Segunda Guerra Mundial como drogas na medicina humana provocou um surto na quantidade de substâncias antibióticas que as bactérias devem enfrentar, o que causou uma seleção natural brutal.

Basicamente, o que acontece é que os antibióticos matam as bactérias que não são resistentes ao medicamento usado.

O uso de doses corretas para a doença permite eliminar praticamente 100% da população bacteriana.

Mas erros no tratamento podem levar à sobrevivência de uma porcentagem de bactérias com maior ou menor resistência.

Antibióticos

Isso é, ao prescrever tratamentos errados com antibióticos, encorajamos as bactérias resistentes a sobreviver.

Essas bactérias podem transmitir os genes que as ajudaram a resistir às drogas para os seus descendentes e outras bactérias.

A sucessão de tratamentos inadequados pode aumentar ainda mais essa proteção, criando bactérias super resistentes.

Resistência a antibióticos na veterinária

A saúde humana tem desempenhado um grande papel na disseminação de resistência a antibióticos.

O tratamento de doenças virais com antibióticos pode levar a esse problema, pois esses medicamentos devem ser usados para tratar apenas doenças bacterianas.

Ou quando os pacientes não seguem as orientações médicas corretamente, ou o uso de comprimidos antigos de outros tratamentos são práticas que também têm ajudado a fomentar esse fenômeno.

No entanto, é certo que a resistência aos antibióticos também tem uma origem na veterinária, tanto dos animais de estimação como, principalmente, do gado.

Isso porque algumas indústrias costumam administrar antibióticos no gado como uma medida preventiva.

É possível tratar infecções e outras doenças em bovinos com mais cautela, e a Espanha é, junto com o Chipre e a Itália, um dos países que mais administra antibióticos em animais.

Ovino tomando injeção

Existem várias ferramentas de defesa que foram implementadas tanto no nível da saúde humana como da saúde veterinária no momento de combater a resistência aos antibióticos.

Da Rede de Vigilância Veterinária de Resistência Antimicrobiana, criada em Madri, ao Plano Nacional de Resistência aos Antibióticos ou PRAN, juntamente com agências, como o ECDC, a OMS ou a EFSA.

Mais sobre a resistência

A partir dessas instituições e de planos estratégicos, tentamos levar a medicina humana e veterinária a um uso mais racional dos antibióticos, por meio da colaboração entre médicos veterinários.

Primeiro, é vital monitorar o uso desses medicamentos tanto na medicina humana quanto na saúde animal, além de fazê-lo com o surgimento da resistência antimicrobiana.

Por outro lado, organizações como a OMS alertam que é preciso identificar antibióticos críticos, aqueles que são importantes para o tratamento de bactérias multirresistentes, e limitar seu uso quando não são estritamente necessários.

O controle dessas resistências é feito a partir de múltiplas frentes: redes de laboratórios, promoção de testes de identificação, diagnóstico e de sensibilidade ou criação de guias de boas práticas.

A melhora das medidas de higiene e biossegurança permitiria reduzir as infecções, o que otimizaria o uso de antibióticos.

E é por isso que deve existir informação e educação sobre o uso responsável e respeito tanto das diretrizes dos nossos médicos ao nos tratar, como em relação aos veterinários ao tratar os nossos animais de estimação.

E, acima de tudo, não cair em pseudociências como a homeopatia, que não causam resistência porque não possuem efeito.

  • Mathew, A. G., Cissell, R., & Liamthong, S. (2007). Antibiotic resistance in bacteria associated with food animals: a United States perspective of livestock production. Foodborne pathogens and disease4(2), 115-133.