Ressonância magnética em animais de estimação

Existem muitos métodos diagnósticos que permitem que médicos e veterinários detectem uma patologia em um ser vivo. A ressonância magnética talvez seja um dos mais importantes.
Ressonância magnética em animais de estimação

Última atualização: 21 Abril, 2021

Existem vários métodos que servem como ferramentas para que os médicos veterinários possam exercer sua profissão. Essas técnicas têm como objetivo facilitar o diagnóstico definitivo nos diversos casos clínicos que aparecem para consulta. Sem dúvida, a ressonância magnética (RM) é uma das mais importantes.

A ressonância magnética é uma ferramenta moderna que se tornou popular há poucos anos, durante os quais foram observadas as excelentes contribuições que traz para a área clínica veterinária. Convidamos você a continuar essa leitura para descobrir como a ressonância magnética atua no diagnóstico dos animais de estimação.

O que é a ressonância magnética (RM)?

A ressonância magnética é uma técnica diagnóstica baseada na utilização de campos magnéticos e ondas de radiofrequência na forma de pulsos, na qual são obtidas imagens muito nítidas das partes do corpo analisadas. Além disso, permite observar o interior dos tecidos, o que facilita muito o diagnóstico de animais de estimação e humanos doentes.

Dentre as vantagens da RM, destacam-se as seguintes:

  • Graças ao uso de cortes tomográficos, não há sobreposição de estruturas.
  • Ao contrário dos raios X e da tomografia axial computadorizada, a ressonância magnética não utiliza radiação ionizante, por isso é considerada uma alternativa diagnóstica inócua.
  • Produz imagens em 2 e 3 dimensões em qualquer plano, sem a necessidade de reposicionar ou movimentar o animal. Assim, evita-se causar qualquer lesão no paciente e obtém-se uma melhor resolução espacial.
  • Não é invasiva ou traumática.
  • Fornece informações morfológicas e funcionais.
  • Permite observar detalhadamente a composição das lesões e realiza um excelente contraste com os tecidos moles.
  • Não causa dor no paciente.

A ressonância magnética e a medicina veterinária

Embora o início da ressonância magnética remonte a 1946, sua popularidade na medicina é relativamente nova. É uma técnica que desconhece raças ou espécies e tem conseguido promover um importante desenvolvimento na área médica e cirúrgica de pequenos seres vivos, desde animais de companhia à fauna silvestre.

As principais áreas de aplicação em que a ressonância magnética é usada como método diagnóstico são as seguintes:

  1. Lesões no sistema nervoso central e periférico.
  2. Lesões musculoesqueléticas e articulares de tecidos moles, como ligamentos e tendões.
  3. Feridas em áreas viscerais – abdômen e tórax.
  4. Presença de corpos estranhos e doenças vasculares.

Uma ressonância magnética pode ser aplicada para estudar praticamente todo o corpo.

Um cão branco doente no veterinário, um exemplo de neosporose canina.

Como preparar o animal de estimação para uma ressonância magnética?

A ressonância magnética não coloca em risco a saúde do animal. No entanto, é importante considerar alguns aspectos antes, durante e depois do exame.

Sua duração média é de 30 a 90 minutos, durante os quais o animal deve permanecer imóvel para que seja possível obter imagens de qualidade. Por esse motivo, é necessária a administração de anestésicos ou, em alguns casos, tranquilizantes.

A decisão vai depender das condições individuais de cada paciente. Para que essa escolha seja feita, o animal passará por uma avaliação física e nervosa geral, sempre com especial ênfase em uma análise pré-anestésica de rotina, a fim de determinar o protocolo anestésico ideal para ele.

Uma vez dentro da sala, o animal é posicionado em uma mesa de exame adaptada para ele. Em seguida, é colocada uma bobina ao redor da área a ser examinada, que tem a função de captar ondas de rádio. Por fim, o animal é introduzido no túnel magnético.

O aparelho de ressonância magnética tem uma semelhança física com o usado na tomografia axial computadorizada: tem 1,5 metro de comprimento e é aberto nas duas extremidades.

Em alguns pacientes, é necessário administrar por via intravenosa um meio de contraste paramagnético denominado gadolínio, que modifica o campo magnético e altera a intensidade do sinal. Isso permite que o veterinário visualize melhor as lesões e estruturas.

Podem ocorrer complicações durante uma ressonância magnética?

Como o animal ficará sujeito a um poderoso campo magnético – que causará um nível de ruído intenso dentro da sala – é aconselhável colocar algodão em suas orelhas. É possível até usar um capacete de proteção especial.

Por outro lado, se seu animal de estimação tiver qualquer parte de metal em seu corpo – como parafusos, próteses, grampos, placas, microchips ou marca-passos -, é importante avisar o veterinário.

Todos os metais geram interações com sinais magnéticos, o que provoca alterações nas imagens obtidas. Em alguns casos, os metais tendem a ficar tão quentes pela ação da força magnética que podem causar queimaduras secundárias no animal.

Como em qualquer outra intervenção em que seja necessária a utilização de anestésicos, existe o risco de complicações durante o processo, como insuficiência cardíaca ou reação ao medicamento administrado. É por isso que os exames pré-anestésicos são tão importantes para a saúde do paciente.

Um cão com doença renal policística.

Embora estejamos falando de um exame cujo preço pode ser um pouco alto, o principal benefício que se pode obter da ressonância magnética é a redução do tempo entre o diagnóstico e o tratamento do seu animal de estimação, o que significa uma recuperação e cura mais rápidas.

Em matéria de saúde, todo investimento vale a pena.

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