Como saber se um cachorro está sentido dor?

junho 10, 2020
Quando você suspeita que o seu cachorro está sofrendo, é natural procurar por sinais que confirmem a sua suspeita. Por instinto, os cachorros tendem a ocultar a dor pelo maior tempo possível e, por isso, frequentemente, os sintomas passam despercebidos.

Estabelecer se um cachorro está sentindo dor ou não pode ser simples. Contudo, avaliar a dimensão dessa dor é uma tarefa complexa. Devemos levar em consideração que, ainda que os sinais de dor em animais sejam bem conhecidos, nenhum desses sinais – sozinhos ou em conjunto – proporcionam evidência definitiva de dor.

Em geral, se um animal se submeter a um procedimento que causaria dor a um ser humano, assume-se que ele causa similar intensidade de dor nos animais.

Existem diferenças se um cachorro estiver sentindo uma dor aguda ou uma dor crônica

É bom saber que, com os animais de estimação, os sinais de dor aguda e crônica podem diferir. Em caso de dor aguda severa, os animais podem mostrar sinais de ansiedade, pupilas dilatadas, inquietação ou então mancar, por exemplo, além de mudanças na personalidade, aumento ou diminuição da atividade física, automutilação e vocalização.

Também são sinais de dor aguda: salivação excessiva, aumento da frequência respiratória e da frequência cardíaca. Adicionalmente, são manifestadas mudanças de parâmetros bioquímicos no sangue: aumento das concentrações de glicose no sangue, cortisol, ACTH e catecolaminas.

Por outro lado, em caso de dor crônica, as respostas incluem comportamentos protetores. Esses comportamentos são respostas adaptativas à dor, e são observados na maneira como eles se deslocam e, também, nas posturas que assumem.

Usualmente, o cachorro procura evitar influências que agravem a dor, cuidando, assim, da região dolorida. Além disso, é comum ver sinais de estresse, que incluem perda de peso e de apetite, em cachorros que sofrem de dor crônica.

saber se um cachorro está sofrendo

A vantagem de usar indicadores de comportamento para medir a intensidade da dor nos cachorros é o imediatismo, diferentemente dos índices fisiológicos, que demoram para serem quantificados.

Como se mede a intensidade da dor nos cachorros?

Atualmente, os métodos que medem a intensidade da dor nos animais de estimação se baseiam na avaliação do comportamento.

Foram idealizados diversos questionários que dão uma pontuação para cada parâmetro avaliado. Por fim, o resultado é medido de acordo com uma escala de dor, que permite que o veterinário sugira o tratamento mais adequado.

Tipicamente, os comportamentos que refletem a dor incluem fatores como mudanças na postura, assim como mudanças na atividade corporal, como evitar se mover, deitar ou mudar de posição, por exemplo. Além disso, são ponderadas as mudanças na atividade locomotora, na vocalização, no apetite, nos hábitos de micção e defecação, ou na resposta ao ser manipulado.

Atualmente, existem diversas escalas de dor. Vale a pena ressaltar que não existe nenhuma escala que possa ser considerada a “referência” na medição da dor. Entre as escalas de dor desenvolvidas fundamentalmente para o cachorro estão a de Melbourne ou a de Glasgow.

Quais mudanças de postura são observadas quando um cachorro está sentindo dor?

Tipicamente, observa-se uma postura corporal rígida: portanto, quando um cachorro está com dor de um lado do corpo ou do outro, é fácil saber. O primeiro indício costuma ser o ato de mancar.

Por outro lado, nos casos nos quais a dor é central ou bilateral, pode acontecer de o cachorro não favorecer o uso de um lado em particular. Assim, é importante, nesses casos, observar o nível de rigidez. É comum que o cachorro ande todo duro, com as orelhas para trás, vacile para girar a cabeça ou para dobrar a coluna vertebral, e se encoste ou se sente tenso.

saber se um cachorro está sofrendo

As mudanças de comportamento social também contam

O contexto social do animal também é um fator importante que deve ser ponderado. Em outras palavras, se ele morar com outros animais, o isolamento dos membros do grupo pode ser um sintoma precoce da dor.

Assim, o comportamento tímido ou temeroso é comum em animais afetados pela dor. Além disso, instintivamente, os animais tendem a ocultar a sua dor na presença de um predador, em um esforço para mascarar a sua vulnerabilidade.

Foi sugerido que, devido ao fato de que os humanos podem ser percebidos como predadores, um animal pode não manifestar dor na frente do seu dono. No entanto, também já foi dito que um animal de estimação com dor pode manifestar um apego excessivo ou um desejo de atenção constante da pessoa.

Por fim, como o melhor amigo do seu cachorro, você conhece melhor o comportamento dele. Ou seja, você é quem saberá se algo parecer fora do lugar, e poderá agir para procurar o tratamento do seu cachorro.

  • Hellyer, P., Rodan, I., Brunt, J., Downing, R., Hagedorn, J. E., Robertson, S. A., & AAHA/AAFP Pain Management Guidelines Task Force Members. (2007). AAHA/AAFP pain management guidelines for dogs and cats. Journal of Feline Medicine & Surgery, 9(6), 466-480.
  • Bufalari, A., Adami, C., Angeli, G., & Short, C. E. (2007). Pain assessment in animals. Veterinary research communications, 31, 55.
  • Anil, S. S., Anil, L., & Deen, J. (2002). Challenges of pain assessment in domestic animals. Journal of the American Veterinary Medical Association, 220(3), 313-319.
  • Web del dolor animal y su tratamiento. https://doloranimal.org/ de la Universidad Complutense de Madrid. Consultado el 03 de enero del 2020.