A manifestação do tétano em cães

setembro 5, 2019
O tétano em cães é causado por uma neurotoxina, e embora seja difícil de acreditar, ela não é encontrada no próprio óxido. As consequências dessa doença podem ser muito graves e até causar a morte.

Talvez você já tenha se perguntado se os cães podem sofrer de tétano. Em caso positivo, por que não os vacinamos? A resposta é que, embora os cães possam sofrer desta doença, eles são relativamente resistentes a ela. A manifestação do tétano em cães é rara, mas isso não significa que ela não merece a nossa atenção.

É interessante dizer que seres humanos e cavalos são altamente suscetíveis ao tétano, enquanto os gatos são altamente resistentes.

Causas do tétano em cães

A doença surge devido à infecção da bactéria Clostridium tetani, que entra no corpo através de feridas. É importante saber que a C. tetani está naturalmente presente em alguns solos.

Apesar do que muitas pessoas pensam, a C. tetani não reside particularmente em metal enferrujado, mas na sujeira do metal enferrujado. É útil ter esta informação, porque devemos ter cuidado ao nos ferir com objetos pontiagudos, sejam enferrujados ou não.

Assim, é a sujeira que vem do chão que nos coloca em risco. Muitos também não sabem que a bactéria em si não causa a doença. O tétano é causado por uma neurotoxina chamada tetanospasmina.

As bactérias entram no corpo através de uma ferida e, nesse momento, a inoculação começa. Após alguns dias de inoculação, os esporos das bactérias ganham um ambiente privado de oxigênio e começam a produzir a toxina. A toxina se liga ao tecido do sistema nervoso e causa os sinais clássicos do tétano.

Outro fato interessante é que a bactéria em contato com a pele do animal ou ingerida por via oral não causa nenhum problema. Esta bactéria requer ambientes com baixa tensão de oxigênio para produzir a toxina.

Cachorro com febre

Manifestações clínicas do tétano em cães

Os sintomas do tétano geralmente se manifestam entre 5 e 10 dias após a ferida inicial. No entanto, em alguns casos, podem ocorrer mais cedo ou até três semanas após a exposição.

A toxina afeta os nervos, medula espinhal e o cérebro, o que leva à hiperexcitabilidade que provoca espasmos musculares. Nos cães, o tétano pode assumir duas formas:

1. Tétano localizado

É a forma mais comum de tétano que ocorre em animais de estimação. Os cães afetados desenvolvem rigidez muscular no membro ou nos músculos mais próximos da ferida.

Além da rigidez muscular, também podem ocorrer tremores musculares. O tétano localizado pode progredir para o tétano generalizado ao longo do tempo, embora isso nem sempre ocorra.

2. Tétano generalizado

Neste caso, áreas maiores do corpo são afetadas. Os animais podem andar rigidamente, com seus rabos levantados ou estendidos atrás deles.

Esses animais podem ficar tão rígidos que não conseguem dobrar as pernas para se levantar. Muitos desenvolvem o que é conhecido como postura do “suporte da serra”, com todas as quatro pernas em uma extensão rígida.

Os músculos da face costumam ser afetados no tétano generalizado. Muitos animais desenvolvem pálpebras levantadas, uma testa enrugada devido a espasmos musculares, e os lábios ficam congelados em uma expressão chamada rictus sardonicus, que significa “sorriso sinistro”.

As mandíbulas são mantidas rigidamente fechadas, por isso o tétano é reconhecido por deixar a mandíbula bloqueada. Os cães afetados podem não ser capazes de engolir, o que causa dificuldade para comer e salivação excessiva.

Em alguns casos, o tétano pode causar espasmos musculares no interior da garganta ou do diafragma – o músculo que controla a respiração – o que dificulta a respiração dos cães.

Muitos animais com tétano generalizado também desenvolvem febre. Essa febre não costuma ser causada por uma infecção bacteriana, mas sim pelo calor gerado pela constante contração muscular.

Tratamento do tétano em cães

O tratamento do tétano consiste principalmente em cuidados gerais de suporte. Este tratamento é mantido enquanto o sistema nervoso do cão se recupera do dano causado pela exposição à neurotoxina.

Cães com tétano generalizado não conseguem andar. Por esse motivo, eles exigem cuidados médicos muito próximos. O cuidado inclui o uso de camas macias e a mudança frequente da posição do animal para evitar úlceras (“úlceras de cama”).

Além disso, em alguns casos, pode ser necessário alimentar o cão com sonda nasogástrica ou gástrica.

Também é necessário fornecer assistência para esvaziar a bexiga e evitar expô-la a estímulos. Manter os cães em um ambiente silencioso e escuro ajuda a reduzir os estímulos provocados ​​pelas convulsões causadas pelo tétano.

A recuperação pode durar semanas ou até meses, mas se receberem um excelente atendimento médico, muitos cães conseguem sobreviver.

Cachorro com curativo na pata

Não há vacina contra o tétano em cães

Se você perceber que o seu cão está com ferimentos de arame farpado, deve ficar alerta imediatamente. Você provavelmente se perguntará: e agora? Ele não deveria tomar uma vacina contra o tétano?

Infelizmente, nenhuma vacina pode ser administrada neste caso. Existem várias vacinas contra o toxoide tetânico aprovados pelo FDA para humanos, cavalos e ovelhas, mas não há vacina contra o toxoide para cães.

Como o tétano é relativamente raro em cães, as vendas de uma vacina contra o toxoide tetânico para cães provavelmente não compensaria o custo do seu desenvolvimento por uma empresa farmacêutica. Portanto, não é uma surpresa que ela ainda não tenha sido desenvolvida.

Colocando a questão econômica de lado, há também considerações éticas para o desenvolvimento de vacinas. Para estudar se uma vacina toxoide funciona em cães, os pesquisadores precisam infectar os cães com tétano e depois tratá-los.

A infecção e a doença resultante, o tratamento e os possíveis efeitos colaterais das vacinas causarão sofrimento significativo e algumas mortes em animais de pesquisa. Em geral, não parece provável que esta vacina venha a ser desenvolvida.

Quais medidas de prevenção podem ser tomadas?

Como não há vacina disponível contra o tétano para os cães, como você pode proteger seu amigo fiel dessa doença?

Primeiro, você deve limpar qualquer ferida minuciosamente e com cuidado. Mordidas e feridas perfurantes possuem um maior risco para o desenvolvimento do tétano. Se o seu cão sofrer estas feridas, consulte o seu veterinário.

Além disso, você pode monitorar de perto o comportamento do seu cão em caso de ferida aberta. Se você notar rigidez no local da lesão, não espere mais e consulte o veterinário. Quanto mais rápido o tétano for detectado e tratado, melhor será o prognóstico do seu cão.

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