O último panda da América Latina?

No México, a decisão de trazer ou não novos pandas para o Zoológico de Chapultepec está por um fio. Descubra o porquê aqui.
O último panda da América Latina?
Sara González Juárez

Escrito e verificado por a psicóloga Sara González Juárez.

Última atualização: 16 abril, 2023

Os ursos panda são provavelmente um dos exemplos mais famosos de esforços de conservação de um país, neste caso, a China. No entanto, a política desse programa de criação em cativeiro pode ser a chave para fazer de Xin Xin o último panda a viver na América Latina.

Para saber como chegamos aqui, você deve conhecer a história dos pandas do Zoológico de Chapultepec. Aqui contamos todos os detalhes para você entender a importância do fato de essa panda fêmea ser a última a ser abrigada por esse zoológico. Vamos lá!

A diplomacia do panda

Um urso panda comum em extinção.

Existem atualmente 26 zoológicos em 21 países diferentes que abrigam um panda em suas instalações. Esse número coincide com o programa internacional que a China lançou na década de 1970 para recuperar a espécie, popularmente conhecido como diplomacia do panda.

No entanto, esta não foi a primeira tentativa de usar pandas como presentes diplomáticos. Antes de focar na conservação per se, eles foram capturados de seu ambiente e entregues a outros países como gestos de boa vontade ou reconciliação, como em 1941, quando Soong Mei-Lin (Madame Chiang) enviou 2 espécimes aos Estados Unidos para expor no jardim zoológico do Bronx.

Nas décadas de 1970 e 1980 isso mudou. Somando-se ao sucesso diplomático, foi lançado um programa de reprodução em cativeiro no qual os zoológicos se beneficiariam de ter um panda em suas instalações em troca do envio de todos os filhotes para a China. O objetivo era preparar esses pandas para a reintrodução na natureza e salvar as espécies da extinção.

A mudança da política e o zoológico de Chapultepec

Essa diplomacia baseada no envio de animais foi modificada em 1984, transformando os presentes em aluguéis. Mais tarde, em 1991, iniciou-se uma política de arrendamento de longo prazo, para que os países que tivessem pandas em cativeiro pudessem mantê-los e colher os benefícios econômicos e diplomáticos de sua presença nos zoológicos.

Desta forma, em todo o mundo contribuíram para a conservação do panda-gigante, ao mesmo tempo que eram obtidos benefícios económicos.

No caso do zoológico de Chapultepec, onde Xin Xin vive atualmente, a supervisão chinesa sobre a espécie não é eficaz. Além disso, existe a circunstância de esta panda não ter tido filhos em toda a sua vida e já ter chegado à menopausa. Vejamos porque, então, ela pode ser a última panda da América Latina.

Xin Xin: o último panda?

Em Chapultepec, no México, vive Xin Xin, uma panda-gigante fêmea de segunda geração (Ailuropoda melanoleuca). Ou seja, ele nasceu em cativeiro e atingiu a idade adulta no zoológico da cidade, sem viajar para a China para sua libertação. Devido à política de aluguel de pandas implementada em 1984, os filhotes de panda poderiam ficar se o país continuasse a pagar a taxa.

No entanto, Xin Xin não teve filhotes em toda a sua vida. Tem 32 anos, um recorde considerando a esperança média de vida desses animais em estado selvagem, cerca de 2 décadas. Portanto, para que o zoológico de Chapultepec continue abrigando pandas, eles teriam que alugar um novo.

A linhagem dessa panda remonta aos presentes diplomáticos de 1974, com Pe Pe e Ying Ying. No entanto, diante dessa nova circunstância, o governo mexicano considera não pagar por novos exemplares. Portanto, Xin Xin pode ser o último panda que a América Latina abriga.

O debate do zoológico

Qualquer pessoa que ame os animais já foi a um zoológico e viu a aparência sem graça, as estereotipias e os humanos prejudicando suas vidas. No entanto, algumas espécies se beneficiaram de programas de zoológicos, como o próprio panda gigante. O debate, portanto, está servido.

Não se pode negar que é impossível recriar condições semelhantes às da natureza para os animais que vivem em zoológicos. Além disso, essas organizações, apesar de terem obrigações legais como centros de educação ambiental e conservacionista, são (em sua maioria) empresas privadas. Como resultado, sua prioridade sempre será o ganho financeiro.

Atualmente, casos como o do último panda da América Latina, Xin Xin, despertam esse debate na população. É necessário trancar um panda e colocá-lo em exibição? Existem outras maneiras de continuar recuperando essa espécie na China? É viável um modelo de zoológico onde o abuso de animais não existe em nenhuma de suas formas? O tempo nos dirá e seremos nós que transformaremos esse panorama. E você, o que acha?


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