Viemos do macaco? Será mesmo?

· maio 18, 2018

É verdade que viemos do macaco? Esta foi a pergunta que muitos fizeram com desdém quando Darwin levantou sua teoria evolutiva. Hoje sabemos que a evolução é mais um fato do que uma teoria, mas algumas ideias errôneas seguem sendo transmitidas.

A teoria evolutiva de Darwin

Acontece que Darwin nunca disse que viemos do macaco. A teoria da evolução desafiava o tradicional criacionismo, que acredita que os seres foram trazidos ao mundo tal como os conhecemos hoje em dia. Segundo Darwin, os seres vivos foram se moldando através de diversos fatores relativos à evolução. Entre eles, estava a seleção natural.

Será que viemos do macaco?

E não é só isso. Darwin se atreveu a incluir o ser humano em toda esta teoria, introduzindo a ideia de que não havíamos saído de uma fábula bíblica. Para ele, pertencíamos a uma linhagem evolutiva moldada através de um processo de hominização. Especificamente, Darwin escreveu estas palavras em A Origem das Espécies, um de seus livros mais famosos:

“Receio que a principal conclusão que emerge da leitura deste livro, a saber, que o homem descende de uma forma orgânica de nível inferior, irritará muitas pessoas. No entanto, não há dúvida de que somos a progênie evoluída de criaturas primitivas “.

–Charles Darwin–

É verdade que nós viemos do macaco?

Uma vez que sabemos o que é a teoria da evolução em termos gerais, vemos que, segundo Darwin, somos seres vivos que evoluíram de outros seres. Ou seja, o ser humano é um animal, especificamente, um primata.

Na época, a imprensa e cientistas criacionistas zombaram de Darwin através da ideia de que viemos do macaco, e desenharam o famoso cientista com um corpo de gorila. No entanto, estas pessoas entenderam errado sua teoria. Isto, infelizmente, ainda ocorre no mundo atual.

A evolução, através do registro fóssil, demonstra que nossos antepassados foram primatas durante milhões de anos, então não viemos do macaco, ao menos, de nenhuma espécie atual. Compartilhamos ancestrais comuns com estas espécies. Elas, em geral, são mais antigas quanto maiores forem as diferenças entre nós.

Nesse sentido, sabemos que nosso ancestral comum com os chimpanzés viveu na África há seis milhões de anos. Com o resto dos símios, entre eles os gibões, o ancestral comum que conhecemos é Alesi. Assim se batizou um crânio de um primata que lembra um gibão, e que viveu há 13 milhões de anos.

A evolução, através do registro fóssil, demonstra que nossos antepassados foram primatas durante milhões de anos, então não viemos do macaco, ao menos, de nenhuma espécie atual.

A árvore da evolução

Não é demais lembrarmos que a evolução é uma árvore. Assim Darwin a representou nas primeiras ilustrações que criou, através de árvores filogenéticas. Os galhos da árvore evolutiva estão igualmente evolucionadas, mas uns são mais similares a outros.

Viemos do macaco? Será?

Desta maneira, compartilhamos mais ou menos alguns galhos com animais mais parecidos conosco. Estes galhos vão se separando. Alesi se separou há 13 milhões de anos e os chimpanzés há 6 milhões de anos. Isto se contrapõe à visão que possuímos no imaginário coletivo, em que vemos a evolução como uma escada.

A evolução não é uma escada, na qual cremos que os orangotangos ou bonobos estão dois degraus abaixo de nós. A visão antropocentrista é uma das causas da zombaria em relação às origens e seu declínio até o ponto em que algumas espécies chegam a se extinguir.

Todos os animais são igualmente evoluídos, apesar de cada um ter se adaptado a um ecossistema e a funções concretas. Assim, um ser humano dificilmente poderia sobreviver onde vive um golfinho, uma bactéria ou um tigre de bengala.

Lembramos que a evolução é uma árvore que acolhe a todos nós, demonstrando que nossos sentimentos, pensamentos e tudo mais que humanos produzem também pode ser produzido por outros animais.

A evolução não é uma escada, na qual cremos que os orangotangos ou bonobos estão dois degraus abaixo de nós. A visão antropocentrista é uma das causas da zombaria em relação às origens e seu declínio até o ponto em que algumas espécies chegam a se extinguir.