Animais em perigo devido à medicina oriental

· novembro 20, 2018
Tratamentos sem base científica estimulam a caça ilegal de certas partes destes animais, que os usuários acreditam ter propriedades milagrosas.

A população da China tem aumentado seu poder aquisitivo e com ele aumentou também o uso de animais em práticas da medicina oriental. 

Cada vez mais pessoas têm acesso a tratamentos ancestrais, supostamente infalíveis, e que utilizam partes de corpos de animais em perigo de extinção.

Infelizmente, este tipo de medicina milenar, com mais de três mil anos, também está se tornando moda na Europa.

Por exemplo, tratamentos para melhorar o fluxo de energia utilizando ossos de tigre ou chifres de rinoceronte estão aumentado, o que põe essas espécies em risco.

Também há muitas espécies de animais que são utilizados pela medicina asiática, de vacas a escorpiões, passando por cobras e cavalos-marinhos.

Todos os produtos utilizados não têm base científica e, embora muitos deles não sejam nocivos, fazem com que o paciente não siga tratamentos que poderiam ser mais eficazes.

Também podem levar à extinção de espécies, pois, atualmente, há animais em perigo devido à medicina oriental.

Rinoceronte: um dos animais em perigo devido à medicina oriental

Os rinocerontes asiáticos sofrem com a caça há milênios. Os caçadores buscam obter algumas das partes de seu corpo, em especial o famoso chifre. Hoje em dia, ele pode chegar a 50 mil euros o quilo.

rinoceronte ameaçado

Este caça intensiva inclui ainda o rinoceronte branco, um dos animais em perigo devido à medicina oriental.

Parece que parte da medicina tradicional chinesa se baseia em um certo misticismo. Pois as mesmas propriedades do chifre de rinoceronte branco (a queratina) estão presentes nas unhas e pelos dos humanos.

O rinoceronte branco não se encontra mais em risco de extinção. Mas com o recente fim das subespécies do Norte e a crescente demanda pelo chifre de rinoceronte, muitos temem que eles sejam condenados pela ignorância humana.

Grandes felinos: o caso do tigre

Mais um dos animais em perigo devido à medicina oriental é o tigre, um dos animais mais emblemáticos da China.

Todas as suas partes são muito cobiçadas, especialmente os ossos: podem valer 400 dólares o quilo.

Tigre em perigo

Infelizmente, isso fez com que os tigres fossem criados como se seus corpos já estivessem designados para este fim desde o nascimento.

Além da delicada situação do tigre em estado selvagem, apesar do número de indivíduos estar aumentando, ainda assim só existem 3.000 exemplares atualmente.

Isso fez com que ele fosse substituído por outras espécies de felinos mais abundantes, como leões e onças.

Nestas fazendas de tigres e leões é onde se encontra um verdadeiro depósito, pois cria-se felinos como se fossem gado.

O caso da África é devastador, pois muitos turistas são enganados pensando que eles estão em santuários. É permitido acariciar filhotes, que, quando crescem, são usados ​​para passeios com os visitantes.

É de vital importância suspeitar quando temos permissão para acariciar ou cuidar de filhotes, e devemos ter cuidado com qualquer atração que prometa interações com animais selvagens.

Quando os animais se tornam adultos, eles têm dois destinos: os machos mais espetaculares são leiloados para caça.

Já as fêmeas são geralmente usadas para fazer vinho de arroz, um símbolo de status na China. O vinho é simplesmente macerado com ossos de tigre ou leões.

Ursos, outras grandes vítimas

No caso dos ursos, muitas partes de sua anatomia são descartadas, embora a bile tenha se tornado um dos recursos da medicina oriental mais procurada, especialmente de espécies de ursos como os malaios e os ursos negros.

Urso em árvore

Mais uma vez, essas espécies são criadas em centenas de fazendas, com o objetivo de produzir a pequena quantidade de bile secretada pela vesícula biliar.

A substância atinge enormes preços no mercado negro. Os ursos são criados em jaulas minúsculas, de modo que crescem com malformações ósseas e musculares, já que seus ossos carecem de valor.

Pangolim, o mais ameaçado

De todos os animais ameaçados devido à medicina oriental, o pangolim é a espécie em situação mais crítica, em virtude dessas práticas.

Novamente, aqui também a queratina apresenta sua ineficácia como um tratamento, mas sua lucratividade para os caçadores é enorme.

Pangolim

Toneladas de escamas desses pequenos animais são apreendidas com frequência.

Os barcos são carregados com tantas escamas que podem significar a morte de 20 mil exemplares em um único carregamento.

Na verdade, o quilograma de escamas chega a 3.000 euros facilmente.

Apesar do enorme grau de proteção que esta espécie possui, acredita-se que são caçados anualmente mais de 100 mil pangolins.

Basta simplesmente pegá-los e matá-los, porque eles se protegem apenas se enrolando e ficando quietos.

As excentricidades alimentares relacionadas a essas espécies também beiram o absurdo. Sopas de pênis de tigre ou de feto de pangolim para aumentar a virilidade são tidas como quase milagrosas, algo estranho para qualquer pessoa minimamente estudada.

Tubarão, o mais abusado

Tubarões ao redor do mundo passaram de predadores a presas. O corpo do tubarão é inútil, então os pescadores cortam suas barbatanas e as jogam no mar, onde eles morrem lentamente.

As barbatanas valem até 30 vezes mais do que a carne, então os tubarões estão condenados a morrer em agonia para que os humanos degustem de uma sopa de tubarão.

Tubarão

A barbatana de tubarão também tem supostas propriedades. Mas a verdade é que isto é mais um exemplo das muitas excentricidades gastronômicas e medicinais que são, na verdade, uma forma de mostrar status.

Infelizmente, os tubarões, tigres, ursos e outros animais em perigo devido à medicina oriental estão, na verdade, ameaçados pela falta de cultura e luta pelo poder.

Infelizmente, muitas espécies de tubarões, como os tubarões-azuis, são trazidas de outros países, como a Espanha, que participam desse negócio obscuro. 

Embora a pesca seja feita eticamente na Espanha, a venda de barbatanas para a China depois da morte do animal promove crenças estúpidas, por mais que engorde os cofres das empresas europeias.