Animais endotérmicos e ectotérmicos: diferenças e exemplos

Não é apenas o clima que afeta os animais endotérmicos e ectotérmicos, pois o habitat também influencia esse processo biológico. Conheça junto com a gente os exemplos mais fascinantes dentro de cada grupo.
Animais endotérmicos e ectotérmicos: diferenças e exemplos

Última atualização: 12 Julho, 2021

Às vezes é difícil diferenciar entre animais endotérmicos e ectotérmicos, mas ambas as palavras já fornecem pistas sobre a natureza dessas estratégias de vida. Os prefixos ecto e endo significam fora e dentro, respectivamente. Por sua vez, a terminação térmico indica a relação dessas palavras com a temperatura.

Especificamente, ectotérmico refere-se a animais de “sangue frio”, enquanto endotérmico é usado para descrever animais de “sangue quente”. Essas características básicas dos seres vivos condicionam seus hábitos, seu formato corporal, seus comportamentos e seus locais de distribuição. Aqui nós vamos falar sobre as diferenças entre os animais endotérmicos e ectotérmicos, e dar alguns exemplos.

Diferenças entre animais endotérmicos e ectodérmicos

A principal diferença entre os animais endotérmicos e ectotérmicos é onde estão localizadas as fontes de calor que controlam sua temperatura corporal e os mantêm ativos. No caso dos endotérmicos, esses seres vivos utilizam o calor produzido pelo próprio corpo, termo conhecido como energia metabólica.

Por outro lado, os endotérmicos requerem fontes externas de calor para regular sua temperatura. Dessa forma, obtêm grande parte de seu calor do meio ambiente, pois a quantidade de calor que geram é muito baixa para influenciar sua temperatura corporal.

Estas são as características que definem os endotérmicos:

  • Autorregulam seu calor interno.
  • Mantêm a temperatura corporal elevada, independentemente das flutuações do ambiente.
  • Geram calor graças à energia química dos alimentos. Isso significa que eles têm que comer todos os dias, embora a quantidade de ingestão varie de acordo com a espécie.

Por outro lado, os ectotérmicos se destacam por estas características:

  • Não autorregulam seu calor interno, dependendo de fatores externos.
  • Buscam fontes de calor (a luz solar) ou alternam entre sol e sombra, de acordo com a necessidade. Em outras palavras, seu comportamento influencia a regulação de sua temperatura corporal.
  • Muitos podem passar vários meses sem comer. No entanto, nem todos os ectotérmicos seguem essa regra. Peixes e anfíbios, por exemplo, são provas disso.

Quando expostos a mudanças térmicas internas, os ectotérmicos são mais tolerantes do que os endotérmicos. De qualquer modo, a capacidade de gerar calor interno dentro de uma faixa constante é considerada uma vantagem para os endotérmicos, pois eles podem habitar qualquer ambiente independente da temperatura, desde que consigam se alimentar.

Os ectotérmicos, por outro lado, não resistem a ambientes extremamente frios, embora alguns tenham se adaptado ao calor escaldante. Escorpiões que vivem no deserto ou as formigas-prateadas-do-saara (Cataglyphis bombycina) são alguns exemplos. Esta última espécie é capaz de suportar temperaturas de até 53º C.

 

Poiquilotérmicos e homeotérmicos

Outro detalhe importante: o que diferencia os ectotérmicos dos endotérmicos é a fonte de calor com a qual mantêm a temperatura corporal. Portanto, o conceito não se refere ao fato de a temperatura do corpo permanecer constante ou variar, mas à fonte de calor usada para regulá-la.

Dessa forma, quando queremos nos referir à temperatura corporal e às suas variações (ou a falta de variação), são usados dois outros termos para classificar os animais, que são os seguintes:

  • Poiquilotérmicos: são animais cuja temperatura interna varia amplamente.
  • Homeotérmicos: são seres vivos cuja temperatura interna se mantém mais ou menos constante.

No entanto, esses 2 termos não são fechados, pois existem invertebrados e peixes identificados como poiquilotérmicos, cujo ambiente mantém a temperatura estável e sua temperatura corporal praticamente não varia. O mesmo ocorre com alguns mamíferos, classificados como homeotérmicos, apesar de apresentarem grandes variações em sua temperatura externa.

Um guaxinim termorregulando no ar condicionado.

 

Exemplos de animais endotérmicos

Ao pensar em exemplos de animais endotérmicos, os mamíferos são os primeiros que vêm à mente, junto com as aves. Por outro lado, alguns peixes e répteis, assim como um grande número de espécies de insetos alados, são animais “endotérmicos facultativos”, pois modulam a quantidade de calor que produzem com determinadas atividades. Vamos apresentar alguns seres endotérmicos.

1. Lobos e outros carnívoros

Carnívoros, como lobos, raposas e coiotes, bem como várias outras espécies, são animais endotérmicos. Ou seja, esses canídeos são capazes de gerar calor interno e, além disso, são homeotérmicos, pois mantêm sua temperatura interna mais ou menos estável.

Esse também é o caso de outros mamíferos, como os ursos, os leões-marinhos, as focas e as morsas. Essa adaptação é compartilhada com muitas outras espécies animais, distribuídas em diferentes continentes e expostas a diferentes condições climáticas.

A produção de calor metabólico permitiu que os mamíferos colonizassem lugares tão frios quanto as águas da Antártica. Um besouro ou um lagarto não são capazes de suportar temperaturas tão baixas.

 

Animais endotérmicos e ectotérmicos.

2. Aves, como as corujas e os pinguins

As aves também são animais ectotérmicos, e a prova disso é que elas são capazes de viver em climas caracterizados por temperaturas abaixo de zero. Os pinguins são o exemplo vivo dessa estratégia, pois, além de produzirem calor metabólico, eles se juntam em formações sociais que minimizam as perdas de calor com relação ao meio ambiente.

 

Animais endotérmicos e ectotérmicos.

3. Atum, tubarão e peixe-espada

Alguns peixes, como tubarões-frade, atuns ou certos peixes-espada têm “corpo quente”, porque certas áreas do seu organismo apresentam uma temperatura mais elevada do que a água em que se encontram.

Por exemplo, os músculos vermelhos, altamente inervados, responsáveis pela natação, aumentam sua temperatura e fornecem a esses animais a energia de que precisam para caçar. Por esse motivo, esses tipos de peixes se caracterizam por ser um grandes predadores.

Mas cuidado, esse calor deve ser mantido no corpo por meio da circulação e não pode ser perdido através das guelras. Assim, se uma região do corpo é aquecida, o calor deve permanecer nessa área por meio de vários mecanismos, como a troca de água em contracorrente.

 

Exemplos de animais ectotérmicos

Com relação aos ectotérmicos, são classificados nesse grupo os répteis, como as tartarugas, os lagartos e as cobras. Os anfíbios e a grande maioria dos peixes também estão incluídos aqui, assim como todos os grupos de invertebrados presentes na natureza. Confira alguns exemplos.

1. Tartarugas e outros répteis

Dentro dos répteis, todos eles ectotérmicos, estão as tartarugas. Um fato curioso é que foi demonstrada recentemente a relação entre a temperatura e o tamanho de sua carapaça. De acordo com este estudo, o habitat também influencia, uma vez que as proporções da carapaça variam nas tartarugas terrestres e aquáticas.

Outros répteis, como os crocodilos, dependem da temperatura para a incubação. Em temperaturas mais baixas, os descendentes são fêmeas, enquanto em temperaturas mais altas são machos.

 

Animais endotérmicos e ectotérmicos.

2. Anfíbios, como os sapos

Os anfíbios são animais ectotérmicos que não geram calor interno suficiente. Esse grupo inclui os sapos, animais muito curiosos que abrangem um grande número de espécies, tanto inofensivas quanto letais. Por outro lado, também existem espécies estranhas nesse táxon, como os sapos peludos (Trichobatrachus robustus ), que desafiam a imaginação popular.

 

3. Artrópodes, como os escorpiões

Todos os invertebrados são ectotérmicos por definição, uma vez que não são capazes de produzir calor corporal de forma contínua. Os escorpiões são um exemplo claro disso, pois sua estratégia vital revela essa constante falta de energia metabólica. Esses aracnídeos se movem muito pouco e só caçam presas que passam na frente do seu covil.

 

Um escorpião da casca do Arizona em um fundo branco.

Como você pôde notar, fazer a diferenciação entre animais endotérmicos e ectotérmicos é mais ou menos simples. Esses mecanismos são outro exemplo do efeito da evolução no modo de vida dos animais, uma vez que a ectotermia está em espécies mais antigas e a endotermia em espécies mais recentes.

Em suma, cada animal desenvolveu diferentes estratégias para conservar o calor ou absorvê-lo do meio ambiente, o que modulou sua evolução e sua amplitude de distribuição. Na natureza, tudo tem um significado.

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