Classificação dos animais de acordo com sua reprodução

As reproduções sexuada e assexuada podem ser observadas no mesmo organismo. Ter os dois tipos fornece uma grande vantagem sobre o meio ambiente a muitas espécies evolutivamente simples.
Classificação dos animais de acordo com sua reprodução

Última atualização: 10 Maio, 2021

Para evitar a extinção, cada espécie escolhe um mecanismo de reprodução que lhe trará benefícios em seu ambiente. Por isso, os animais podem ser divididos de acordo com sua reprodução, seja assexuada ou sexuada, com certos caminhos intermediários. Em ambos os casos, o objetivo é produzir um novo indivíduo que aumente a população da espécie.

Na natureza, o propósito único e contínuo é deixar descendentes e se reproduzir o máximo possível sem comprometer a viabilidade da população. Se você quiser saber o que está por trás de cada tipo de reprodução, continue lendo.

Tipos de reprodução

Historicamente, tem sido afirmado que o objetivo biológico das espécies é nascer, crescer e se reproduzir, o que não é nada fácil. Durante milhões de anos, o processo evolutivo beneficiou duas formas principais de reprodução: sexuada e assexuada. Cada uma delas tem suas vantagens específicas, não sendo possível determinar qual estratégia é a melhor.

Reprodução assexuada

A forma assexuada se refere ao fato de que a espécie não necessita de outro indivíduo para ter seu próprio filho. Dessa forma, um indivíduo assexuado maduro pode se reproduzir a qualquer momento. Em poucas palavras, se houvesse apenas um espécime em uma população, ele poderia se reproduzir várias vezes e salvar sua espécie, criando clones de si mesmo.

A vantagem desse tipo de reprodução se resume à facilidade de execução e sua rapidez. Só é necessário contar com comida e o espaço adequado para que um único organismo produza milhões de cópias. A desvantagem reside justamente em seus clones, pois, como são idênticos, eles não conseguem lidar com mudanças bruscas no ambiente melhor do que seu progenitor.

Analise o seguinte por exemplo: imagine que você é capaz de se clonar infinitamente, mas está acostumado a climas extremamente frios. Então, se o tempo mudar de um dia para o outro e ficar muito mais quente, você e suas cópias não resistiriam.

Embora as mudanças na natureza não aconteçam da noite para o dia — na maioria das vezes — esse argumento ainda se aplica da mesma maneira. A pouca variabilidade genética entre as cópias torna as espécies assexuadas muito sujeitas a extinções rápidas. São como peças de dominó: se uma cair, todo o conjunto pode desabar.

Muitas estrelas-do-mar têm ciclos que alternam entre a reprodução sexuada e assexuada.

Reprodução sexuada

Por sua vez, a reprodução sexuada requer dois indivíduos, machos e fêmeas. Cada sexo contribui com metade de suas características para formar algo completamente novo. Você pode pensar como se fosse a construção das cores, o pai contribuiria com a cor azul, a mãe com a cor vermelha, e a união resultaria na cor roxa.

Em termos mais técnicos, os gametas masculinos e femininos — óvulos e espermatozoides — são haploides (n), ou seja, possuem metade da informação genética de outras células. Quando ocorre a fecundação, o zigoto adquire a diploidia (2n) que caracteriza as células somáticas da espécie.

As vantagens desse tipo de reprodução são precisamente as opostas da reprodução assexuada. Graças a essa mistura, a prole nasce com novas características que podem permitir diferentes habilidades. Essa diversidade permite que as espécies que se reproduzem sexualmente resistam a mudanças repentinas no ambiente, se adaptem e sobrevivam.

Você pode enxergar facilmente esse fator na diversidade que existe de humanos, altos, baixos, com cabelos lisos ou ondulados, olhos azuis, verdes, etc.

Se você notar, existem certos padrões que se repetem muito, como, por exemplo, o fato de que pessoas que moram perto do equador tendem a ter tons de pele mais escuros. Por outro lado, os habitantes mais próximos dos polos tendem a ter tons de pele mais claros. A reprodução sexual foi a causa dessas diferenças, algo essencial para explicar a evolução.

Agora, vamos falar sobre suas desvantagens. Como a espécie precisa de ambos os sexos para produzir descendentes, é impossível salvar uma população composta apenas de machos ou fêmeas. Da mesma forma, o gasto de energia para encontrar um parceiro nessa estratégia reprodutiva é bastante alto.

O dimorfismo sexual é o exemplo perfeito desse custo, já que os machos de muitas espécies se esforçam tanto para parecerem fortes para suas parceiras que podem colocar suas próprias vidas em risco.

 

Os animais de acordo com sua reprodução

Na reprodução sexuada, podemos classificar os animais em vários tipos. Por exemplo, se nasce de um ovo é um ser ovíparo, mas se nasce diretamente da mãe é vivíparo. Além desses grandes conhecidos, existe um terceiro tipo, os ovovivíparos, um ponto intermediário entre os vivíparos e os ovíparos.

Essas classificações se baseiam em como o óvulo e o espermatozoide se unem (fecundação) e começam com o desenvolvimento da prole dentro ou fora da mãe. Dependendo da reprodução dos animais, esse fator também terá repercussões na espécie, uma vez que não são escolhas aleatórias, mas mecanismos evolutivos desenvolvidos a longo prazo.

Vivíparos

Nessa classificação, as fêmeas mantêm sua prole dentro de si, onde lhe fornece todos os nutrientes por meio de uma placenta. Dessa forma, as fêmeas engravidam, carregam sua prole e oferecem proteção durante um número variável de meses.

Para a fêmea, é um processo bastante desgastante e exaustivo. Portanto, na maioria das espécies, é a fêmea que seleciona o macho, para garantir que não será uma perda de tempo se reproduzir com ele.

A fêmea alimenta sua prole através da placenta, havendo, portanto, um contato direto entre ambos desde o desenvolvimento dos filhotes. Além disso, essa relação também permite que a mãe passe transmita defesas que servirão para o recém-nascido como um sistema imunológico.

A vantagem evolutiva da viviparidade reside na possibilidade de cuidar constantemente da prole. Dessa forma, não será vítima da predação por outras espécies nessa fase, o que aumenta suas chances de sobrevivência. É por isso que o número de descendentes que podem ser obtidos varia de 1 a 8, ou 9 em casos muito raros. Olhando a partir de outra perspectiva, a qualidade é preferível à quantidade.

Aqui estão alguns exemplos de animais vivíparos:

  • A maioria dos mamíferos.
  • Tubarões-martelo.
  • Jiboias.
  • Salamandra-de-fogo.

 

Orangotangos fêmeas são algumas das melhores mães da natureza.

Ovíparos

Nesse tipo de reprodução dos animais, o desenvolvimento da prole ocorre fora do corpo da mãe. Ou seja, a prole cresce no meio ambiente, protegido pelo que comumente chamamos de ovo.

Se analisarmos de forma simplista, o ovo é um óvulo com uma casca protetora, que pode ser fertilizado externa ou internamente. Esse ovo tem a capacidade de alojar todos os nutrientes que a descendência necessita para o seu desenvolvimento.

Por exemplo, como acontece na maioria dos peixes, as fêmeas colocam seus ovos e os machos liberam seus espermatozoides para fertilizá-los, externamente. A fecundação também pode ocorrer dentro do corpo da fêmea, como nas galinhas.

A vantagem dos ovíparos é que a fêmea não corre perigo, pois pode deixar ovos para buscar alimentos e não sofre um desgaste tão grande. Graças a isso, se a mãe morrer, por exemplo, a prole ainda pode sobreviver.

Além disso, as fêmeas colocam grandes quantidades de ovos, com o objetivo de que, mesmo que alguns sejam predados, outros consigam sobreviver. A quantidade é preferível à qualidade.

Alguns exemplos de animais ovíparos são os seguintes:

  • Aves.
  • Ornitorrincos.
  • Equidnas.
  • Répteis
  • Peixes.
  • Insetos

 

Os animais de acordo com seus tipos de reprodução podem ser ovíparos.

Ovovivíparo

Esse tipo de reprodução é como se fosse uma fusão das duas anteriores. Primeiro, é criado dentro da fêmea uma espécie de ovo que é fertilizado pelo macho. No entanto, ele fica guardado dentro da mãe. Dessa forma, até o ovo eclodir, os filhos não saem de dentro da mãe.

Pode parecer um aspecto meramente técnico, mas a diferença fundamental é que a prole não se alimenta diretamente da mãe. Os filhotes se desenvolvem graças aos nutrientes armazenados em seus ovos.

Você pode pensar que esse tipo de criação tem o melhor dos dois mundos, mas essa visão é incorreta. A realidade é que suas vantagens estão mais próximas dos pontos positivos dos vivíparos. Também podem ser encontrado exemplos de espécies ovovivíparas que ficaram na transição de ovíparas para vivíparas.

Dentre os poucos exemplos de animais ovovivíparos, destacam-se os seguintes:

  • A cobra víbora-áspide (Vipera aspis).
  • Tubarão-branco.
  • Galhudo (Squalus acanthias)
  • Jamanta.
  • Pítons.
  • Moscas.

 

As moscas são animais ovovivíparos dependendo do tipo de reprodução.

Em resumo, podemos dizer que o processo evolutivo passou pela oviparidade, depois ovoviviparidade e finalmente chegou à viviparidade. Apesar disso, algumas dessas espécies ficaram pelo caminho, deixando evidências das mudanças.

Se você olhar com atenção, poderá descobrir que isso se torna mais uma história natural. A evolução, as mudanças e as adaptações das espécies ocorrendo gradativamente. Graças a isso, às vezes podemos observar degraus de variação através das espécies, como se elas estivessem nos contando um maravilhoso conto evolutivo.

Pode interessar a você...
Como é a reprodução em um aquário?
Meus AnimaisLeia em Meus Animais
Como é a reprodução em um aquário?

Uma das dúvidas mais frequentes entre os cuidadores iniciantes é relacionada à reprodução em um aquário e à gestação das fêmeas.



  • Blackbum, D. G. (1999). Viviparity and oviparity: evolution and reproductive strategies.
  • Lodé, T. (2012). Oviparity or viviparity? That is the question…. Reproductive biology12(3), 259-264.
  • Núnez, J., & Duponchelle, F. (2009). Towards a universal scale to assess sexual maturation and related life history traits in oviparous teleost fishes. Fish Physiology and Biochemistry35(1), 167-180.
  • Pyron, R. A., & Burbrink, F. T. (2014). Early origin of viviparity and multiple reversions to oviparity in squamate reptiles. Ecology letters17(1), 13-21.
  • Groothuis, T. G., & Maestripieri, D. (2013). Parental influences on offspring personality traits in oviparous and placental vertebrates. In Animal personalities (pp. 317-352). University of Chicago Press.
  • Ford, N. B., & Seigel, R. A. (1989). Relationships among body size, clutch size, and egg size in three species of oviparous snakes. Herpetologica, 75-83.
  • Dopazo, H., & Alberch, P. (1994). Preliminary results on optional viviparity and intrauterine siblicide in Salamandra salamandra populations from Northern Spain. Mertensiella4, 125-137.