As ilhas dos gatos no Japão

Maio 15, 2018
Tashirojima e Aoshima estão entre as ilhas mais conhecidas quando se trata de grandes populações de felinos. São, em média, seis gatos por habitante, alimentados pelos turistas.

Na costa do Japão existem algumas ilhas com muito mais felinos do que habitantes humanos: são as chamadas ilhas dos gatos. São destinos turísticos muito populares, mas podem não ser tão felizes quanto parecem à primeira vista. Nós convidamos você a visitar Aoshima, uma das ilhas dos gatos no Japão.

Onde estão as ilhas dos gatos?

Aoshima é uma das ilhas dos gatos mais conhecidas do JapãoNela existem apenas 15 pessoas e, em contraste, os felinos somam mais de 100. Esta ilha está localizada na província de Ehime, no sul do país.

Outra das ilhas dos gatos mais conhecidas é a Tashirojima, que recebe cerca de 10 mil visitantes por ano. Ela está localizada na província de Miyagi, ao norte do país e muito mais perto da costa do que Aoshima.

Em ambos os casos, é necessário viajar de barco a partir da ilha principal do Japão. As viagens dependem de muitos fatores, mas os dois trajetos duram aproximadamente meia hora. Os horários variam de acordo com as estações e o fluxo de visitantes, mas geralmente se limitam a alguns passeios diários.

Como a ilha chegou a ter tantos gatos

A maior atração desses lugares é a enorme abundância de gatos que vivem nelas. No caso de Aoshima, estima-se que existam seis gatos por habitante. Esses animais, que dependem de humanos para alimentação, já não encontram mais presas suficientes para caçar por conta própria, são muito dóceis e amigáveis.

Eles estão acostumados com a presença de estranhos na ilha, graças ao fluxo de turistas. Sabem posar para fotografias e são simpáticos com os visitantes. Não são, portanto, como os gatos de rua habituais que encontramos em outras partes do mundo.

ilhas dos gatos

Os visitantes que chegam a esses locais encontram um cartão postal que é difícil encontrar em qualquer outro lugar do mundo: centenas de gatos amigáveis ​​que são facilmente fotografados e que, além disso, pedem para interagir com as pessoas.

As ilhas dos gatos enfrentam um dilema difícil de resolver: a presença excessiva de turistas, que alimentam os gatos. Isso permitiu que a população felina desses locais crescesse descontroladamente. No entanto, os turistas não deixam recursos econômicos ou humanos para manter essa população saudável, esterilizada e bem alimentada.

Cuidadores nas ilhas dos gatos

Como afirmam muitas das pessoas que visitam esses lugares, muitos desses gatos são afetados por doenças comuns e facilmente tratáveis. As mais frequentes são infecções respiratórias e oculares, embora existam feridas, problemas de pele e muitos outros problemas derivados destes.

Além disso, ninguém é responsável pela esterilização dos gatos que vivem nas ilhas, então continuam nascendo ninhadas continuamente e a população felina continua aumentando.

Já faz alguns anos que grupos de voluntários, que não residem nas ilhas, vão até elas para tratar os animais e, também, lançaram o modesto projeto CES (Captura, Esterilização e Soltura). Apesar de seus esforços, a capacidade econômica não é suficiente para atender a todos os gatos que vivem nesses lugares.

ilhas dos gatos

Quando questionado por uma revista, que estava fazendo uma reportagem sobre como melhorar a qualidade de vida desses felinos, um dos visitantes desses locais declarou:

É uma questão complexa que não precisa ter uma solução única. Durante a nossa visita, aprendemos que devemos estar conscientes do impacto da nossa presença em destinos turísticos onde há animais”.

O impacto do turismo

De fato, nessas ilhas, a presença de estrangeiros que trouxeram comida permitiu que as populações de gatos crescessem até se tornarem outra atração turística. Quanto mais as pessoas visitam a ilha, mais comida disponível para os gatos, então eles continuam a se reproduzir.

No entanto, a presença de pessoas nas ilhas dos gatos não garante a saúde desses animais, o controle higiênico dos locais onde vivem e, tampouco, atenção veterinária. É um círculo vicioso em que, se o turismo desaparecer, os gatos deixarão de ter comida, mas se o turismo não for controlado, os gatos continuarão a se multiplicar.

Aoshima e Tashirojima não são os únicos lugares onde isso acontece: mais de uma dúzia de ilhas se encontram na mesma situação, apenas no Japão. Há outros destinos turísticos onde populações de macacos ou gaivotas, por exemplo, ficaram fora de controle graças à abundância de comida.

Os turistas que visitam esses destinos devem estar cientes do impacto que a presença deles tem em qualquer lugar do mundo. É possível fazer turismo responsável e ecológico, aproveitar as maravilhas da flora e da fauna do nosso planeta sem afetar negativamente certas localidades.

 

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