Baleias extintas são descobertas na costa espanhola

· agosto 21, 2018
Cientistas da Universidade de Cádiz encontraram indícios da presença desses cetáceos de mais de dois mil anos, perto de Tarifa, na cidade romana de Baelo Claudia.

A arqueologia nos ajuda a descobrir baleias extintas em diversas partes do planeta. Da mesma maneira que espécies como o lince europeu habitaram a península ibérica, existem baleias que, embora tenham desaparecido dos oceanos, viveram há centenas de anos.

Baleias extintas na costa espanhola

Há mais de 2 mil anos, em pleno Império Romano, o mar Mediterrâneo abrigava duas espécies hoje desaparecidas. A baleia franca e a baleia-cinzenta povoavam essas costas. Esse fato foi constatado a partir do aparecimento de fósseis em Baelo Claudia, uma atinga cidade romana perto de Tarifa.

Foi isso o que demonstraram cientistas da Universidade de Cádiz. Eles analisaram ossos encontrados em Baelo Claudia, um dos centros de comércio do Mediterrâneo dos romanos. O lugar é famoso pela zona de processamento de peixes, onde os peixes eram salgados e se obtinha azeite.

As espécies de baleia que foram descobertas são a baleia franca (Eubalaena glacialis) e a baleia-cinzenta (Eschrichtius robustus). Enquanto que a baleia franca apenas atravessa as águas do extremo sul do planeta, a baleia-cinzenta vive no norte do Pacífico e por isso não é vista nas costas europeias há centenas de anos.

Os romanos e as baleias extintas

Ambas espécies migratórias provavelmente vinham ao mar Mediterrâneo durante a reprodução, o que levaria a grandes grupos de baleias nessas latitudes. Para isso, elas tiveram que entrar pelo Estreito de Gibraltar, onde a cidade de Baelo Claudia está localizada.

Os romanos foram hábeis exploradores do fundo marinho e começaram a explorar o comércio de peixes como o atum vermelho. Por essa razão, não é estranho pensar que também fosse baleeiros.

Ruínas romanas

Essas novas técnicas também permitiram encontrar ossos de baleia-cinzenta em um povoado asturiano antes da invasão romana e da indústria baleeira, que aflorou na costa cantábrica na Idade Média.

O que se desconhece é se esses achados demonstram que os romanos caçavam baleias. O certo é que são muitos os casos de cetáceos extintos em algumas costas. Por isso, é cada vez mais importante proteger as baleias.

Os baleeiros bascos e as baleias extintas

Com o desenvolvimento dos baleeiros bascos, começaram a aparecer baleias extintas na costa espanhola. Os caçadores de baleias bascos foram um dos primeiros povos da Europa a aproveitá-las de maneira industrial. Extraíam azeite dessa espécie marinha, além de ossos e carne.

De fato, os bascos chegaram à Islândia para explorar este recurso na Idade Média. Até um idioma próprio foi estabelecido, conhecido como pidgin, um híbrido entre basco e islandês.

Apesar disso, a relação entre bascos e islandeses acabou mal. Até que em 2015 uma lei que permitia assassinar bascos em território islandês foi anulada. Obviamente ela não possuía efeito, já que era uma legislação da época medieval.

Algumas pessoas chegam a afirmar que os baleeiros bascos chegaram à América antes de Colombo. Apesar de não existirem provas disso, é verdade que viajaram em várias ocasiões para Terranova, no Canadá, no começo do século 16: a frota basca chegou a ter 30 navios e 2 mil homens, caçando 400 baleias por ano.

baleia com filhote

Romanos, baleeiros ou oportunistas?

Mas os vestígios de baleias extintas em solo romano poderiam ofuscar a lenda basca. Alguns acreditam que este é um claro indício de que a indústria baleeira não foi inciada pelos bascos, mas pelos romanos, séculos antes.

De fato, existem poucas provas que sustentam essa teoria e, ainda que os romanos capturassem baleias e outros cetáceos com pequenos botes e arpões, parece que é mais provável que as capturas de baleias extintas por parte dos romanos fossem ocasionais e que até se aproveitavam de encalhes.

Falamos de duas espécies costeiras, o que deixa a caça mais fácil que a de outros grandes cetáceos. De fato, o historiador e naturalista romano conhecido como Plinio de Vielo menciona ter visto orcas caçando baleias em Cádiz, algo que hoje em dia seria impossível.