Cachorro-do-mato: características, distribuição e alimentação

O cachorro-do-mato é um dos canídeos mais difundidos nas florestas da América do Sul. Felizmente, suas populações não correm perigo imediato.
Cachorro-do-mato: características, distribuição e alimentação

Última atualização: 16 Abril, 2021

O cachorro-do-mato (Cerdocyon thous) é um canídeo carnívoro de hábitos predominantemente noturnos, que habita as matas da América do Sul. É uma espécie generalista que não tem problema com diferentes ambientes e fontes de alimento e, portanto, a ação humana ainda não causou seu declínio.

Essa espécie desconhecida pertence ao gênero Cerdocyon, composto por um total de 2 espécies. O cachorro-do-mato é o único representante vivo desse grupo, pois seu parente extinto (Cerdocyon avius) viveu entre 4,9 milhões de anos a 11 mil anos atrás. Se você quiser saber tudo sobre esse canídeo tão esquivo quanto enigmático, continue a leitura.

Características do cachorro-do-mato

Esse animal também é conhecido como raposa-caranguejeira e, apesar das claras diferenças morfológicas com outras raposas – como Vulpes vulpes -, ele segue um padrão corporal bastante semelhante ao dos demais representantes desse grupo. O cachorro-do-mato tem cerca de 65 centímetros de comprimento, sem contar grosso e espesso seu rabo, que mede cerca de 28,5 centímetros. Esse canídeo pesa aproximadamente 5-7 quilos.

A cor de sua pelagem geralmente é preto-acinzentada, com manchas avermelhadas na região da barriga, das orelhas, das extremidades e do rabo. Por outro lado, C. thous tem patas relativamente curtas em comparação com o resto do seu corpo, mas que apresentam uma constituição forte e preparada para a corrida. Em geral, esse canídeo tem caracteres comuns a muitas outras espécies de raposas.

Uma raposa comedora de caranguejo entre a vegetação.

Habitat e estado de conservação

O cachorro-do-mato é uma espécie de canídeo comum nas florestas do norte e centro da América do Sul. Suas maiores densidades populacionais foram citadas na Venezuela, na Colômbia, no Brasil, no Equador e no Paraguai, embora esse animal também tenha sido observado em outras regiões, como Chile e Argentina. Como você pode ver, está presente em praticamente toda a América do Sul.

Seus locais preferidos de atividade são as savanas tropicais, as florestas subtropicais e as matas ciliares, entre outros locais úmidos com vegetação densa. Além disso, esses canídeos toleram bem ambientes elevados, pois foram observados espécimes em áreas a mais de 2000 metros acima do nível do mar.

A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) classifica essa espécie como “Pouco Preocupante (LC)”. Nenhum declínio populacional significativo foi detectado e, além disso, desde a década de 1990, essa espécie se espalhou para o Panamá. No entanto, em algumas regiões específicas, a caça ameaça sua integridade.

Curiosidades sobre o cachorro-do-mato

A seguir, apresentamos uma série de curiosidades sobre o cachorro-do-mato que podem surpreender você. Da genética ao seu potencial de dispersão de sementes, esse canídeo possui muitas características especiais.

Seu genoma revelado

Foram realizados vários estudos genéticos nesse animal e, graças a eles, sabemos que o núcleo de suas células possui 74 cromossomos – 36 pares. Para que você possa comparar esses números com os do ser humano, saiba que nosso cariótipo inclui um total de 46 cromossomos, divididos em 23 pares.

Além disso, pesquisas no portal Pubmed argumentam que existem claras diferenças genéticas entre suas populações. Parece que os espécimes do nordeste do Brasil apresentam divergências genômicas com outros núcleos populacionais. Estima-se que essa divisão tenha ocorrido há aproximadamente 400 000 anos.

O nome “caranguejeira” não é sem motivo

Tradicionalmente, o cachorro-do-mato foi categorizado como uma espécie onívora oportunista que tolera muito bem as alterações antropogênicas. Os registros sobre sua ecologia trófica mostram que esse canídeo tem predileção por presas invertebradas, mais especificamente, caranguejos aquáticos.

Além disso, os cachorros-do-mato também se alimentam de ovos de vertebrados, tartarugas, espécies de plantas, insetos e, em menor medida, de outros répteis ou anfíbios. Quando há abundância de comida, eles preferem buscar presas pequenas e fáceis de caçar em comparação com outros canídeos.

Um poderoso dispersor de sementes

Esse animal também se alimenta de frutas quando estão disponíveis. Segundo estudos publicados no portal Researchgate, o cachorro-do-mato pode ser um dispersor de sementes muito importante nos ecossistemas tropicais, pois percorre longas distâncias e as excreta em suas fezes por todo o território.

Uma raposa-caranguejo descansando.

O cachorro-do-mato é um dos canídeos mais facilmente observados nas florestas sul-americanas. Junto com o cachorro-vinagre (Speothos venaticus) e o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), é o canídeo dominante do ecossistema tropical. Felizmente, suas populações são estáveis, então poderemos aproveitar sua companhia por muito tempo.

Pode interessar a você...
Os astutos canídeos selvagens
Meus AnimaisLeia em Meus Animais
Os astutos canídeos selvagens

Você conhece a existência dos canídeos selvagens? Obviamente, chamar todos eles de "cães selvagens" é um erro, porque são várias espécies.



  • Marín Cardona, D. A. (2011). Caracterización de la masto fauna presente en el páramo de Belmira del distrito de manejo integrado del sistema de páramos y bosques alto andinos del noroccidente medio antioqueño.
  • Monteiro-Alves, P. S., Helmer, D. M., Ferreguetti, A. C., Pereira-Ribeiro, J., Rocha, C. F. D., & Bergallo, H. G. (2019). Occupancy, detectability, and density of crab-eating fox (Cerdocyon thous) in two protected areas of restinga habitats in Brazil. Canadian Journal of Zoology, 97(10), 952-959.
  • Cazetta, E., & Galetti, M. (2009). The Crab-eating Fox (Cerdocyon thous) as a secondary seed disperser of Eugenia umbelliflora (Myrtaceae) in a Restinga forest of southeastern Brazil. Biota Neotropica, 9(2), 271-274.
  • Tchaicka, L., Eizirik, E., De Oliveira, T. G., Candido Jr, J. F., & Freitas, T. R. (2007). Phylogeography and population history of the crab‐eating fox (Cerdocyon thous). Molecular Ecology, 16(4), 819-838.