Campanha busca preservar os peixes meros

· setembro 21, 2018
O Projeto Meros do Brasil lançará um estande interativo no aquário marinho do Rio de Janeiro. O objetivo é sensibilizar visitantes sobre a importância da conservação desse peixe.

O Projeto Meros do Brasil (PMB), patrocinado pela Petrobras por meio do Programa Petrobras Socioambiental, inaugura nesta sexta-feira, 21/9, às 10h, um estande expositivo no AquaRio. Trata-se de um espaço lúdico, criativo e interativo para aproximar as pessoas do universo dos meros, peixes criticamente ameaçados de extinção.

Como o consumo desses peixes é comum, o Projeto busca sensibilizar a população por meio de ações que toquem o coração das pessoas. Um dos objetivos do espaço é mostrar como essa espécie-marinha, mesmo atingindo 2,5 m e 400 kg, é dócil e ameaçada pela pesca indiscriminada.

“O Aquário Marinho do Rio de Janeiro é o maior aquário do país, e da América do Sul, e essa talvez seja a primeira e maior oportunidade de muitas pessoas terem contato com a vida marinha”, explica a Coordenadora Nacional do Projeto Meros do Brasil, Maíra Borgonha.

Peixe Mero

Ainda de acordo com Maíra, na parte da sensibilização, comunicação e da educação ambientais, o Projeto Meros do Brasil trabalha muito a ideia de que as pessoas precisam conhecer a natureza para poder entender a importância de preservar. Reforça a noção do conhecimento, do cuidado, da proteção, não só dos meros, mas dos ambientes marinhos. Por consequência, da vida humana na terra.

Projeto Meros do Brasil

O lançamento do estande do Projeto fica ainda mais especial por causa do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, 21 de setembro, e do Dia Nacional de defesa da Fauna, 22 de setembro.

Os portadores de deficiência terão acesso às informações do estande por meio de uma apresentação lúdica e inclusiva. Haverá também a distribuição de folders com informações em braille e acesso ao chão com piso tátil.

Uma turma de alunos do Instituto Benjamin Constant, localizado na Urca, participará da inauguração e das palestras que acontecerão durante a visitação do circuito interno do Aquário.

Outra data que marca a história do Projeto é que no dia 20 de setembro completam 16 anos da Portaria Ibama Nº 121, 20/09/2002, a primeira portaria que proíbe a captura de meros no país.

Os meros foram a primeira espécie de peixe marinho a receber essa proteção, que veda o transporte, a comercialização, beneficiamento e a industrialização das espécies. Para salvar uma geração de meros é necessário em média 21 anos (IUCN, 2011).

Não sabemos em números quantos meros foram salvos desde a proibição da sua captura no Brasil em 2002. No entanto, cada mero que deixa de ser capturado traz uma nova esperança para a recuperação da espécie.

PROGRAMAÇÃO – 21/09/2018 – 10h

Evento: Abertura do estande Projeto Meros do Brasil no AquaRio

  • 10h: abertura e início das visitas guiadas (área de exposição temporária)
  • 10h: início das oficinas de desenho às crianças no circuito de visitação (sala das pranchas)
  • 14h: início do Circuito de Palestras (Anfiteatro). As palestras contarão com audiodescrição.
  • 14h-14h30: Sensibilização em audiodescrição e consultoria. Palestrante Virgínia Menezes (historiadora e psicóloga).
  • 14h40-15h10: Mergulho e fotosub sem limites. Palestrante Fábio Freitas (fotógrafo subaquático).
  • 15h20-15h50: Meros do Brasil: Um sonho construído na pluralidade. Palestrante: Maíra Borgonha (Oceanógrafa, Instituto Meros do Brasil).
  • 16h-16h30: “Mergulho Adaptado: uma sensação de liberdade”. Palestrante: Luiz Fernando de Araújo Filho (mergulhador HSA – adaptado para cadeirantes).
  • 18h: Encerramento das visitas guiadas ao estande.

Ao longo do dia serão realizados sorteios de brindes aos visitantes do estande.

Características do estande

O layout geral do estande representa ondas como do mar em diferentes tons de azul do chão até próximo ao teto. Próximo ao teto uma onda de cor verde. Essas ondas representam os ambientes em que os meros vivem: azul, os oceanos, e o verde, os manguezais.

O circuito de visita se inicia do mural esquerdo, fundo e, por fim, mural direito. Os visitantes podem assistir um vídeo que mostra as atividades do Projeto.

Projeto Meros do Brasil

A Roda do Ciclo de Vida do mero é uma estrutura em forma circular que, quando girada, mostra as diferentes fases do ciclo de vida dos meros, como fatias de uma pizza.

Por meio de quatro boxes dispostos em diferentes alturas na parede, pode-se colocar a cabeça e ouvir os sons produzidos por esses peixes.

Há também uma imagem do mero adulto em tamanho real, com texto que remete a comparações de tamanho dos meros em várias fases da sua vida. O estande também conta com curiosidades sobre o Projeto e a conservação dos meros.

O Projeto Meros do Brasil é realizado pelo Instituto Meros do Brasil em parceria com instituições de ensino, pesquisa e cultura, formando uma rede comprometida com a Conservação Marinha ao longo da costa brasileira.

Curiosidades sobre os Meros

Conhecido como o Senhor das Pedras, o mero pertence à família Epinephelidae, a mesma das garoupas, chernes e badejos. Os meros vivem nas águas do Oceano Atlântico, na África do Senegal ao Congo, e nas Américas dos EUA, passando pelo Caribe e América Central. Na América do Sul, ocorrem até Santa Catarina.

Vivem em estuários, manguezais, recifes de coral, costões rochosos, parcéis e estruturas artificiais, como naufrágios e pilares de pontes. Alimentam-se de crustáceos (camarões, caranguejos e lagostas), peixes variados (arraias, bagres e parús), polvos e até jovens tartarugas e tubarões.

Os meros começam a se reproduzir por volta dos sete anos de idade. Formam cardumes para “namorar” uma vez por ano, conhecidos como agregações. Podem ultrapassar 40 anos de idade, e atingir 2,5 metros de comprimento.

Mergulhador com mero
Crédito da foto: Luiz Pessoa

Os meros nascem fêmeas e somente após a primeira reprodução, alguns meros fêmeas se transformarão em machos, garantindo a continuidade da espécie.

A captura, transporte e comercialização de meros é proibida desde 2002. Esta proteção é garantida através da Instrução Normativa Interministerial/INI No 13/2015, tendo como prioridade a recuperação das populações da espécie no país. Mas apenas a proibição não é suficiente. É preciso conhecer para preservar.