Chupim: você conhece esse lindo pássaro?

· janeiro 25, 2019

O chupim garante a perpetuação de sua espécie ocupando ninhos de outros pássaros. Além disso, eles bicam os ovos e pássaros que já estão nos ninhos. Dessa forma, nenhuma outra ave tentará depositar seus ovos ali.

O chupim é uma ave que vive em quase toda a América do Sul, grande parte do Caribe e em Trinidad e Tobago.

Portanto, é conhecida por vários nomes, dependendo do país. No Brasil, também é chamado de chopim, maria-preta, gaudério e até “vira-bosta”. Seu nome científico é Molothrus bonariensis.

O macho tem uma plumagem preta ou de uma cor brilhante. Mede cerca de 20 centímetros, e suas asas e cauda são de uma cor opaca.

Por outro lado, a fêmea é menor e tem uma cor acinzentada. Além disso, tem um longo bico, pernas longas e finas e olhos escuros.

Algumas características da espécie

Os chupins são pássaros onívoros, sua dieta é baseada em sementes, uvas, vermes e caracóis. Eles também podem ser encontrados nas costas do gado para se alimentar de diferentes parasitas externos. Na verdade, é comum ver rebanhos inteiros de gado com chupins em cima.

Estas aves são uma espécie com grande capacidade de se expandir para outros lugares, por ter uma alimentação onívora e fácil adaptação. Além disso, na temporada reprodutiva, eles são muito sociáveis.

Em termos de habitat, o chupim pode ser encontrado em prados, savanas, florestas, jardins, parques e cidades. É também fácil encontrá-lo em lugares abertos e com grama curta.

Chupim

Por que ele é chamado de tordo em alguns países?

Em alguns países, como na Espanha, o chupim é conhecido como tordo. A origem desse termo vem da palavra “atordoado” (confuso).

E eles são chamados assim pois um de seus alimentos favoritos é a uva, que eles consomem durante o período da colheita. Dessa forma, como esperado, ficam tontos e bêbados quando bicam muitas dessas frutas.

Estas uvas são consumidas em grandes quantidades, pouco antes do animal migrar para outras latitudes, o que dificulta a capacidade de voar com facilidade, coordenação e graça.

Por conta deste hábito único de ficar bêbado com uvas e suas consequências, eles são conhecidos pelo nome de ‘tordos’.

Reprodução singular

Os chupins não constroem seus próprios ninhos, pois eles têm o hábito de usar os de outros pássaros.

E ainda mais: entendem que essas aves hospedeiras desempenham o papel de pais adotivos. Dessa forma, elas criam os filhotes dos chupins como se fossem seus.

A reprodução começa quando a fêmea é fertilizada. Durante esse período, ela procura um ninho seguro onde seus filhos possam nascer e crescer.

Posteriormente, encontra novos pais que atendam a um requisito mínimo: sejam de uma espécie que alimenta seus filhotes com proteína animal.

Especialistas em camuflagem

Quando chega a hora de pôr os ovos, a mãe faz questão de introduzir seus ovos no ninho antes que a outra ave inicie o processo de incubação de seus próprios ovos.

Dessa forma, há a probabilidade do chupim nascer primeiro, graças ao seu curto período de incubação (dura apenas 11-12 dias).

habitat do chupim

Para colocar seus ovos no ninho selecionado, a fêmea do chupim espera e observa até que o outro pássaro esteja ausente.

Primeiro, ele garante que o pássaro realmente retornará. Em seguida, introduz seus ovos de várias cores e deixa-os camuflados entre os outros.

Durante este processo de ‘ocupação’, a fêmea bica um ou vários outros ovos da ave hospedeira para que ela crie os dos seus filhotes como se fossem seus. Graças a essa estrategia, garante a sobrevivência de sua espécie.

Por causa dessa facilidade de invadir os espaços de outras aves, os chupins recebem o nome científico de Molothrus bonariensis.

Molothrus é uma palavra de origem grega que significa molos: luta e throskos: invasão. De fato, esta espécie representa um risco para alguns outras aves em perigo de extinção.

Canções e mitos

Os chupins também se distinguem por seu magnífico canto. Na antiguidade, dizia-se que o canto do tordo era premonitório, porque anunciava chuvas e boas notícias.

Tal era o alcance e a magia da melodia da canção do chupim que, na Idade Média, acreditava-se que era portador de bênçãos da providência. Ou seja, o anúncio de um encontro inesperado com a boa sorte.

Considerou-se também a canção do chupim como um sinal da realização de anseios e esperanças. Dessa forma, os antigos acreditavam que consumir sua carne os ajudaria a alcançar uma grande longevidade.