Como identificar um santuário da vida selvagem falso

agosto 10, 2019
Ao planejar uma visita, é importante distinguir um verdadeiro santuário da vida selvagem de um falso.

Numa época em que a utilidade dos zoológicos é cada vez mais questionada, muitos acreditam que a solução seriam os chamados santuários. No entanto, é preciso saber identificar um santuário da vida selvagem falso.

Ao popularizar o termo santuário, e tudo que ele implica, esses tipos de centros estão aumentando seu número de visitantes, o que significa um maior financiamento.

Isso significa que muitas pessoas estão decidindo usar o termo santuário para designar seus centros, quando em muitos casos os mesmos são verdadeiros locais de terror.

Portanto, é importante aprender a diferenciar os verdadeiros santuários daqueles que são, na verdade, uma exploração clandestina de animais, já que este é um flagelo que prejudica os verdadeiros santuários.

Dicas para identificar um santuário da vida selvagem falso

Presença de filhotes

Uma das melhores maneiras de diferenciar um santuário da vida selvagem real daqueles que são falsos é observar a idade dos animais.

Estes centros devem manter seus animais em cativeiro porque eles não podem ser liberados para o meio ambiente, por isso, santuários verdadeiros tendem a ter animais que vêm de outras formas de cativeiro animal, como animais de estimação selvagens, de circos ou usados em experimentos.

Filhote de macaco em santuário de animais

Todas essas formas de explorar animais silvestres em cativeiro têm algo em comum: é muito fácil ter filhotes de animais, mas não é fácil ter animais adultos.

Animais como grandes símios ou felinos são muito fofos quando pequenos: você pode usar um chimpanzé com dois anos para participar de filmes ou ter um tigre por alguns meses como animal de estimação.

Você pode até mesmo ter anos lucrativos usando esse animais em circos ou experimentações. No entanto, esses animais não são seguros quando adultos, e é aí que eles são rejeitados e resgatados.

Isso significa que os santuários geralmente não resgatam os filhotes: os mais comuns em um santuário da fauna real são animais velhos, com doenças crônicas e aparência desgrenhada.

Os filhotes de animais dificilmente chegam aos santuários, a menos que a apreensão ocorra em aeroportos ou na venda direta, algo que normalmente não acontece.

No entanto, os filhotes são comuns em falsos santuários da vida silvestre, já que atraem visitantes ansiosos para ver bebês e pagar por isso.

Além disso, santuários da vida selvagem credenciados por associações como a GFAS não criam animais, então as chances de ver filhotes diminuem. Em vez de criar, esses centros visam dar espaço a animais maltratados.

É possível tocar nos animais?

Algo muito importante para determinar se um santuário da vida selvagem é real ou falso é ver o contato que você tem com os animais. 

Normalmente, quando falamos de vida selvagem, dificilmente há interação com os animais. Os santuários verdadeiros jamais permitem que a interação ocorra em troca de dinheiro ou publicidade, pois é perigoso.

Turista tocando em tigre em santuário falso

Isso ocorre porque, mais uma vez, estes centros resgatam animais problemáticos: um chimpanzé vítima de experimentos ou um tigre que cruzou centenas de aros em chamas em um circo não são animais com quem você gostaria de tirar uma foto ou fazer um carinho.

De fato, isso não traz benefícios para eles, já que o santuário deve encorajar comportamentos naturais desses animais: permitir que eles se relacionem com sua espécie em vez de com as pessoas.

Em muitos casos, esses santuários de vida selvagem falsos deixam as pessoas interagirem com animais perigosos: abraçar tigres ou tirar selfies com primatas, colocando em perigo a vida das pessoas.

Os santuários de vida selvagem falsos reduzem esse risco ao usar filhotes, podendo chegar a arrancar as unhas dos animais no caso dos grandes felinos.

Além disso, a promoção de interações entre animais silvestres e pessoas não é apenas perigosa, também prejudica os esforços de conservação e a luta contra o tráfico ilegal.

Um santuário que se preze não pode participar dessas atividades, embora tenha um benefício econômico através da venda de selfies com os animais.