Como os bichos-da-seda trabalham?

julho 5, 2018

Da mesma forma que as abelhas produzem o mel, os bichos-da-seda produzem um item que é muito valioso desde a antiguidade, com o qual são confeccionadas roupas e tapetes. Neste artigo, vamos contar para você como os bichos-da-seda trabalham e desde quando são tão importantes para o ser humano.

Os bichos-da-seda e sua utilização

A espécie que produz a seda se chama Bombyx mori, e o primeiro registro de sua criação data de 2700 a.C. Dizem que a primeira bonina de seda foi criada por Hsi Ling Shi, uma garota de 14 anos, namorada do imperador chinês Huang Ti.

Posteriormente, a sericultura, o cultivo do bicho-da-seda, se estendeu ao resto do continente asiático. Até que, em 139 a.C., foi fundada a rota mundial de comércio mais famosa do mundo. Nomeada justamente de “a rota da seda”, embora também fosse utilizada para vender outros produtos, conectava a China com o Mediterrâneo.

Bicho da seda
Fonte: Toni Coll

Por volta de 300 d.C., o “segredo” dos bichos-da-seda se espalhou pelo mundo conhecido. Mas foram os europeus que avançaram na produção dos fios entre os séculos 18 e 19, especialmente na Inglaterra, que tinha teares mecânicos e rolos de impressão. É importante ressaltar que, atualmente, a sericultura combina técnicas antigas e modernas.

Já no ano de 2005, a produção anual dessa fibra atingiu a marca de 125 mil toneladas, sendo a China e a Índia os principais fabricantes. A seda é utilizada para confeccionar ternos, jaquetas, gravatas, camisas, luvas, toalhas de mesa, laços e outras peças de vestuário.

Passo a passo: como trabalham os bichos-da-seda

Durante a primavera, a fêmea da traça põe cerca de 400 ovos. Passados 10 dias, as larvas começam a sua tarefa e, para isso, precisam de muita comida. Elas consomem, em média, até 50 mil vezes o seu peso em material vegetal, principalmente folhas de amoreira.

Fonte: Rodolfo Araiza G.

Após seis semanas alimentando-se quase todo o dia, a larva de borboleta alcança seu tamanho máximo e muda de cor. Nesse momento, ela se fixa em um ramo, arbusto ou árvore, e começa a sua transformação em crisálida.

Os quatro dias seguintes são de bastante trabalho: o inseto deve tecer um casulo fibroso ao redor de seu corpo, formado por um único fio de seda que chega a medir 1,5 quilômetros de extensão. Esse é um processo realmente fascinante, já que o bicho-da-seda trabalha sem descanso para fabricar o precioso fio.

Os órgãos responsáveis por produzir esse fio (que possui uma resistência impressionante) são as glândulas situadas ao redor do tubo digestivo do inseto, que logo passa por um orifício especial próximo da boca.

O interior do corpo da lagarta está repleto de seda líquida, que endurece rapidamente ao entrar em contato com o ar. Ele possui esse aspecto viscoso ou pegajoso graças a uma goma que também é formada durante o processo.

Esse processo só acontece na natureza, já que os produtores interrompem o trabalho antes que a lagarta deixe o casulo e secrete um ácido que o rompe. É por isso que eles submergem os insetos em água fervente: para matá-los e, assim, conservar seu precioso fio.

Alguns nem chegam a esse estágio, pois são submersos em uma solução ácida e têm as glândulas de seda extraídas. Em seguida, elas são transformadas em fios conhecidos como “tripas de seda”, já que até recentemente eram usadas por cirurgiões para realizar suturas. Hoje em dia, são produtos exclusivos para adeptos da pesca.

De todos os bichos-da-seda que existem em uma fábrica, somente um percentual pequeno sobrevive a essa matança para que possam se reproduzir e preservar a espécie. Entretanto, a vida destes pequenos animais é muito curta: a fêmea morre assim que termina de desovar sua única ninhada.

Por último, depois de obter a seda, os casulos são mergulhados em água morna para serem desenrolados. Desta forma, a ponta do filamento é encontrada e colocada em um carretel. Na maioria dos casos, a produção de até oito bichos-da-seda serve para formar um único carretel, que é tingido e usado para fabricar tecidos.