Como é a comunicação dos primatas?

A comunicação dos primatas é semelhante à dos primeiros seres humanos. Conhecer a história evolutiva desses animais fascinantes nos ajuda a conhecer a nós mesmos.
Como é a comunicação dos primatas?
Silvia Conde

Escrito e verificado por a biólogo Silvia Conde.

Última atualização: 21 maio, 2024

A comunicação não é exclusiva da espécie humana, uma vez que os animais se expressam por meio de diversos tipos de sinais, sejam eles químicos, acústicos, olfativos ou visuais.

Esses sinais indicam informações muito variadas sobre o indivíduo: seu status, sua condição sexual e seu território a outros seres vivos de sua espécie ou de espécies diferentes.

Nos primatas, a comunicação é mais complexa e eles são capazes de aprender toda uma língua para se relacionarem conosco. Na natureza, chimpanzés, gorilas e outros primatas comunicam-se dentro do seu grupo social, estabelecendo assim diferentes tipos de relações. Existem também casos excepcionais, como as disciplinas de estudo da linguagem humana.

Os primatas são capazes de aprender a linguagem de sinais

Um experimento comum com primatas é o aprendizado da linguagem de sinais, e Washoe foi o chimpanzé pioneiro nesse tipo de estudo. Os pesquisadores Allen e Beatriz Gardner, em 1966, conseguiram ensinar-lhe aproximadamente 150 sinais diferentes.

Washoe utilizou os sinais que aprendeu para se comunicar com seus tutores e os integrou e combinou em seu dia a dia para expressar o que queria em todos os momentos. Isso significa que ele foi capaz de compreender e usar a linguagem em qualquer contexto para transmitir emoções, pedir algo ou descrever algo, sempre usando “frases” curtas.

Comunicação em primatas.

O chimpanzé conseguiu pedir abraços, comida ou atenção, e passou a compreender conceitos mais abstratos como “estar triste” ou “pedir perdão”.

A chave era aproveitar o movimento natural das mãos dos primatas para aprender uma língua, uma vez que experiências anteriores de comunicação em primatas utilizando a linguagem falada não tinham dado resultados tão bons.

Embora Washoe tenha sido o primeiro a aprender centenas de palavras através da linguagem de sinais, o recorde mundial é atualmente detido por Koko, uma gorila fêmea treinada pelo Dr. Patterson, que em seus quase 50 anos de vida conseguiu reproduzir mais de 1.000 palavras e compreender. cerca de 2.000 em inglês.

O mais peculiar de tudo é que Koko alcançou a fama por conversar na Internet. Todos os tipos de perguntas chegaram ao site de Koko e foram traduzidas para a linguagem de sinais da gorila. Um exemplo de comunicação entre diferentes espécies.

Comunicação na natureza

Os chimpanzés selvagens também se comunicam com gestos na natureza, na verdade eles os utilizam mais do que vocalizações e parecem ter certos padrões para expressar a mesma situação. Os primatologistas coletaram mais de cinquenta gestos diferentes com seus significados em uma espécie de “dicionário selvagem”.

Um sinal frequentemente repetido entre as mães para seus filhos é mostrar a sola do pé, com esse gesto elas querem dizer “suba em mim”. Seguindo esse gesto, o filhote pula nas costas da mãe e eles caminham juntos. Outro gesto comum, também nos bonobos, é estender o braço para frente com a palma da mão para pedir algo ou solicitar ajuda.

Assim como esses sinais, foram interpretados outros que, localizados em um determinado contexto, parecem ter sempre o mesmo significado.

Isso mostra que, originalmente, os humanos não se comunicavam de forma muito diferente dos grandes símios. Se prestarmos atenção à comunicação nos primatas, podemos ter uma ideia aproximada de como era a linguagem dos primeiros hominídeos. A expressão gestual foi a etapa anterior à palavra oral.

Comunicação oral em primatas

A linguagem oral tem a vantagem de poder ser captada por um destinatário sem a necessidade de contato visual. Os sons podem ser transmitidos por longas distâncias em condições climáticas adversas, como chuva, e podem atingir um grande número de indivíduos.

Essas características permitem comunicar mensagens importantes como a presença de um predador, a localização do grupo ou descendência, o estado ou a disponibilidade de fêmeas férteis.

Os primatas fazem vocalizações bem diferenciadas na natureza com tom, ritmo, duração e frequência específicos, de forma que cada vocalização tem um significado associado, atuando como palavras.

No entanto, essa linguagem não foi encontrada apenas em primatas. Os pássaros também utilizam vocalizações diferenciadas para se comunicar, já que seus cantos possuem padrões específicos do local onde estão.

Um gorila na selva.

Obviamente, essa linguagem animal não é comparável à complexidade da linguagem humana. Os primatas podem transmitir conceitos ou ações através dos seus gestos e vocalizações, mas não podem, por exemplo, evocar ou transmitir uma memória passada.

Isso significa que a comunicação animal é conceitual. Podem referir-se a objetos, mas a linguagem humana vai muito além e é capaz de atribuir características, memórias e emoções a esse mesmo objeto.

Primatas e outros animais são capazes de se comunicar entre si e disso pode depender sua sobrevivência na natureza. Esse fato os aproxima de nós e nos ajuda a compreender como surgiu e evoluiu a linguagem humana.


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  • https://www.friendsofwashoe.org/
  • Koko.org
  • Hobaiter and Byme: The Meanings of Chimpanzee Gestures, Current Biology (2014).
  • Pollick AS, de Waal FB. Ape gestures and language evolution. Proc Natl Acad Sci U S A. 2007;104(19):8184-8189.
  • Mireia Martín. Aspectos lingüísticos en las vocalizaciones de los primates. Anuario de psicología, ISSN 0066-5126, Vol. 37, Nº. 1-2, 2006, págs. 121-140.

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