Conheça os cães que caçam superbactérias em um hospital canadense

· dezembro 31, 2017

É muito comum ver que os animais de estimação ajudam as pessoas que durante o tratamento de alguma doença em diferentes partes do mundo. Auxiliam não apenas como acompanhantes terapêuticos, mas também descobrem algumas doenças. Neste artigo, contamos a história de dois cachorrinhos que caçam superbactérias em um hospital canadense. 

Angus e Dodger, os caçabactérias

cachorros à caça das superbactérias em um hospital

Fonte: ichef.bbci.co.uk

Talvez você tenha visto animais em algum hospital acompanhando pessoas doentes (principalmente crianças com doenças terminais). Apesar disso, esta história vai te surpreender. Trata-se de dois cachorros da raça Springer Spaniel que aproveitam suas habilidades como cães de caça para detectar uma “superbactéria” chamada Clostridium Difficile.

Este microrganismo ataca pessoas com um sistema imunológico enfraquecido (algo muito frequente nos hospitais) e provoca uma diarreia infecciosa que pode levar à morte. Durante meses, os dois cães foram treinados para identificar a bactéria “simplesmente com o olfato”.

Angus, de dois anos, trabalha há um tempo neste hospital, onde já detectou a superbactéria Clostridium Difficile várias vezes e em diferentes lugares. Um dos mais curiosos foi na calça de um paciente que havia dado entrada com quadro de diarreia e que os médicos já iam dar alta.

Pouco depois, Dodger se uniu à equipe. Atualmente, os dois são os responsáveis por detectar a existência da superbactéria no hospital.

Como podem identificar estas superbactérias?

Como souberam que o cachorro poderia identificar esse germe? Tudo aconteceu por acaso. Uma jovem de Vancouver (Canadá), chamada Teresa Zurberg, sofreu uma infecção por essa bactéria, tendo que ficar internada durante cinco dias, perdendo 9kg em uma semana.

O esposo dela, um doente que estava se recuperando na instituição, disse que havia lido um artigo que informava sobre um cachorro da raça Beagle que tinha sido treinado na Holanda para detectar a superbactéria que havia afetado a mulher.

Teresa é treinadora de cachorros que identificam explosivos e drogas e pensou em fazer o mesmo com a superbactéria Clostridium Difficile. Ela apresentou a ideia às autoridades sanitárias e foi autorizada a fazer um plano piloto. Os primeiros dois cães passaram pelo teste sem nenhuma restrição.

Segundo as investigações, essa bactéria é um problema muito comum nos hospitais de todo o mundo e causa um “círculo vicioso”, já que os pacientes devem ficar mais tempo internados, aumentando o risco de contrair mais infecções.

Esta superbactéria vive nas fezes e pode permanecer no ambiente mesmo depois da limpeza. Os funcionários do hospital podem propagar este germe através das roupas e dos sapatos. Normalmente, a luz ultravioleta é usada para encontrar estes micróbios. Porém, os cães Angus e Dodger fazem isso muito mais rápido.

Depois de 10 meses de treinamento, os cães já estavam em condições de trabalhar para identificar esta bactéria que pode causar a morte dos pacientes infectados. Este projeto se expandiu a outros países, como Chile e Finlândia. A criadora quer treinar cachorros de todo o mundo para serem encaminhados aos hospitais mais importantes.

Os benefícios dos cachorros no hospital

cachorro no hospital buscando superbactéria

Fonte: ichef.bbci.co.uk

Indo mais além do que a história anterior, milhares de cães trabalham em clínicas, hospitais e centros de reabilitação e são mais do que bem-vindos. O primeiro estabelecimento que permitiu a entrada de um animal de estimação em uma sala médica foi o Hospital Sant Joan de Déu, localizado em Esplugues de Llobregat, em Barcelona (Espanha).

Essa foi a motivação para que outros centros copiassem a iniciativa, obtendo resultados surpreendentes. Estão proibidas algumas áreas: UTI (Unidade de Terapia Intensiva), salas de cirurgia e de parto. Os outros locais são território livre para os animais, desde que estejam acompanhados por algum profissional do hospital.

Os cachorros melhoram o bem-estar das crianças internadas, os que sofrem doenças terminais ou aqueles que estão em um tratamento muito forte. Os cães ajudam distraindo os pacientes e aliviando o estresse de uma intervenção ou procedimento doloroso.

Em alguns casos, permitem recuperar a mobilidade depois de uma cirurgia de traumatologia ou estabelecer vínculos fortíssimos com crianças autistas.

Para poder trabalhar no hospital, os cães devem estar cadastrados como “de assistência”. Eles foram treinados para determinado objetivo e o risco de transmitir doenças às pessoas é muito baixo. Os protocolos certificam que o animal está saudável e, claro, limpo. As raças mais usadas nos centros médicos são Labrador e Golden Retriever, devido ao seu alto grau de sociabilidade.

Fonte de imagens: ichef.bbci.co.uk