5 doenças virais dos elefantes

março 16, 2020
Os elefantes em cativeiro podem adoecer em determinados momentos de suas vidas. Nesses casos, é fundamental fornecer o tratamento adequado para evitar complicações.

Durante muitos anos, tanto pela sua constituição física quanto pelo seu tamanho, os elefantes foram associados à saúde e à longevidade. No entanto, eles também podem adoecer. A seguir, vamos falar sobre 5 doenças virais dos elefantes.

Embora não tenhamos o costume de pensar no assunto, a verdade é que nenhum ser vivo está completamente livre de contrair doenças em algum momento da sua vida.

As doenças virais mais comuns em elefantes

Herpesvírus endoteliotrópico do elefante

Elefante doente

Os herpesvírus causam infecções na maioria das espécies de mamíferos. Os hospedeiros definitivos do vírus – elefantes africanos – raramente são afetados de forma grave. Mas os hospedeiros intermediários – elefantes asiáticos – sofrem com esta doença.

Transmissão e sintomas

O herpesvírus entra através das vias aéreas, alojando-se nos nódulos pulmonares de forma assintomática. Ele provoca letargia, anorexia e cólica nos animais infectados. Posteriormente, podem aparecer edemas na cabeça, tronco e membros anteriores.

O verdadeiro problema ocorre quando há complicações da doença, com lesões hemorrágicas que costumam ser fatais.

Encefalomiocardite

Trata-se de uma doença natural dos roedores, que atuam como um reservatório. No entanto, as formas mais graves afetam muitos outros mamíferos, tanto selvagens quanto domésticos. Entre eles, podemos citar o elefante africano e o elefante asiático.

O vírus causador é um cardiovírus da família Picornaviridae. Ele se replica nas células do miocárdio, causando danos aos tecidos até destruí-los. 

Transmissão e sintomas

A infecção geralmente ocorre pela via fecal-oral, através de alimentos ou água contaminados. Porém, a doença não é transmissível entre os elefantes.

O sinal clínico mais comum é a morte súbita devido à insuficiência cardíaca. Porém, em casos menos agudos, é possível observar anorexia, letargia e dificuldade para respirar.

As doenças virais dos elefantes

Febre aftosa

Esta é uma doença viral altamente contagiosa, mas raramente fatal. O problema é que ela afeta o gado de maneira massiva, e é por isso que há a intenção de erradicá-la. Nos animais selvagens, ela afeta tanto ruminantes quanto não ruminantes, incluindo os elefantes em cativeiro.

O agente causador é um aftovírus da família Picornaviridae.

Elefante em seu habitat

Transmissão e sintomas

É transmitida através das vias respiratórias ou pelo contato direto com animais ou objetos infectados.

É uma infecção que vem acompanhada de lesões vesiculares e erosivas da mucosa oral e da pele dos membros. O período de incubação dura até 5 dias, durante os quais o animal fica deprimido e com febre. A partir de então, começam a aparecer os sinais clínicos na mucosa oral, com aumento da salivação e até mesmo o aparecimento de pus.

Varíola

Esta é uma doença viral caracterizada pela inflamação da pele e mucosas do corpo todo. Esta inflamação piora com o tempo, provocando o surgimento de pústulas e úlceras dolorosas.

O vírus causador é um Orthopoxvirus sp. Esta pode ser considerada uma zoonose que afeta tanto humanos quanto animais. De fato, considera-se que o seu surgimento nos elefantes tenha ocorrido por causa do seu uso como atração para crianças nos jardins zoológicos europeus.

Os elefantes costumam sofrer desde uma conjuntivite simples até uma doença sistêmica que acaba sendo fatal.

Raiva

O vírus que causa a última das doenças virais dos elefantes é um Lyssavirus da família Rhabdoviridae. Pode ser encontrado em todo o planeta e pode afetar quase todas as espécies de mamíferos. 

Transmissão e sintomas

A transmissão ocorre através do contato da saliva de um animal infectado com o sangue de outro. Ou seja, geralmente ocorre por causa de uma mordida.

Os principais reservatórios são os carnívoros e quirópteros.

Um elefante afetado pela raiva começará mostrando sinais leves, para então progredir em direção a uma completa mudança de comportamento. A princípio, haverá excitação e agressividade, desorientação e falta de coordenação. Em seguida, o animal passará por uma fase paralítica, podendo até mesmo chegar ao coma, até que o dano neuronal seja tão grande que cause a morte do animal.

Diagnóstico diferencial

Durante o diagnóstico, será necessário fazer a diferenciação da raiva de qualquer outra doença neurológica, como o tétano ou o botulismo. No entanto, também há outros problemas que afetam o sistema nervoso central, tais como um traumatismo ou um tiro.  

  • Fowler M, Mikota S. Biology, Medicine, and Surgery of Elephants. Hoboken: John Wiley & Sons; 2008